Embate entre Uber e táxi levanta questões sobre mobilidade urbana


Miriã Calistro – Estagiária Jornalismo

Da história que teve início quando dois amigos Travis Kalanick e Garrett Camp tiveram dificuldade para conseguir um táxi, em Paris no ano de 2008, surgiu a ideia de criar um aplicativo de celular para oferecer um transporte rápido e mais eficiente para os clientes. O aplicativo Uber foi criado no ano de 2010, e chegou em Curitiba no mês de março deste ano.

‘’O Uber é uma empresa Internacional e recruta motoristas para serem parceiros dela. Não somos contratados, mas disponibilizamos nosso serviço e assim criamos um vínculo, pois em troca do uso da plataforma, oferecemos uma parcela dos nossos ganhos’’, explica Igor Paske, motorista do Uber.

Nos últimos meses, ocorreram inúmeros conflitos envolvendo taxistas e motoristas do Uber.  Para os taxistas, a atuação do Uber é uma concorrência ilegal, já que o aplicativo ainda não está devidamente regulamentado. Paske explica que enfrenta dificuldades para continuar trabalhando como motorista. ‘’Hoje eu tenho muito receio em relação aos taxistas que estão nas ruas, porque apesar de eu estar prestando um serviço honesto como qualquer outro, preciso estar sempre me escondendo para evitar confusão com eles’’, comenta.

Para Pedro Medeiros, coordenador do curso de Ciência Política da UNINTER, não se pode pensar que as atitudes de alguns motoristas, representam toda a classe de taxistas.  ‘’Não podemos confundir o barulho que uma certa fração de taxistas fazem, como sendo a opinião majoritária entre a classe. O problema central é que os motoristas de táxi estão com medo de perder clientela, até porque por causa do preço, acaba ficando muito mais viável para as pessoas utilizarem o serviço do Uber’’, diz.

Para o professor Pedro o único diferencial no serviço do Uber, é a utilização do aplicativo de celular, contrariando a ideia de que a solução em si seja inovadora. ‘’Não existe mudança, trata-se de transporte individual, quando o que precisamos é investir no coletivo. Há investimento no transporte motorizado, quando deveríamos apostar no não motorizado. Precisamos de uma outra opção de transporte para, além de facilitar a vida do pedestre na cidade, diminuir o trânsito e, consequentemente a poluição’’, explica.

Edição: Marjorie Gomes

Para ele, a melhor opção de transporte hoje, e que poderia oferecer todos esses recursos, seria a utilização da bicicleta. ‘’Uma boa pauta é a bicicleta, mas para isso as empresas precisariam melhorar a estrutura para receber os ciclistas, como aumentar a quantidade de armários e locais para que os colaboradores pudessem trocar de roupa, por exemplo. Esse tipo de iniciativa poderia ser um incentivo para que as pessoas optassem por esse modo de transporte, e assim, melhorassem sua qualidade de vida’’, finaliza.

 


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