CineClube debate o Brasil profundo retratado em Central do Brasil

Autor: Nayara Rosolen - Estagiária de Jornalismo

A edição do CineClube Luz, Filosofia e Ação, que aconteceu na última quarta-feira, 20.05.2020, debateu questões da realidade social brasileira retratadas no filme Central do Brasil (Walter Salles), de 1998. Este ano, o CineClube reflete sobre as representações da infância no cinema e celebra três décadas de existência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O bate-papo entre os professores Douglas Lopes, Luís Fernando Lopes, Nilson Morais e Alvino Moser aconteceu por uma live transmitida no canal do Youtube da Escola Superior de Educação da Uninter.

Logo no começo da transmissão, Douglas Lopes destacou a importância deste longa-metragem, que é fundamental para a retomada das produções de cinema no Brasil depois de quase uma década perdida. “É um filme bastante importante, considerado o marco da época da retomada, porque nós tínhamos a Embrafilme, que era uma empresa criada pelo regime militar e financiava o cinema nacional. Com o Governo de [Fernando] Collor, a empresa foi extinta e o cinema nacional sofre um apagão. Você volta a ter produções no final da década de 1990, com o Central do Brasil, em 1998”, explica.

O filme conta a história de Dora (Fernanda Montenegro), uma professora que escreve cartas para analfabetos em São Paulo, e que um dia decide ajudar Josué (Vinícius de Oliveira), filho de uma cliente que acaba morrendo. Em busca do pai do menino, que nunca o conheceu, ela e o garoto embarcam em uma viagem pelo interior do Nordeste, que leva o espectador por uma jornada emocionante pelas estradas do Brasil.

A obra ganhou grande repercussão internacional e injetou ânimo na indústria do cinema nacional. Conquistou o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira no Globo de Ouro, em 1999, e fez de Fernanda Montenegro a primeira atriz sul-americana indicada ao Oscar. Com um custo de produção de 2,9 milhões de dólares, o longa chegou a faturar quase dez vezes mais.

Durante a live, que durou pouco mais de uma hora, os debatedores falaram sobre as dificuldades enfrentadas pelo povo brasileiro, principalmente os que vivem no interior do país, com menor infraestrutura. Mas diante disto, também vem a marca de uma época em que não se tem o uso de aparelhos tecnológicos tão avançado como hoje, em que as pessoas desfrutavam mais da natureza e de coisas mais simples.

“É um filme que nos mostra um mundo que hoje não existe mais, sem tecnologias. Mostra que a vida não precisa de tecnologia para ser vivida, tem outros valores, outros modos. Eu também nasci em uma cidade bem pequena, existem outros tipos de passatempo, de lazer, que hoje em dia os garotos que nascem com celular na mão, com mouse [de computador] na mão, parece que não tem mais a visão da natureza”, reflete o professor Alvino Moser.

Nilson Morais ainda aborda a “cosmética da fome”, termo utilizado por Ivana Bentes, em 2001, para definir as produções audiovisuais nacionais. “Para ela, a cosmética da fome busca retratar de fato a realidade do Brasil, os problemas sociais do país. No entanto, não se aprofunda”, diz ele, que relaciona isto com o cenário representado na obra. “Retrata a questão do analfabetismo, o abandono familiar, questiona o papel do homem na constituição da família. Esses temas abordados no filme buscam retratar os valores humanos”.

Ainda sobre a representação da vida dos brasileiros, Luís Fernando Lopes aborda a questão da religião, bastante perceptível no país e que também é mostrada no filme por meio do sincretismo. Para ele, a questão religiosa “apresenta muitas inversões e está muito ligada à situação do país, às necessidades individuais e coletivas. O sincretismo aparece, a atmosfera religiosa está presente em todo o filme. O fato de termos ali o Cristianismo, a Umbanda, o Candomblé, esses elementos presentes no filme retratam o nosso país. Essa questão religiosa está muito ligada à busca por uma mudança de vida”.

A transmissão, que teve mais de 450 acessos simultâneos ao vivo e até o momento soma quase 2.4 mil visualizações, contou com a participação de alunos de polos de educação a distância da Uninter de todo o Brasil, das mais diversas áreas de ensino. Durante todo o bate-papo, eles comentaram, deixaram suas impressões sobre o longa e ainda questionaram vários pontos específicos, respondidos e debatidos pelos profissionais.

Para conferir este bate-papo completo, acesse o canal do Youtube da Escola Superior de Educação. Alunos da Uninter ainda podem garantir 10 horas de atividades complementares, mediante a inscrição gratuita do evento e realização de atividade no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), até o dia 07.06.2020. Siga a página e fique atento aos próximos eventos do cineclube.

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Autor: Nayara Rosolen - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro


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