Enquanto o mundo parava, David redefinia sua trajetória profissional

Autor: Madson Lopes - assistente de comunicação

Em 10 de fevereiro de 2020, pouco antes de o mundo parar, David Lopes, 36 anos, iniciava o Bacharelado em Fisioterapia na Uninter. Um mês depois, em 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) caracterizaria a covid-19 como pandemia. A infecção respiratória aguda causada pelo coronavírus havia atingido transmissão global e se tornaria uma das maiores crises sanitárias e humanitárias do século. 

No ano em que celebra 30 anos de trajetória, a Uninter relembra momentos marcantes e delicados, como a pandemia. Período que a instituição atravessou junto à sociedade e ao lado de milhares de alunos, cujas histórias de vida eram marcadas pelo desejo de mudanças que não podiam esperar o fim da crise. É o caso de David, que, naquele contexto, redefiniu sua trajetória profissional. 

Natural de Curitiba (PR), foi em Colombo, na região metropolitana, onde ele viveu a maior parte da vida. De família humilde, começou a trabalhar cedo, aos 13 anos, ajudando o pai na área da construção civil. A rotina exaustiva impôs, naturalmente, uma barreira aos estudos do adolescente que, após reprovar por vários anos, aos 19 tomou uma decisão. “Serviço de pedreiro é muito pesado, eu chegava na escola e não conseguia assistir às aulas. Acabei desistindo de ir para o colégio nessa época e só voltei com 22 anos”, contou. 

Despertar para educação 

Os 22 marcam não apenas o retorno à sala de aula, mas uma série de transformações pessoais que o levariam rumo à formação superior. David recorda que, por aquele tempo, passou a frequentar uma igreja evangélica e foi introduzido às leituras bíblicas: “o primeiro livro que eu li”. Dali em diante, começou a ler vários livros da área de psicologia e desenvolvimento pessoal, consolidando, aos poucos, o hábito da leitura. 

Tamanho interesse pela religião motivou o jovem a se mudar, em 2016, para um seminário teológico em Cianorte, no noroeste do estado. Não concluiu, mas viveu dois anos de estudos intensos e essenciais para o acadêmico que se tornaria. No seminário, ele afirma ter lido mais do que provavelmente conseguirá ler pelo resto da vida e voltou determinado a fazer uma faculdade: “não podia aceitar mais só trabalhar como eu trabalhava antes, eu precisava evoluir.” 

Com esse desejo em mente, em 2018 retorna a Curitiba e, um ano depois, sua trajetória encontraria a Uninter. Antes, precisava se reestabelecer. Desempregado, por um momento se viu em um freela aqui, outro ali, até se estabelecer como vigilante em uma corretora de seguros localizada em um bairro tido como perigoso. Por isso, resolveu fazer artes marciais para, segundo ele, “ter pelo menos alguma coisa [com que se defender] se algo acontecesse.” 

Felizmente, não teve de travar nenhuma luta senão contra o próprio corpo, que, depois que passou a treinar jiu-jitsu, vivia tomado por dores. “Comecei a procurar lugares para tratar aquelas dores e daí começaram a aparecer vídeos de quiropraxia”, explicou o egresso, lembrando quando ouviu pela primeira vez essa palavra, hoje tão comum ao seu cotidiano. 

A quiropraxia trata problemas no sistema musculoesquelético, visando aliviar dores no corpo. Na prática, são aquelas “estaladas” profissionais que aliviam tensões musculares, corrigem desalinhamentos articulares e previnem lesões causadas pela intensidade de exercícios físicos. A Uninter oferece o curso de Tecnologia em Quiropraxia, mas outro caminho para atuar na área é cursar Fisioterapia, seguido de uma pós-graduação. 

De tanto pesquisar sobre o tema para tratar os próprios males, o interesse evoluiu para uma escolha profissional. “Eu sabia que queria ser alguma coisa, queria ter uma profissão, mas não conseguia saber o quê. Porque, como eu nunca tive direção familiar, nunca tive exemplo”, afirmou, lembrando quando decidiu ser fisioterapeuta. 

Caminho posto, escolheu a Uninter pelo formato semipresencial, que garantia flexibilidade à rotina de trabalho e estudos. Também chamou sua atenção a mensalidade acessível, valor ainda mais em conta após conseguir um desconto por meio da nota do Enem. Após se matricular no final de 2019, deu início à graduação em 11 de fevereiro de 2020. Um mês depois, a OMS decretaria a pandemia. 

A calamidade, que se estenderia pelos três anos seguintes, exigiu adaptações rápidas e trouxe impactos imediatos, como demissões em massa. Só no primeiro ano de pandemia, 377 brasileiros perderam o emprego por hora, segundo reportagem do G1, baseada em levantamento da consultoria IDados. David foi um dos que ficou desempregado, mas nem por isso pensou em desistir ou trancar o curso. Depois de anos buscando o que realmente queria — de tentar teologia, recursos humanos, alguns meses em História (este já pela Uninter) —, a Fisioterapia cruzaria seu caminho para ficar. 

Novamente sem trabalho, para se manter recorreu mais uma vez aos serviços informais: “é melhor pingar do que secar”, dizia. Fixou-se como motoboy para melhorar a rotina de estudos, como há horários determinados para maiores fluxos de entrega, passou a acordar cedo e estudar até as 11 horas. Também passou a inserir os estudos na jornada de trabalho: aonde fosse, carregava um livro na bag de delivery e, nos intervalos, folheava algumas páginas. “Fui estudando nos tempos que dava. Não considero como uma coisa abusada. Eu sempre pensava assim: ‘é para mim, eu estou estudando para que eu seja um bom profissional’”, disse. 

Tamanha dedicação chamou a atenção da coordenadora do Bacharelado em Fisioterapia da Uninter, Fernanda Cercal, que viu o aluno se destacar e indicou-o para uma vaga de estágio em uma clínica onde ele permanece há três anos e, desde 2024, como fisioterapeuta formado. 

Fernanda, que se tornou uma inspiração para o aluno, também o ajudou a inaugurar uma nova trajetória, dando fim a anos de instabilidade profissional. “Tudo que a faculdade disponibilizou eu fiz, todos os cursos possíveis; tudo que tinha de interagir na aula eu me disponibilizava […] Eu queria participar, aparecer, e deu resultado. Quando [meus chefes] pediram uma indicação para a Fernanda, eu fui um dos primeiros nomes que ela pensou”, afirmou o egresso. 

Acolhimento e permanência 

Durante a pandemia, além dos desafios acadêmicos, muitos estudantes enfrentaram impactos emocionais, sociais e financeiros. Para lidar com esse cenário, a Central de Mediação Acadêmica (CMA), responsável por acompanhar os alunos ao longo de toda a trajetória acadêmica, intensificou sua atuação. 

Segundo a coordenadora de acolhimento da CMA, Renata Gabrielle dos Santos, o período exigiu o fortalecimento de práticas já existentes, com foco num atendimento mais personalizado. “Foram realizadas ações de acompanhamento próximo, com apoio, escuta qualificada e orientações individualizadas, visando viabilizar a permanência acadêmica e minimizar os impactos do cenário vivido”, explica. 

O centro universitário contou com uma vantagem significativa por já possuir uma infraestrutura tecnológica consolidada e processos acadêmicos bem definidos, fatores que contribuíram para que alunos como David pudessem manter a rotina de estudos mesmo diante das dificuldades. Com sistemas e recursos educacionais integrados, incluindo um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) intuitivo e eficiente, os estudantes puderam atravessar aquele período sem impactos para além das adversidades já postas pela pandemia. 

Para Renata, ficou como aprendizado a importância de aliar tecnologia a um acompanhamento humano. “O período evidenciou que o acompanhamento individualizado, a escuta qualificada e a atuação preventiva foram fundamentais para garantir a permanência, o engajamento e o sucesso acadêmico dos alunos”, finaliza. 

Em fevereiro deste ano, David voltou à Uninter a convite de Fernanda para falar aos calouros do curso numa aula inaugural. “Hoje sou muito feliz trabalhando com a fisioterapia, quero me aprofundar mais, ter outras experiências. Mas, no que eu já tive experiência na fisioterapia, é o suficiente para saber que é o que eu vou fazer até me aposentar. E incentivo os calouros a buscarem esse tipo de sentimento”, afirmou. 

Incorporar HTML não disponível.
Autor: Madson Lopes - assistente de comunicação
Edição: Larissa Drabeski


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *