Aluno de Direito, escrevente do TJ ingressa em curso de Letras para aprimorar o texto jurídico

Autor: Célia Rennó - jornalista

Raniere Andrey Aureliano Gonçalves, 25 anos, é escrevente técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Cursa o 7º semestre de Direito na Faculdade Politécnica de Campinas (Grupo Uniesp) e é o mais novo aluno do curso de Letras do polo Uninter de Itajubá, no sul de Minas Gerais. Em entrevista à Central de Notícias Uninter (CNU), Raniere fala sobre seu interesse em fazer uma nova graduação paralela àquela que ainda está cursando.

CNU – Por que se interessou pelo curso de Letras?

Raniere Gonçalves – Meu interesse pelo curso de Letras surgiu em razão da vontade de querer conhecer mais profundamente a língua portuguesa e estudar a comunicação em si, além da língua. Eu acho a escrita e a fala fascinantes. Nossa história só existe por meio delas e apenas subsistirá no futuro em razão das mesmas. A língua é muito mais que o falar, porque faz parte até mesmo do nosso pensar. Então, por meio da língua pensamos, falamos, transmitimos ideias e fazemos história, armazenamos conhecimentos e evoluímos. E dentre todas as línguas, para mim a língua portuguesa é a mais completa e abrangente em conteúdo, que, além de fazer tudo o que disse acima – que uma língua pode fazer – a língua dos poetas ainda é capaz de transmitir, com grande fidedignidade, a essência dos sentimentos de nosso espírito.

CNU – Na sua opinião, qual a importância de se escrever bem, em qualquer profissão que se exerça?

Raniere Gonçalves A importância de se escrever bem é notada em diversas profissões em razão da língua ser nosso principal veículo de transmissão de ideias. Então, caso haja vícios nesse veículo, nem sempre seremos compreendidos da forma que queremos, o que acarreta, em qualquer profissão, a dificuldade em atender a um pedido específico de um superior hierárquico ou atrasos nas tarefas, caso seja você o superior e seu subordinado não entenda a ordem. Para mim, é mais fácil analisar a importância da língua em minha profissão. Sou escrevente técnico judiciário do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. E no meio jurídico, a falha no uso da língua pode vir a ser vergonhosa ou, pior que isso, até mesmo acarretar em atrasos na prestação jurisdicional. Por exemplo, caso um juiz falhe no uso da língua e faça textos (despachos, decisões e sentenças) ambíguos ou obscuros, o advogado pode interpor um recurso chamado Embargos de Declaração e assim, atrasa-se o andar do processo porque o juiz terá de se manifestar novamente apenas para explicar o que ele queria dizer anteriormente. Caso seja o advogado que venha a falhar, o juiz o intimará a esclarecer o que pretende pedir. E o pior de tudo é que, independentemente de quem falhe na comunicação num processo, o prejuízo é das partes (autor e/ou réu), que nem sequer tiveram culpa dos erros.

CNU –  Qual sua expectativa quanto ao curso?

Raniere Gonçalves – Como disse, a língua é muito fascinante, principalmente a língua portuguesa. E com o curso de Letras eu pretendo fomentar meu desenvolvimento pessoal e, em segundo lugar, profissional. Posso unir essa formação à minha futura formação em Direito e, consequentemente, ampliar horizontes, transmitindo e abstraindo ideias com cada vez mais aptidão.

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Autor: Célia Rennó - jornalista
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro


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