O palhaço Redy ajuda jovens a vencer a depressão

Autor: Gabriel Prado e Lucas Vasconcelos – Estagiários de jornalismo

Se buscarmos a definição da palavra palhaço, o dicionário nos dirá algo assim: “figura cômica que provoca o riso”. Mas muito além de levar alegria, o palhaço Redy, personagem criado por Wanderson Luiz Vieira da Silva, tenta devolver a vontade de viver a muitos jovens a quem leciona na rede municipal de ensino em Balneário Camboriú (SC).

Wanderson tem 32 anos e é natural de Brasília. Apesar de ser formado em História, seguiu por outro caminho profissional, ficando longe da sala de aula. Essa condição mudou após perder o emprego numa empresa de impressões gráficas, em 2017, o que o levou a prestar concurso para a rede pública no litoral catarinense, onde atualmente mora com sua esposa, Suelen Mateus Albini.

Recentemente, decidiu voltar a estudar e começou na Uninter o curso de Ciências da Religião, no polo da sua cidade. “Sempre tive o objetivo de ajudar os outros, em fazer o meu melhor, principalmente para os alunos. Como não tem muitos professores nesta área, busquei a Uninter para aprender mais sobre esse assunto, conhecer mais para ter um suporte maior para dar as aulas na rede pública”, conta Wanderson.

A criação do palhaço Redy

Após ser aprovado para a vaga de professor de ensino fundamental, Wanderson se deparou com uma situação bastante difícil. Muitos de seus alunos eram introvertidos demais, estavam sempre com um semblante triste no rosto.

Trabalhava numa escola de bairro humilde, com alta taxa de criminalidade. A exposição dos jovens a drogas também era um fator que assustava. Ao investigar melhor a situação dos alunos, Wanderson descobriu que muitos deles vinham de famílias com sérios problemas, seja pela ausência dos pais, ou simplesmente por falta de afeto.

Certo dia, em uma correção de atividades de casa, uma aluna chamou a atenção de Wanderson. Após pedir a ela que mostrasse o o caderno para ele dar o visto, viu em seus braços marcas de automutilação. Ele já tinha ouvido falar dos altos índices de depressão e suicídio na cidade, mas nunca tinha presenciado o problema de tão perto.

Após inúmeras tentativas malsucedidas para motivar os alunos a participar mais das aulas, Wanderson começou a se questionar sobre o que poderia fazer para reverter essa situação e trazer um pouco de alegria para a sala de aulas.

Foi aí que ele pensou na figura do palhaço. “O clown consegue falar de qualquer assunto, seja política, saúde, amor e tristeza, e sempre fazendo todos sorrirem. Então pensei em escrever uma história de um palhaço que vive situações parecidas com as dos jovens. Então conversei com o diretor da minha escola, e organizei para me apresentar lá”, conta.

A partir desse momento, o personagem ganhou vida. Wanderson conta a história do palhaço: “A história do Redy começa com ele chegando atrasado na escola em um dia de prova. Após reprovar, mostra todas as circunstâncias que o fizeram chegar atrasado. Os pais de Redy estavam passando por um momento de separação, que o afetou muito. Seus pais nunca tinham tempo para ele, estavam sempre trabalhando muito, ou ostentando uma vida de mentiras em redes sociais. Seu melhor amigo, Tommy, é um Power Ranger, (mas Redy não sabe) sempre ocupado e sem tempo para conversar com o palhaço. Todo esse ambiente faz com que Redy comesse a ficar depressivo. Seu nariz, antes vermelho, vai descolorindo para o preto. Muito triste, ele escreve uma carta dizendo para os pais que vai embora (fazendo alusão ao suicídio). No desfecho final da história, os pais de Redy, junto com Tommy, vão procurá-lo e ajudá-lo a vencer a depressão, e investem em seu sonho de ser cantor. No final ele faz uma apresentação na escola. Toda a história criada envolve bastante comédia, com paródias de músicas conhecidas”.

As apresentações de Wanderson são feitas nos ginásios das escolas, e há 4 tipos diferentes de espetáculos: para crianças com os pais, para adolescentes e jovens, para professores, e uma voltada a pastores de igrejas da comunidade. No final das apresentações, é realizada uma palestra para debater sobre a depressão em crianças e jovens, e qual o papel da família para ajudar.

Atualmente, Wanderson conta com uma equipe de atores voluntários que o ajudam a produzir as apresentações teatrais nas escolas de sua cidade, e também para cidades vizinhas. “No final de 2018 estruturei essa história, mas precisava de mais pessoas para me ajudar. Fui atrás e consegui uma super equipe de 12 pessoas”, conta ele.

“Tivemos 8 apresentações até o momento. Além das apresentações em escolas, também vamos nos sinaleiros entregar panfletos vestidos de palhaços, falamos para as pessoas que elas são importantes e para não desistirem de suas vidas. Algumas delas se emocionam muito”, diz Wanderson.

É possível conhecer o trabalho do palhaço no seu canal no Youtube, que se chama Os amigos de Redy.

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Autor: Gabriel Prado e Lucas Vasconcelos – Estagiários de jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro


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