Pesquisas de iniciação científica debatem inclusão na EAD em congresso nacional
Autor: Maria Vitória Alves da Silva - Assistente de Comunicação Acadêmica
Quatro trabalhos desenvolvidos por estudantes do Programa de Iniciação Científica (PIC) da Uninter na área de Línguas e Sociedade foram aprovados para apresentação no II Congresso Nacional sobre Inclusão, Linguagem e Literatura, que acontece entre os dias 16 e 18 de abril de 2026, em formato online. As pesquisas são orientadas pelo professor Hugo Eliecer Dorado Mendez e abordam inclusão no ensino superior, linguagem digital e literatura como instrumento de formação crítica e cidadã.
Promovido pelo Centro Integrado de Estudos e Formação Humana (CIEFH), com apoio institucional da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o congresso está em sua segunda edição e tem como tema central ‘Diálogos Possíveis sobre Inclusão, Linguagem e Literatura em Tempos de Tecnologias Digitais e Inteligências Artificiais’. O evento reúne pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais de diferentes regiões do país para discutir práticas inclusivas na educação, diversidade linguística, produção literária e os impactos das tecnologias digitais no ensino. A programação inclui palestras, mesas-redondas, minicursos e apresentações de trabalhos científicos.
Segundo o professor Dorado, o congresso se consolida como um espaço privilegiado que reúne pesquisas que atravessam campos como linguística, literatura, sociologia, história e educação. “É um congresso que realmente tem essa perspectiva de abrir espaços para disputas ideológicas […] novas perspectivas em que buscamos esse vínculo inderdisciplinar e transdisciplinar”, afirmou.
Entre as pesquisas aprovadas, duas abordam diretamente a inclusão na educação a distância a partir da linguagem digital e dos ambientes virtuais de aprendizagem. A pesquisa ‘O internetês no EAD: linguagem virtual e seus níveis de formalidade’, desenvolvida pela aluna do curso de Bacharelado em Letras Aline Afonso Almeida, analisa como os estudantes se comunicam no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), observando diferentes níveis de formalidade na escrita acadêmica em tutorias, fóruns e avaliações discursivas.
Como desdobramento desse estudo, a pesquisa ‘Linguagem em ambientes virtuais de aprendizagem: elaboração de material didático para a educação a distância’ propõe a criação de um manual orientativo sobre os níveis de formalidade esperados nas diferentes instâncias do AVA. A iniciativa busca apoiar estudantes no processo formativo, contribuindo para uma integração mais clara, acessível e inclusiva à cultura acadêmica digital.
Para o orientador, tratar da inclusão no ensino superior não significa apenas discutir acesso às vagas ou políticas institucionais, mas também enfrentar questões técnicas, linguísticas e comunicacionais que afetam diretamente a experiência do aluno. “Muitas vezes pensamos formação apenas como conteúdo epistemológico, mas esquecemos das dimensões práticas, como escrever uma tutoria ou responder uma prova discursiva”, explicou.
Os outros dois trabalhos ampliam o debate sobre inclusão a partir da literatura e de sua potência como ferramenta de crítica social e formação cidadã. A pesquisa ‘A história linear marxista através da literatura: uma análise crítica de Parque Industrial (1933)’, da aluna do curso Bacharelado em Sociologia Erykah Rodrigues dos Santos Iturriet, propõe uma leitura interdisciplinar que articula literatura, sociologia e história.
A obra analisada é tomada como um espaço de resistência e reflexão sobre ideologia, relações de poder e desigualdades sociais. Complementando essa abordagem, o estudo ‘Imaginações dissidentes nas ficções de poder: um debate entre sociologia e literatura’, de coautoria entre Erykah e Aline, amplia a discussão ao analisar obras literárias a partir de uma perspectiva transdisciplinar, evidenciando como a literatura pode funcionar como instrumento de questionamento das estruturas sociais e políticas.
Segundo Dorado, essas pesquisas não se limitam à análise literária tradicional, focada apenas em personagens, enredo ou tempo narrativo. A proposta é pensar a literatura como prática social e pedagógica, capaz de contribuir para processos inclusivos no ensino superior.
Um dos aspectos centrais do trabalho desenvolvido no âmbito do PIC é a valorização da pesquisa colaborativa. Em vez de uma produção individualizada e isolada, os projetos buscam estimular o diálogo entre estudantes de diferentes áreas e trajetórias acadêmicas. Prática que contribui, não apenas para a qualidade da pesquisa, mas também, para a formação de uma cultura acadêmica mais inclusiva, baseada na troca de saberes e na construção coletiva do conhecimento.
Dorado relata que para os estudantes envolvidos, a participação em um congresso nacional representa mais do que reconhecimento acadêmico. Trata-se de um processo formativo que amplia horizontes, fortalece o pensamento crítico e evidencia o papel social da universidade. “[…] É como se o mundo se abrisse e você entendesse que a universidade não é só mais uma fase da educação, […] mas algo que eu tenho que devolver para a sociedade”, destacou.
Autor: Maria Vitória Alves da Silva - Assistente de Comunicação AcadêmicaEdição: Larissa Drabeski



