Envolvimento de alunos do regime presencial cresce 6% com aulas online durante a pandemia

Autor: Julia Siqueira - Estagiária de Jornalismo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o coronavírus à categoria de pandemia no dia 11.mar.2020, reforçando ainda mais a importância dos países seguirem as recomendações da organização para frear a disseminação do vírus.

No Brasil, atualmente, já foram registrados mais de 580 mil casos de Covid-19, de acordo com o painel geral de casos de doença pelo novo coronavírus no Brasil, desenvolvido pelo Ministério da Saúde. Desde março, o número de casos confirmados vem crescendo exponencialmente e alguns estados já decretaram lockdown, um bloqueio total da circulação de pessoas e do funcionamento de estabelecimentos não essenciais de uma região.

 

E foi considerando o atual cenário que a Uninter declarou, no início de maio, que todas as medidas de segurança adotadas até o momento para conter a contaminação de Covid-19 devem ser mantidas por tempo indeterminado. Para a comunidade discente da instituição, isso significa que todas as aulas e atividades dos cursos presenciais continuam sendo realizadas a distância.

Hoje, cerca de 3.700 estudantes, entre as graduações presenciais e semipresenciais estão tendo aulas por meio de um sistema de webconferências desenvolvido pela instituição. O gerente de Desenvolvimento de TI do Grupo Uninter, Newton Ceccon, conta que esse sistema existe desde o ano passado e já abrigou mais de 18 mil transmissões.

“A primeira versão foi finalizada no fim de julho [2019]. No início, ela foi utilizada para reuniões corporativas e com os polos de apoio presencial. Em seguida, a Escola Superior de Educação começou a utilizar para apresentação de portfólios e dos TCCs, e algumas outras escolas também utilizavam para conversar com alunos. Em 2019, tivemos 4.248 conferências realizadas. Com a pandemia e a necessidade de utilizar a ferramenta em uma escala maior, iniciamos o desenvolvimento da segunda versão, permitindo mais recursos e escalabilidade. Até o meio de maio, já foram 14.424 conferências realizadas”, explica Newton.

Além das aulas por conferência, os discentes também estão fazendo suas avaliações sem precisar sair de casa, através da extensão “Provas Online” do Univirtus, ambiente virtual de aprendizagem (AVA) da Uninter. Alunos da modalidade educação a distância (EAD) também foram incluídos neste sistema pois, em condições normais, suas avaliações são realizadas nos polos.

Em ambas as situações, os estudantes precisam de um aparelho com acesso à internet, webcam ou câmera frontal (no caso de aparelhos móveis) e microfone. Para fazer as provas, em particular, é necessário que o graduando deixe a câmera e microfone ativos todo o tempo. Para aqueles que não possuem acesso à internet ou os equipamentos necessários, a Central de Mediação Acadêmica da Uninter está fazendo um cadastro para que posteriormente estes estudantes possam realizar todas as atividades no polo, sem prejuízo para seu progresso acadêmico.

A adaptação dos alunos ao novo sistema

 Apesar dos esforços da instituição para manter o calendário e o sistema de aulas o mais próximo possível do usual, a adaptação é diferente para cada indivíduo. Para o professor e coordenador do curso de Jornalismo da Uninter, Guilherme Carvalho, existem duas situações diferentes que podem ser encontradas entre os discentes.

“Você tem alunos que se mostram mais adaptados, mais motivados a participar, acompanhar, enfim. Alunos que são do presencial ou do semi [presencial] e que estão se adaptando a essa situação. Por outro lado, a gente vê também uma parcela que tem encontrado mais dificuldades. A minha percepção é que há diferentes reações por parte dos alunos. Alguns conseguem aproveitar melhor e outros nem tanto”, comenta.

Mariane Kravinski, professora da Escola Superior de Educação da Uninter, tem a mesma impressão. “Eu vejo que essa mudança para os alunos, principalmente os alunos do presencial, mais do que os do semi, foi muito impactante. Por quê? Porque eles mudaram totalmente a estratégia de aula”, afirma. Além de professora, Kravinski é mestre em Educação e Novas Tecnologias e explica um possível motivo para as dificuldades de adaptação.

“Antes, todos eles [estudantes do presencial e semipresencial] estavam acostumados a ter aula presencial toda semana. Ter o professor ali, passando conteúdo, passando atividades e, de repente, se viram sozinhos, precisando dar conta dos conteúdos e das aulas, sendo mais responsáveis do que deveriam”, comenta.

Para Cássio Cristian, estudante do 5º período do curso de Publicidade e Propaganda na modalidade presencial, essa dificuldade pode ser atribuída também a outro fator. “Hoje o sistema é bom, mas, no início, levando em consideração o tempo de adaptação tanto dos professores ministrantes quanto dos alunos, a plataforma não ajudava muito e houve muita dificuldade de se acostumar com o sistema”, afirma.

Apesar dos problemas de adequação à nova metodologia, os docentes da Uninter tem percebido um aumento no engajamento dos estudantes, incluindo os da EAD, como menciona Cristiano Caveião, coordenador da área da saúde na instituição.

“Nesse momento, os alunos estão muito mais participativos nas disciplinas do que antes. Eles interagem mais em nossos canais para discussão, como os fóruns das aulas ao vivo, por exemplo. As dúvidas pela tutoria online tiveram um aumento bem significativo e a própria interação e participação deles nas redes sociais dos cursos está bem expressiva. É notório que eles estão estudando mais e se preparando para as aulas, isso é perceptível no resultado das avaliações realizadas na fase”, comenta.

Este crescimento na participação discente durante as aulas, na verdade, é algo que já estava acontecendo antes mesmo do isolamento social. A pesquisa Perfil e Condições de Trabalho do Corpo Docente da Uninter, realizada pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) entre 28.mar.20 e 12.abr.20, mostrou que o nível de envolvimento dos estudantes com as aulas aumentou em cerca de 6%, na comparação com 2019.

 

Para a professora Mariane Kravinski, essa evolução deve se manter no futuro e, somada às consequências que a pandemia tem trazido para a dinâmica de aula, os estudantes irão se tornar muito mais independentes.

“Acredito que, a médio prazo, os alunos se tornarão mais autônomos e conseguirão aproveitar e administrar melhor seu tempo. Até para o professor o encontro presencial será mais proveitoso, no sentido de que poderemos utilizar o tempo em sala para diversificar atividade práticas e trazer uma ampliação de conteúdo, além do que está nos livros ou rotas de aprendizagem”, conclui.

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Autor: Julia Siqueira - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Julia M. Cameron/Pexels


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