O reencontro inesperado de quem viu a Uninter nascer

Autor: Madson Lopes - Assistente de comunicação

Anelí apresenta para Osvaldo o polo da Uninter em Itapoá.

Nos primórdios da internet, entre o final dos anos 80 e meados de 1990, um homem curioso e autodidata traçava carreira na área de desenvolvimento de sistemas computacionais. Seu nome é Osvaldo Frontino de Medeiros, cuja trajetória profissional se entrelaça ao início da Uninter, a quem integrou e por quem foi transformado, motivo pelo qual carrega profundos sentimentos capazes de levá-lo às lágrimas sempre que da instituição recorda.

Apaixonado por tecnologia, antes mesmo de qualquer formação na área, ele já prestava serviços como autônomo, estruturando sistemas computacionais de pequenas empresas. Trabalho, à época, feito por poucos, pela complexidade e escassez de informação. No final dos anos 90, esse trabalho o levaria ao Instituto de Pós-Graduação e Extensão, o IBPEX, primeira empresa e base do que hoje é o Grupo Uninter.

“Meu primeiro contato com a Uninter aconteceu em torno de 1998. Conheci seu Wilson Picler [fundador do Grupo] através de Luciano, meu filho”, conta. O filho é Luciano Frontino de Medeiros, um dos professores mais antigos da casa, atual coordenador do Mestrado Profissional em Educação e Novas Tecnologias e presidente da Fundação Wilson Picler.

Naquele tempo, pai e filho trabalharam juntos, um pela via acadêmica, outro na parte operacional tecnológica, nos anos iniciais da Faculdade Internacional de Curitiba, a Facinter, fundada em 2000. Foi a partir daí que o grupo passou a ofertar cursos de graduação. “Seu Wilson me convidou para informatizar o primeiro vestibular da Facinter”, relembra o aposentado, que, daí em diante, deixou de ser prestador de serviço externo para integrar de vez a equipe de colaboradores.

O que ele tem de lembrança desse primeiro vestibular explica bem o lugar que o centro universitário ocupa hoje em alcance e qualidade. Isso porque, na época, a instituição já dispunha do que havia de mais avançado em termos tecnológicos. “Eu trabalhei na linguagem mais moderna para a época, que era o Windows, uma ferramenta nova, que dava uma tela colorida, montada com todos os requintes e tamanhos de letras”.

Após a aplicação da prova, Osvaldo recorda, ainda com espanto, a reação que teve ao processar a lista dos aprovados, quando o sistema imprimiu tamanha quantidade de folhas que superaram os espaços reservados para elas: “Eram muitos candidatos”, disse, se referindo aos 785 aprovados naquela edição.

Por meio de uma bolsa concedida pelo próprio Wilson, ele também fez parte dessa primeira calourada, ingressando no curso de Administração com Ênfase em Desenvolvimento de Sistemas. Como aluno, com então 55 anos, lembra de se sentir o “vovô da turma”, mas nem por isso ficou deslocado. Pelo contrário, manteve boas relações e, pela vivência prática em desenvolvimento de sistemas, logo se tornou referência em sala.

“Fiz bastantes amizades porque tenho facilidade de me comunicar. Muita gente vinha tirar dúvidas comigo. Eu era o veterano que não tinha, digamos assim, mistério nenhum mais nos estudos. Não que fosse o sabedor, mas muitos vinham tirar dúvidas”, recorda, com orgulho.

A partir do segundo ano da graduação, conheceria o já falecido amigo com quem fez dupla na jornada acadêmica e cujo nome não sai da mente ao recordar os anos universitários: Edimar Geremias Pigurski. “Nós tínhamos esse complemento: ele tinha uma caligrafia muito bonita e eu tinha as ideias”.

Ao lado do amigo, em 2004, defendeu o Trabalho de Conclusão de Curso, alcançando nota 8,5 e concluindo cinco anos de estudos. Pouco tempo depois, outro ciclo se encerraria, pois, se antes já havia informatizado dezenas de empresas, com o diploma muito mais oportunidades surgiriam. Tanto que, no auge dos 59 anos, resolveu voltar aos negócios pessoais. 

“Eu até ia permanecer, mas tinha tantas ofertas de emprego, trabalhos avulsos para informatizar empresas pequenas, familiares, que eu tive que deixar a Facinter.” E foi com esse sentimento de que esteve presente e colaborou na gênese de um projeto grandioso que Osvaldo trilhou novos rumos e não mais retornou às instalações da UninterAté a tarde de 19 de março de 2026.

O reencontro 

Nesse dia, por volta das 9h da manhã, equipes dos Estúdios e da Central de Notícias Uninter (CNU) saíram de Curitiba (PR) rumo a Itapoá, no norte de Santa Catarina. É nessa cidade litorânea de águas quentes e calmas que Osvaldo, com 83 anos, descansa a velhice a poucos metros da praia.

A CNU pretendia ouvi-lo para o documentário de 30 anos, a ser lançado em junho. Queriam saber como foi para o egresso participar da primeira turma de Administração da Facinter e qual impacto a graduação teve na vida dele àquela altura. Até então, desconheciam sua relação de colaborador, muito menos que iriam mediar esse reencontro.

A entrevista durou pouco mais de 30 minutos, quando foi interrompida pelas lágrimas de Osvaldo ao lembrar da instituição e do impacto dela na vida de milhares de pessoas, das quais ele se inclui. “Eu me emociono com a Uninter porque eu vejo que onde eu estudei é hoje uma grande empresa presente em todo o país, em todos os rincões […] quando eu falo do meu passado, da vida de progresso que eu tive e que eu vejo esse progresso continuar, não tem como não verter as lágrimas”, declarou.

E lamenta por ainda não ter conhecido o polo da cidade. Problemas na coluna cervical, somado ao cansaço nas pernas e nos braços, o peso dos anos, lhe impede de sair de casa com frequência. Mas nem por isso recusou o convite inesperado da CNU. “O que acha de, à tarde, a gente combinar de ir gravar o senhor conhecendo o polo?”, pergunta Larissa Drabeski, editora-chefe da CNU. “Eu acho que é uma boa ideia. Primeiro preciso dar uma descansada”, respondeu.

O cochilo foi o tempo necessário para a equipe combinar a visita com a gestora do polo, Anelí Martins, que topou de imediato. Não apenas isso: ela conduziu o ancião pelas instalações, mostrando salas de aula, laboratórios e bibliotecas, além de dar detalhes das atividades do local e quantidade de alunos. 

“Foi uma grata surpresa”, disse Anelí, que coordena o polo desde 2013. “Ver que uma pessoa que se formou já há tanto tempo se emociona por vir a um polo da Uninter, por ver o quanto a educação evoluiu e hoje está acessível; e saber que ele contribuiu com o primeiro vestibular, que ele estava na turma de 2004 e que ainda está envolvido com isso, é maravilhoso”, completou.

Durante a visita, Osvaldo deixou a emoção de lado e vestiu um sorriso no rosto. Fez perguntas, interagiu com a gestora e sentiu-se como se estivesse voltando à sala de aula. Ao lado do filho, Luciano, e da esposa, Lourdes, o ancião encerrou o trajeto impressionado com a estrutura e com a facilidade de acesso à educação. Inspirado pelos alunos presentes no polo naquele momento, refletiu: “Parece que o estudo virou moda”.

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Autor: Madson Lopes - Assistente de comunicação
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Estúdios Uninter


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