Rene Naves: 83 anos, duas graduações, 14 especializações e a vontade de não parar

Autor: Ivone Souza - Estudante de Jornalismo

Nas últimas décadas, vem crescendo no país o número de pessoas com idade acima de 60 anos. Este dado não é exclusivo do Brasil, trata-se de um fenômeno mundial. O Censo da Educação Superior aponta que, em 2017, havia no Brasil 7.792 pessoas acima dos 65 anos matriculadas em cursos de graduação presencial e a distância. Destes, 2.461 têm mais de 70 anos.

Dentre eles está Rene Naves, de 83 anos, estudante que está finalizando o curso de Licenciatura em Filosofia na modalidade a distância da Uninter e já faz planos para o próximo curso de extensão que irá cursar. “Tão logo eu receba meu registro, pretendo fazer um curso de extensão. Ainda vou escolher a área”, conta.

Aos 22 anos, Rene concluiu a primeira faculdade, de eletrotécnica e equipamentos de avião, em 1959. Ao longo da vida, fez mais 14 cursos de especialização. Aluno dedicado, sempre gostou de estudar e, garante, faz isso com muita competência. “Desculpe a imodéstia, mas sempre estive em primeiro ou segundo lugar, nunca um terceiro”.

Apesar de estar constantemente se especializando, o sonho de cursar Filosofia teve de ser adiado por causa da vida corrida de militar. “Meu trabalho preenchia todo meu tempo, viajava muito, família, esposa e três filhos para criar e educar”, lembra. Porém, quando decidiu voltar a estudar  teve todo o apoio da família. Segundo ele, foi a realização de um sonho, pois sempre se identificou com leituras voltadas para a filosofia.

Em sala de aula, Rene procura se inteirar de todos os assuntos, por isso, é muito querido por professores e alunos. Ele leva uma vida tranquila e muitas vezes vai a pé para o polo que frequenta, a 30 minutos da casa onde vive em Asa Branca, Brasília.

Casado há 50 anos, pai de um filho, duas filhas e avô de três netas, o que mais o motiva é o conhecimento, entender o princípio e a razão das coisas. Conhecer as coisas nas suas verdades, e conhecer a verdade das coisas. “Nada existe melhor do que aprender e apreender. A busca pela sabedoria é fascinante”, relata.

Muito assíduo e interessado em aprender, é considerado um exemplo para os professores e colegas de curso. Para ele, dedicar-se aos estudos é uma forma de ter mais qualidade de vida. Além disso, diz que a filosofia abriu um novo horizonte de vida, o fez entender com mais facilidade a realidade das pessoas.

“Aprendi a ouvir sem ideias pré-concebidas, e a respeitar e analisar qualquer reflexão, por menor que seja, mas estudá-las com criatividade, ser justo em meus julgamentos”, comenta.  Com isso, ele prova que não existe limite quando se trata de correr atrás do conhecimento.

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Autor: Ivone Souza - Estudante de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Arquivo pessoal Rene Naves


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