Existe espiritualidade fora das religiões?

Autor: Vitor Diniz - Estagiário de Jornalismo

O Brasil é um estado laico, ou seja, é um país que separa as crenças religiosas de suas decisões políticas, pelo menos na teoria. Mesmo não tendo religião, não frequentando nenhuma igreja ou templo religioso, as pessoas podem viver uma espiritualidade. “Espiritualidade laica” foi o tema do programa Atualidades da Educação, da rádio Uninter, no dia 06.abr.2021.

O apresentador do programa, professor Alvino Moser, é docente do Mestrado em Educação e Novas Tecnologias da Uninter. Nessa edição, os convidados especiais foram o professor e frei capuchinho Sidney Damásio Machado, do Instituto de Teologia Claretiano de Curitiba (PR), e o professor da Escola Superior de Educação (ESE) da Uninter Luís Fernando Lopes.

Alvino Moser citou o filósofo Luc Ferry, que define em suas obras a espiritualidade laica como a “espiritualidade fora da religião”, ou “espiritualidade sem Deus”. “Temos, como exemplos, as espiritualidades budistas do oriente, a espiritualidade dos gregos, que eram espiritualistas sem falar de Deus, sem falar da religião em si”, explica.

Durante o programa, Moser trouxe para o centro do debate as questões da ética, que pode ser vividas dentro e fora das religiões, as diferentes maneiras de encarar a morte, por religiosos e ateus, e todos os valores que podem ser vividos dentro de uma espiritualidade, esteja ela ligada ou não às religiões.

Sidney Machado destacou a importância de compreendermos que a palavra ‘espiritualidade’ de maneira geral é entendida de forma reducionista, pois tendemos a pensar na espiritualidade como se fosse uma disciplina relacionada exclusivamente ao transcendente, ligada a Deus, ou aos deuses. “Alguns filósofos chamam a nossa atenção para o fato de que existem dimensões espirituais no homem não conectadas necessariamente ao aspecto de um deus transcendente, ou de uma divindade”, disse.

Segundo o frei, a aptidão pela arte e beleza apontam um aspecto espiritual do ser humano, sem que necessariamente seja evocada a situação de relacionamento com Deus. “Um ponto positivo é que, independente do fato de crermos ou não em uma divindade, isso não nos impede de perceber que o ser humano tem uma dimensão espiritual e que precisa ser cultivada, uma dimensão ligada a valores elevados, como o amor, a bondade, a justiça, o cultivo da beleza, da arte, e da busca de um mundo que seja melhor, com justiça e igualdade social”, afirma.

Moser citou como exemplo de espiritualidade o filósofo francês Jean Paul Sartre, que era um homem bastante generoso. “Sartre era um escritor que tinha muitos livros publicados, e deu aos pobres todo o dinheiro que ganhou com seus livros. Portanto, era muito mais generoso do que muitos religiosos”, afirma.

Luís falou sobre a morte na espiritualidade como algo que trata da finitude do ser humano, e enfatizou que a filosofia contribui para que as pessoas tenham sabedoria. “A espiritualidade é alicerçada em uma vida que contempla a filosofia e a sabedoria”, disse.

Para o professor do mestrado, durante a pandemia muitos perderam o poder aquisitivo, os pobres ficaram mais pobres e os ricos ficaram mais ricos. “Os alimentos são commodities, os preços subiram muito na pandemia, e muitos de nós perdemos 20% do poder aquisitivo. Que espécie de avanço é esse? Isso é fruto do egoísmo e individualismo de algumas pessoas, isso é falta de espiritualidade”, afirmou Moser.

O programa completo continua disponível em formato podcast no site da Rádio Uninter ou em vídeo na página no Facebook.

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Autor: Vitor Diniz - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: James Chan/Pixabay


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