Pesquisa busca compreender as mortes causadas por eletricidade

Camila Toledo – Estagiária de Jornalismo

O Brasil registrou no ano passado 773 acidentes na rede elétrica, com a morte de 240 trabalhadores do setor. Segundo a Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), nos últimos oito anos foram 1.244 mortes em acidentes na construção civil, manutenção predial, instalações elétricas clandestinas, em poda de árvores, instalação de antenas de TV. Já a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos de Eletricidade (Abracopel) aponta que 653 pessoas morreram em acidentes de origem elétrica em 2016. Destas, 599 foram por choque elétrico, 33 mortes em incêndios gerados por curtos-circuitos e 24 por descargas atmosféricas (raios).

O coordenador pedagógico dos cursos de tecnologia EAD da UninterPaulo Sergio Santos Brito, investigou o tema na sua dissertação de mestrado em Desenvolvimento de Tecnologia. Com orientação dos doutores Cresencio Silvio Salas e Lúcio de Medeiros, ele analisou os números dos acidentes fatais com trabalhadores do setor elétrico entre 2006 e 2013. Ele também fez uma comparação entre os dados sobre mortes de trabalhadores terceirizados e trabalhadores das próprias empresas para verificar se existia alguma diferença entre essas duas categorias. Além disso, também analisou os locais e os departamentos onde aconteceram os acidentes.

A defesa da dissertação no último dia 15 foi um momento de mais aprendizagem para Paulo e uma ocasião para mostrar a relevância de continuar esse tipo de estudo. A melhoria de condições de trabalho nesta área é o principal objetivo da pesquisa. Paulo diz que enfrentou algumas dificuldades na hora da produção, pois as informações nem sempre estão acessíveis, já que algumas empresas dizem que tais informações são confidenciais. “Acidentes de trabalho no Brasil ainda são vistos como uma ‘caixa preta’ e as empresas não costumam fornecer dados”, explica.

“A eletricidade está tão presente em nossas vidas que nem percebemos os riscos que corremos. Um simples contato com uma tomada ou fio desencapado pode ser fatal. Agora, imagine os riscos para os trabalhadores do setor elétrico, que convivem com essa situação ao longo de toda a sua jornada laboral. A função do trabalho é produzir riquezas, não uma legião de trabalhadores mutilados que vão ao óbito no local de trabalho”, diz.

O professor chama a atenção principalmente para trabalhadores que estão em constante contato com a eletricidade. Ele também frisa que fatalidades podem acontecer no cotidiano e muitas vezes podem ser evitadas com mais estudos e pesquisas sobre o assunto.

Edição: Mauri König

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