A arte de conservar o passado para mudar o futuro


No mundo todo existem cerca de 60 mil museus, sendo que 3 mil deles estão no Brasil. Pode parecer muito, mas equivale a cerca de meio museu por cidade, pois temos 5.570 municípios em nosso país. Nossos museus guardam conjuntos de obras relacionadas à arte, história, botânica, culturas nativas etc. Manter um ambiente de preservação do patrimônio cultural não é tarefa fácil, exige preparo e conhecimentos específicos. Para isso existem os profissionais da Museologia.

Uma profissional desta área é Danielly Dias Sandy, professora tutora do curso de Artes Visuais da Uninter. Ao se familiarizar com os museus já durante sua graduação em Pintura, na Faculdade de Belas Artes do Paraná, Danielly viu neles um espaço de proteção da memória e do fortalecimento da identidade dos povos e das sociedades.

Seu interesse a levou a realizar estágios em museus, além de cursos relacionados ao tema, englobando desde gestão de acervo a métodos de conservação, tanto aqui no Brasil quanto na Inglaterra, onde passou um ano estudando os museus da terra da rainha. Em 2015 a professora retornou ao Brasil. Desta vez, Danielly foi para a Bahia cursar o mestrado em Museologia oferecido pela UFBA.

A atuação dos profissionais desta área é regulada pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus), órgão ligado à UNESCO que foi criado em 1947. Em seus fóruns, os conselheiros discutem métodos de conservação e avanços técnicos para a manutenção do patrimônio cultural mundial. Fazem parte do conselho internacional profissionais de mais de 140 países, organizados em 119 comitês nacionais.

No Brasil, temos o COFEM (Conselho Federal de Museologia), responsável pela regulamentação e fiscalização das atividades ligadas à Museologia. Entre suas atividades, o órgão estabelece diretrizes para a formação específica na área, que inclui profissionais graduados em vários cursos.

Para ser reconhecido como museólogo é preciso fazer o registro em um dos Conselhos Regionais de Museologia (COREM), segundo a Lei 7.287/1984, que regulariza a profissão. Hoje o Brasil conta com pouco mais de 1.400 museólogos, o que significa que não há sequer um profissional credenciado para cada museu existente no país.

Logo após defender sua dissertação de mestrado, em 2017, a então museóloga Danielly fez sua inscrição no COREM e realizou diversos trabalhos em museus da região sul. Também criou os mascotes do Museu Artes Visuais Ruth Schneider, no Rio Grande do Sul. Neste ano, Danielly dará um passo além na sua carreira de museóloga e em fevereiro assumirá o cargo de conselheira suplente de Clarete O. Maganhotto, no COFEM.

“No Brasil, infelizmente, nós temos poucas políticas públicas que contemplam os museus. Precisaríamos de mais, pois existem muitas tipologias de museus. Por exemplo, recentemente nós tivemos aquela tragédia com o Museu Nacional no Rio de Janeiro, que não era vinculado ao Ministério da Cultura, e por isso não podia recorrer aos recursos da Lei Rouanet”, comentou a professora. O Museu Nacional do Rio de Janeiro é um museu universitário, ligado ao Ministério da Educação, e foi destruído por um incêndio em 02 de setembro de 2018.

 

Edição: Mauri König / Revisão Textual: Jeferson Ferro

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