COMEMORAÇÃO

Todo dia é dia 8 de março

O Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta sexta-feira (8), é um dia para memorar vitórias conquistadas no espaço público e privado, de celebrar direitos adquiridos ao longo dos anos e de enfatizar a importância da igualdade de gênero em todos os setores da nossa sociedade.

Para além das comemorações, é também um dia de repensar os novos desafios que a sociedade precisa enfrentar, de olhar para os problemas que as mulheres ainda sofrem diariamente e reivindicar soluções práticas para que a sociedade evolua de maneira mais justa e igualitária para todos.

O Brasil vive uma epidemia de violência contra as mulheres. Em entrevista ao jornal O Globo, o pesquisador e doutor em Direito Internacional pela USP Jefferson Nascimento apresentou um levantamento que traz dados alarmantes: 340 casos de feminicídio desde o início do ano até ontem (7), dos quais 136 foram tentativas e 204 foram consumados, uma média de 5,15 por dia.

De acordo com relatório de 2015 da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o 5° país que mais mata mulheres do mundo, o que o coloca como um dos piores países para as mulheres viverem.

De acordo com Mônica Fort, professora do curso de Jornalismo da Uninter, a imprensa tem papel fundamental na cobertura de casos de feminicídio. “A violência de gênero era tratada como um caso familiar, sem interesse público, sem repercussão e se acontece violência contra a mulher ela deve ser divulgada. A função do jornalismo é trazer à tona questões que estão escondidas e temas como esse devem ser evidenciados para levar à discussão social”.

Para Marcia Boroski, também professora do curso de Jornalismo da Uninter, a imprensa tende a reforçar estereótipos e é necessário que haja uma desconstrução para se criar novas narrativas em torno das notícias de violência contra mulher. “A imprensa deve se comprometer em tomar o cuidado de não utilizar termos que reforçam discursos que culpabilizam a vítima”.

Marcia afirma que discutir questões de gênero nas redações contribui para uma melhor cobertura jornalística de casos de violência contra mulher e ajudam a construir notícias mais comprometidas com a mudança da sociedade.

Organizações feministas e movimentos sociais de diversas cidades brasileiras convidaram as mulheres a participar de protestos organizados neste 8 de março, cujo tema principal é a violência contra mulheres.  Dentro de suas pautas também se destacam reivindicações contra a desigualdade de gênero e a reforma da Previdência.

Segundo Emilia Senapeschi, psicóloga social e fotógrafa, que trabalha na comissão de comunicação do movimento 8M de Curitiba e Região Metropolitana, a expectativa para o evento desse ano é positiva: “Espera-se que o 8M 2019 seja um momento de união de mulheres com propósitos em comum”.

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Autor: Juce Lopes - Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Pixabay

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