Egito Antigo: a arte e a cultura que atravessam os séculos

Autor: Tiago Polonha - Estagiário de jornalismo

O Egito é uma das grandes civilizações da História. O seu período faraônico durou três mil anos e sua cultura ainda ecoa na atualidade, influenciando a cultura popular e trazendo fascínio e curiosidade. Falar do Egito Antigo é situar o homem na história: as relações de poder, do desenvolvimento das crenças, literatura, história etc.

Muito além da arquitetura tão famosa e das pirâmides, essa população nos trouxe conhecimentos e culturas importantíssimas. E isso tudo ganhou novo rumo graças às descobertas arqueológicas dos últimos dois séculos, que nos permitiram conhecer um pouco mais do que era o Egito Antigo.

Para falar sobre esse tema, o programa Art&Cultura da TV Uninter recebeu no seu estúdio a professora Vivian Tedardi, especialista em história e gerente cultural que atua há mais de 20 anos no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba. Para a professora, o maior aprendizado que o Egito Antigo nos traz é aprender a viver a vida da melhor forma, com justiça e com ordem, mas sem ter medo do seu fim. “um conceito que eles desenvolvem, que é Maat, que é a ordem, verdade e justiça.

Ou seja, a vida tem uma ordem que precisa ser obedecida para que a gente possa conviver bem em sociedade e que isso faz manter tudo aquilo que existe. E você seguindo a sua a vida como ela deve ser vivida e de acordo com uma moral, com uma ética que era própria daquela civilização, na verdade não tem por que a gente ter medo do fim e do reinício da vida”.

Segundo a professora, para os egípcios antigos não havia diferença entre o mundo físico e o mundo religioso. Toda a vivência natural provinha das divindades e seguiam um ciclo de nascimento, morte e renascimento. A sociedade se organizava seguindo esse ciclo e até as estações do ano eram divididas assim: cheia, plantio e colheira. Como a sociedade era formada em sua grande maioria por agricultores e camponeses, a manutenção da sociedade precisava seguir corretamente esse ciclo.

Também as mumificações, um dos temas mais curiosos do Antigo Egito, estavam ligadas a esse ciclo de natureza: da mesma forma como a natureza renasce, as pessoas também renasceriam. A mumificação é um processo de conservação dos corpos e surgiu a partir da lenda de que Osiris foi o primeiro rei do Egito, por isso ele governava o outro mundo.

Como os egípcios não tinham a mesma concepção que temos hoje de alma, e o ser humano só existe quando tem um corpo físico e um nome, e como com a morte tudo isso se perdia, para renascer no outro mundo, o corpo deveria ser conservado. No início esse processo era reservado apenas aos reis. Depois o direito foi sendo estendido a todos que tivesse condição de pagar pelo processo.

A professora Vivian conta ainda que todo esse conhecimento sobre a vida, a religião e a sua unidade cíclica no Egito Antigo é possível graças às descobertas arqueológicas muito recentes: a Estela de Roseta no final do século XVIII e a tumba de Tutancâmon, no início do século XX.

A Pedra de Roseta é um pequeno fragmento de uma estela que contêm um texto traduzido em três idiomas: grego, demótico e hieróglifos. Graças a esse texto foi possível compreender os hieróglifos, que foram utilizados pela última vez no século V e eram desconhecidos das sociedades atuais. Como no Egito não existia uma divisão entre a vida social e a religiosidade, através dessa tradução pode-se conhecer muito da cultura e sabedoria desse povo.

A tumba do rei Tutancâmon foi descoberta quase intacta em 1922. Ele não era um rei famoso no Egito Antigo. Governou por 10 anos e sua tumba é muito menor do que de outros reis. Mas, por ter sido encontrada antes de ser saqueada, foi possível conhecer muitos elementos arquitetônicos e artísticos. “E isso também ajudou a pensar quais eram os objetos que eram levados para as tumbas reais e também o que não tinha em tumbas como dos Ramsés, dos Tutmés, e outros grandes reis do período do Reino Novo, que foi o período de vida de Tutancâmon”.

Como gerente cultural do museu egípcio de Curitiba, Vivian convida a todos para conhecer as réplicas dos objetos e da tumba de Tutancâmon presente na exposição do museu. Lembra também que o Museo Egípcio e Rosacruz de Curitiba possui a única múmia real de corpo inteiro do Brasil, apelidada de Tohmea, uma servidora de Isis, possivelmente uma cantora, musicista do templo da deusa. O museu funciona diariamente de terça a domingo, os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria ou online. No site do museu também é possível fazer um tour virtual por toda a exposição.

O bate papo completo com aa professora Vivian pode ser conferido clicando no link do programa Art&Cultura.

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Autor: Tiago Polonha - Estagiário de jornalismo
Edição: Mauri König


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