Brasil envelhece, e aposentadoria exige planejamento precoce

Autor: Madson Lopes - Assistente de comunicação

Desde a Reforma da Previdência de 2019, muitos brasileiros têm dúvidas se, de fato, conseguirão se aposentar. Uma das mudanças que mais gerou incômodo foi a obrigatoriedade de uma idade mínima para aposentadoria: 65 anos para homens e 62 para mulheres. Além disso, os homens precisam de pelo menos 20 anos de contribuição previdenciária, enquanto as mulheres, de 15. 

 

Antes, na maioria dos casos, não havia idade mínima, e a aposentadoria era por tempo de contribuição, sendo 35 anos para homens e 30 para mulheres. A mudança é válida para aqueles que passaram a contribuir a partir de 2019, não se aplica a todas as categorias e existem regras de transição para quem já contribuía anteriormente. Ainda assim, a aposentadoria por idade é a que beneficiará a maior fatia da população no futuro, motivo de tantos questionamentos. 

 

A advogada e consultora jurídica Vania Massambini explica que as reformas foram necessárias e inevitáveis, dado o contexto atual brasileiro. Durante o programa da TV Uninter Café e Conhecimento, de novembro de 2025, ela disse que a mudança busca garantir a sustentabilidade financeira do sistema previdenciário a longo prazo, considerando o envelhecimento populacional. 

 

Isso porque as aposentadorias e outros benefícios pagos aos atuais idosos vêm dos fundos arrecadados com as contribuições dos trabalhadores ativos. Os jovens que entram no mercado de trabalho e começam a pagar o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) financiam diretamente as aposentadorias de hoje. 

 

“A questão é que a nossa população está ficando velha e os nossos jovens estão diminuindo. Então, quer dizer que o nosso sistema previdenciário vai chegar a um momento em que vai colapsar, porque não vai ter gente [suficiente] trabalhando no mercado para sustentar o sistema”, disse, acrescentando que pode haver no futuro mais reformas impostas pelas constantes transformações sociais. 

 

Além das mudanças citadas, Vania explicou que a reforma mexeu no cálculo para chegar ao valor do benefício. Segundo ela, isso põe em alerta até mesmo trabalhadores formais que contribuem por meio dos descontos na folha salarial e do valor pago pelo empregador (uma alíquota de 20% do valor da remuneração do empregado). 

 

Se antes alguns benefícios pagavam 100% da média aritmética simples dos maiores salários de contribuição, hoje a regra geral começa em 60%, com acréscimos graduais por tempo de contribuição. “Dependendo do tempo de contribuição que você vai ter, é o valor que vai receber de aposentadoria”, explicou a advogada. “Eu não vou afirmar que não receberemos aposentadoria, mas posso afirmar que não é aquilo que você espera que vá receber.” 

Com futuro incerto e constantes mudanças, Vania defende que um dos caminhos para pensar na velhice sem ansiedade passa por um planejamento previdenciário cuidadoso e consistente ao longo da vida. A dica é começar o quanto antes e descobrir qual planejamento cabe à realidade de cada um. 
“Se você é um contribuinte individual, se foi segurado especial, se é empresário, se contribuiu durante um tempo, parou de contribuir e quer voltar, tem que analisar todas as hipóteses de contribuição”. 

Outra dica é, sempre que puder, guardar algum valor em um fundo de investimento ou aplicação privada. “Eu recomendaria que você buscasse informações com advogados e pessoas especialistas na área para te indicar qual seria a melhor alternativa para você.” 

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Autor: Madson Lopes - Assistente de comunicação
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Reprodução Youtube e Pixabay


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