O lucro a qualquer custo não pode ser a norma nas empresas

Autor: Fillipe Fernandes - Estagiário de Jornalismo

Durante muito tempo, o sucesso de uma instituição era medido pela quantidade de lucro que ela apresentava em seu relatório de desempenho anual. Hoje, as coisas estão mudando no mundo corporativo. Palavras como compliance e governança começaram a aparecer mais na mídia tradicional, mostrando que para uma empresa conseguir sucesso, ela deve, sim, obter lucro, mas sem ignorar as diretrizes éticas e as leis.

Recentemente, no canal do Grupo Uninter no Youtube, a professora Neide Mayer, coordenadora do curso de Ciências Contábeis, convidou o professor Elizeu Alves, coordenador dos cursos de Gestão Comercial e Varejo Digital, para uma conversa com o tema “A Gestão Idônea: Por que a sociedade espera por profissionais éticos no comando das empresas” (Acesse a live na íntegra clicando aqui).

Essa transformação reflete um anseio da sociedade por mais transparência na relação entre consumidores e empresas, e também na relação do poder público com a iniciativa privada. “Nós nunca falamos tanto do tema. Incrível a mudança que a gente percebe no que a sociedade considerava normal. Ética era sinônimo de coisa chata. Comecei minha trajetória profissional em 1999, de lá para cá, nós evoluímos muito”, comenta Neide.

Para Elizeu, ser ético é, antes de tudo, uma escolha. Nosso olhar normalmente está direcionado ao outro, às condutas alheias, mas e a nossa conduta? Ela também precisa ser observada com olhar crítico. “A pessoa está criticando o político em Brasília e o policial corrupto, criticando as coisas erradas, os maus feitos. E ao mesmo tempo, quando ela vai na padaria e recebe um troco a mais, ela dá risada e não devolve o dinheiro”, comenta.

A promoção de condutas éticas no ambiente de trabalho é uma tendência crescente nas empresas. “É importante entender as regras do jogo. Entender o que é esperado. Quando uma organização quebra, todo o entorno se prejudica. Desde o fornecedor, passando pelo cliente até o funcionário. O lucro é válido, o problema é quando a empresa visa o lucro a qualquer custo. Aí entram questões não éticas. É importante ter essa discussão sobre a questão ética, pois muitos CEOs faziam ações ilegais, cometiam crimes”, explica Elizeu.

Neide comentou dados de uma pesquisa publicada no ano passado, mostrando que nos últimos cinco anos a rotatividade nos cargos de CEO aumentou 36%, por ausência de postura ética ou postura ética inadequada. Isso já é reflexo dessa nova conduta mais sustentável. A mestra disse que sustentabilidade é pensar na empresa desenvolvendo suas atividades no longo prazo. É algo muito maior que mero lucro.

A corrupção é um mal a ser combatido. Crimes corporativos não causam a mesma revolta que outros tipos de crimes mais escandalosos, entretanto, os danos causados por uma corporação com bastante influência na sociedade são difíceis de serem mensurados. “A corrupção se dá pela ação de pessoas. O efeito dela é devastador, tira comida da mesa das crianças na creche, por exemplo. O poder público não consegue chegar onde ele precisa por causa da corrupção. E no Brasil vivemos a cultura do chamado jeitinho. Jeitinho não é ética”, pontuou o professor Elizeu.

A legislação dos países, visando impedir condutas antiéticas e corruptas, está em constante reformulação. As leis incentivam a construção de mecanismos de controle para que as empresas consigam monitorar seus colaboradores. “Digamos que você trabalha em uma empresa e o seu subordinado comete um crime corporativo. Quem responde criminalmente é a pessoa envolvida, o superior dele, o superior do superior, até chegar no alto escalão. Hoje todo mundo responde junto, isso está em lei. Justamente para evitar a não-responsabilização das empresas”, comentou Neide.

Elizeu explica que a missão, visão e valores de uma corporação nunca tiveram tanta importância. Esses itens devem estar presentes no dia a dia das empresas e não apenas nos manuais e normativos. “Missão não é uma frase solta, é de fato porque essa empresa existe, porque ela é importante para a sociedade. Depois a visão, para onde ela quer chegar, para onde ela quer ir. E o mais importante: os valores. Todo emprego é uma escolha. Ao entrar em um emprego, o colaborador e a empresa devem estar em sintonia. O colaborador deve se adaptar às diretrizes da empresa”, explica.

Neide mostrou ainda que é preciso promover a ética nas empresas de uma forma sinérgica entre os colaboradores e a alta cúpula. “Comunicar, disseminar, treinar, capacitar. Pense: uma empresa é formada por pessoas multiculturais. Elizeu é natural do interior de São Paulo, eu sou do interior de Santa Catarina. Nossa base vem de lugares diferentes, quando se pensa no Brasil, pode-se ter outros países dentro do mesmo. Os colaboradores devem entender esses valores em qualquer lugar que estiverem”.

A conscientização das pessoas será o caminho para uma sociedade mais ética e, consequentemente, empresas éticas. “Ética é uma questão de conscientização. A empresa será julgada pela sua ação. É válido pensar em três perguntas antes de agir: Quero? Posso? Devo? Se uma dessas respostas disser que não, não faça. A conscientização das pessoas é essencial”, finaliza Neide.

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Autor: Fillipe Fernandes - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Pixabay e reprodução Facebook


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