“As dores docentes de hoje não são e não podem ser resistência à mudança”
Autor: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação Acadêmica
As competências emocionais foram as protagonistas da live de encerramento da Semana Pedagógica Uninter 2026. A psicóloga, consultora e professora de pós-graduação Ana Carolina Ballé conduziu a palestra Inteligência emocional e escuta entre docentes, transmitida por meio do AVA Univirtus, na tarde de 29 de janeiro, para todos os colaboradores do centro universitário.
O diretor da Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios (ESGCN), Elton Schneider, e a diretora da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL), Dinamara Machado, deram início ao evento, com uma retrospectiva de todos os assuntos abordados ao longo da semana: Aprendizagem de adultos na era da IA, na abertura do dia 26; comunicação humanizada e influência positiva, no dia 27; e ciências da aprendizagem, no dia 28.
De acordo com Dinamara, as competências socioemocionais fazem parte do plano de desenvolvimento (PDI) da instituição, incluído na sigla CHAVE (conhecimento, habilidade, atitude, valores e emoções), que foca no equilíbrio do saber técnico e de comportamento. Fundamental para o engajamento e aproximação com os polos e estudantes.
Desafios atuais
Dedicada a compreender os desafios contemporâneos do trabalho e da educação, especialmente em contextos de mudança acelerada, avanços da tecnologia e transformação nos formatos de ensino, Ana Carolina convidou os participantes a olharem para o papel do professor universitário a partir de uma perspectiva humana e relacional. Além de refletir sobre inteligência artificial na docência, escuta ativa como competência profissional, o impacto das mudanças na educação a distância (EAD) e semipresencial, assim como a importância do cuidado, da adaptação e do aprendizado contínuo ao longo da vida.
Como especialista em desenvolvimento gerencial e neurociência e psicologia positiva, a profissional aponta as quatro principais dores docentes de hoje: sensação de perda de identidade profissional; exaustão emocional invisível; insegurança diante do julgamento constante e sensação de obsolescência acelerada, visto que as informações mudam e têm desdobramento constante. No entanto, Ana Carolina ressalta que “as dores de hoje não são e não podem ser resistência à mudança”, especialmente quando os docentes passam pelo papel de influenciadores perante os alunos e se tornam exemplo na forma como se apresentam e se portam.
De acordo com o Future of Jobs Report 2023, estudo sobre o futuro do trabalho feito pelo Fórum Econômico Mundial, 44% das competências serão transformadas e 23% das ocupações devem se modificar até 2027, próximo ano. Ainda em 2018, foi divulgado um levantamento realizado pela Page Personnel que apontava que 9 em cada 10 profissionais contratados pelo perfil técnico, são demitidos por comportamentos inesperados ou inapropriados.
Os dados confirmam a importância do desenvolvimento das chamadas soft skills (habilidades comportamentais). Ana Carolina salienta seis delas: comunicação clara, respeitosa e humanizada; flexibilidade e adaptação à mudança; capacidade de engajar e criar vínculo; escuta ativa e empática; inteligência emocional, autoconsciência e autorregulação; e o lifelong learning, a respeito do aprendizado contínuo ao longo da vida, para não se tornar obsoleto.
Humanização
Ana Carolina atua ainda como consultora e headhunter, apoiando organizações em projetos de seleção executiva, desenvolvimento de lideranças e transformação cultural. A profissional mostra que o cérebro humano está condicionado a gastar a menor energia possível, por isso a resistência em cenários de mudança. Ainda assim, ela garante que fazer novas conexões neurais é o que leva os profissionais se tornarem diferenciais no ambiente de trabalho, processo desenvolvido a partir da formação contínua, não apenas técnica.
A inteligência emocional e a escuta ativa são algumas dessas habilidades que colaboram para a consciência das próprias emoções e a autorregulação diante dos conflitos e frustrações, de onde são construídas a empatia com o contexto dos estudantes e a capacidade de sustentar limites com humanidade. Dessa forma, a escuta ativa se torna não uma gentileza, mas um método que reduz ruído, melhora o clima e sustenta o engajamento. Para a profissional, “ensinar hoje é, antes de tudo, saber lidar com pessoas – inclusive consigo mesmo”.
Humanização que deve se fazer presente, inclusive na utilização de novas tecnologias, como a IA. Ao mesmo tempo que a ferramenta colabora no planejamento, personalização, produção, curadoria de conteúdo e eficiência operacional, é importante a atenção sobre os desafios causados pela superficialidade, dependência, qualidade das informações e redução do esforço cognitivo. Por isso, conforme a IA cresce, as habilidades humanas se tornam ainda mais valiosas.
“O ensino superior muda. Os formatos mudam. As tecnologias mudam. Mas a educação continua sendo um encontro humano”, reafirma a psicóloga. Essa aproximação humanizada nas relações interpessoais, para Ana Carolina, é o que permite com que os profissionais construam e deixem legados.
Como algumas fontes de conhecimento e entendimento do novo cenário, ela indica o filme Lucy e o livro Nação Dopamina. E ainda sugere um exercício: pensar sobre a última vez que fizeram algo pela primeira vez. Momentos que permitem novas conexões neurais e torna efetiva uma nova habilidade no cérebro, sem resistir às mudanças.
Ao longo da transmissão, a profissional também interagiu com os participantes e sanou dúvidas por meio do chat, que foi mediado pelo analista de operações acadêmicas da Escola de Polos, Elbio Erthal. O encerramento da semana se deu com a participação da gestora da Escola de Polos, Francieli Castro.
Autor: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação AcadêmicaEdição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Reprodução Youtube
