O uso da ciência para a redução de sintomas de ansiedade
Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo
No XII Seminário de Pesquisadores Uninter, que aconteceu no mês de outubro de 2025, os professores Jailson De Souza Araújo e o Ederson Cichaczewski apresentaram a área de pesquisas científicas do grupo Uninter.
Dentre as apresentações realizadas, destaca-se o subprojeto do aluno de Engenharia Biomédica Otávio Augusto, a respeito do uso das batidas binaurais para terapia de pessoas com ansiedade.
O fenômeno das batidas binaurais começou a ser estudado a partir do século XX, ainda que os primeiros registros sobre o assunto sejam datados do ano de 1839 pelo físico e neurologista Heinrich Wilhelm Dove. O assunto foi descartado com mera curiosidade. Somente um século e meio depois, o interesse científico pelas frequências tornou-se novamente tema de análises cientificas.
“Um dos primeiros estudos foi o de Lane de 1998, que investigou os efeitos das batidas binaurais no desempenho da vigilância e no humor dos participantes”, explica Otávio.
O estudo consiste em investigar como o cérebro humano reage a cada frequência sonora. O aluno explica exatamente como é feito: “É quando você toca dois tons diferentes, cada um em um ouvido, e o cérebro percebe a soma desses sinais, dessas ondas sonoras, como um terceiro estímulo. Por exemplo, se eu coloco 200 Hz para tocar no ouvido esquerdo e 210 no ouvido direito, o cérebro entende isso como 10 Hz ao invés de 200 e 210”. Esse feito é chamado de entrainment neural, uma modulação cerebral, pontua o aluno.
Otávio explica como as diferentes frequências podem estimular diversos estados mentais: “(…) não existe especificamente uma frequência única quando a pessoa está, por exemplo, alegre. Mas a incidência daquela faixa específica de frequência é maior do que outras”. Ele também explica as relações de cada uma das ondas sonoras:
Beta: Ondas de frequências entre 14 a 40Hz que têm relação com emoções, como raiva, medo e estados de alerta.
Alfa: Ondas de frequências de 7.5 a14Hz, que têm relação com estímulos visuais, assim como relação direta com aprendizado, a memória e a saúde mental.
Theta: Ondas de frequência de 4 a 8Hz, relacionadas com estados hipnóticos, de meditação e de sono.
Gamma: Ondas de alta frequência (40Hz a 100Hz), que têm relação com o processamento simultâneo de informações em diferentes áreas do cérebro.
Delta: Ondas de frequência lentas (0 Hz a 3 Hz). Estão presentes em estados de sono e meditações profundas, transe e hipnose, quando estamos com consciência totalmente inativa.
Ainda que o uso das batidas binaurais esteja ganhando força como um método terapêutico, não devem ser utilizadas de forma independente, já que funciona como uma terapia complementar às convencionais, reforça o aluno.
Otávio também relata que, durante o período de iniciação cientifica, o principal ponto foi a qualidade dos áudios disponíveis na internet, que não foram testados como frequência sonora, já que não havia uma ferramenta capaz de certificar a autenticidade.
“A grande problemática é a metodologia utilizada para poder fazer esses testes, que envolve equipamentos específicos. (…) A qualidade sonora dessas batidas precisa ser alta para que possam ter o efeito desejado, assim como a questão do tempo e duração desse som”, afirma.
Como parte dos estudos futuros para a pesquisa, o aluno conta os próximos passos a serem seguidos: “Nós criamos um software que testava a veracidade dessas batidas em acervos online e com as nossas batidas autorais. Agora a gente quer centralizar tudo isso dentro de um software”, explica Otávio.
O aluno também compartilhou sua experiência no desenvolvimento desse estudo: “A engenharia biomédica é multidisciplinar, e poder trabalhar nisso na área de computação aplicada, usando alguns conhecimentos da engenharia biomédica foi muito positivo (…) poder contribuir com uma área que está em constante evolução e eu acho que é uma sementinha que vai gerar bons frutos.”
O Seminário de Pesquisadores Uninter tem como objetivo promover a troca de conhecimentos e experiências entre professores, estudantes e pesquisadores de diversas áreas de atuação, visando assim o incentivo da pesquisa no âmbito acadêmico.
A transmissão completa do evento está disponível no canal de pesquisa e publicações acadêmicas no YouTube.
Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de JornalismoEdição: Larissa Drabeski
Revisão Textual: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação Acadêmica
