Na Ilha de Marajó, Uninter não para nem sob as águas do Amazonas

Autor: Poliana Almeida - Estagiária de Jornalismo  

A Uninter é uma das referências em educação a distância no Brasil. Os seus cerca de 700 polos de apoio presencial espalhados pelo país, de Norte a Sul, Leste a Oeste, atendem diariamente mais de 250 mil alunos de graduação e pós-graduação.

Estar presente em todos os cantos do Brasil não é tarefa fácil. Um exemplo das situações peculiares enfrentadas pelos polos é o que aconteceu recentemente em Afuá, um dos municípios da Ilha de Marajó, no Pará. No fim de março, o prédio onde funciona a Uninter amanheceu invadido pela água depois da cheia dos afluentes do Rio Amazonas que circundam a cidade de 40 mil habitantes.

A força da natureza

A gestora do polo de Afuá, Marlene da Silva Brito, explica que as enchentes são comuns na cidade. Entre os primeiros meses do ano, com a troca de estações, as chuvas são recorrentes, e isso é um dos fatores que contribuem para aumentar o volume dos rios que cercam o município da Ilha de Marajó.

O fenômeno é conhecido como “as águas de março”, mas a gestora garante que as enchentes começam um mês antes. “É registrado como as águas de março, apesar de que ela começa a encher em fevereiro. Só que em fevereiro o nível da água é mais baixo, então não alcança a rua. Em abril ela também vai baixar mais um pouco, não vai alcançar a rua. Então é em março que ela realmente alaga toda a cidade. Já é algo que a gente espera, todo município se prepara para as enchentes”, conta a gestora.

Ou seja, o que para outras regiões do Brasil é sinônimo de preocupação, para os afuaenses é algo natural. E isso se reflete até nas construções das casas por lá. Marlene explica que as residências mais antigas estão em níveis mais baixos, e acabam sendo engolidas pela água também. Já as casas mais novas da cidade são construídas sobre palafitas, o que as protege das enchentes em épocas como essa.

O polo da Uninter em Afuá é um dos prédios localizados em um dos pontos mais baixos da cidade, logo os colaboradores tiveram de lidar com a lama que ficou na unidade. A gestora conta que a água é limpa, corrente. “Ela cresce por volta das duas horas da tarde. Umas quatro horas, quatro e meia, ela vaza. Deixa somente lama pela cidade, mas é algo que depois é resolvido. E ela cresce de madrugada também, inclusive no polo ela entrou na madrugada”.

Por causa dessa situação com as águas, Afuá é conhecida como a Veneza Marajoara, alcunha que remete à famosa cidade italiana cercada por canais. As semelhanças não param por aí. Assim como em Veneza, os moradores de Afuá não andam de carro, e as bicicletas dominam a paisagem urbana.

Uma Uninter perto de você

Maria Glória da Silva é gestora dos polos de Afuá, de Macapá e Santana (ambas no Amapá). Ela diz que a Uninter decidiu instalar uma unidade em Afuá em 2018 devido à grande quantidade de alunos na cidade. Foi o primeiro polo de educação a distância do município. Antes, os alunos da EAD da Uninter tinham de viajar até Macapá para fazer as provas, uma viagem de até 10 horas de barco pelo Rio Amazonas, com todos os riscos que isso implica.

“Como era um grupo com um número mais ou menos expressivo na época, vimos a viabilidade de abrir um polo pequeno para atender à comunidade. Por ficar na Ilha do Marajó, cercada pelas águas, são muitas as dificuldades”, conta. Neste momento de pandemia, por exemplo, muitas vezes o acesso à cidade é restrito porque as viagens de barcos de transporte de passageiros são canceladas. “Então, muitas vezes a gente fica sem contato, sem a possibilidade de se deslocar para lá ou de lá para cá”, descreve Glória.

Para dar conta das particularidades da cidade, ela acredita que é essencial ter uma equipe que tenha visão e garra, “que queira fazer acontecer a educação e a formação por lá”. E quem são essas pessoas? O quadro de funcionários é constituído praticamente por 80% de pessoas formadas pela Uninter. “Então eles têm uma identificação com a Uninter. Eles vivenciaram tudo isso como estudantes, sabem das dificuldades e sabem como fazer um bom atendimento para os nossos alunos, porque entendem as suas necessidades”, sintetiza.

Apesar dos percalços com a natureza, Glória garante que o trabalho duro compensa quando os alunos saem realizados da instituição. “A gente teve agora uma formatura que foi feita individualizada por causa da pandemia. E a gente vê a alegria neles, daqueles que tinham que se deslocar para outros lugares, que vinham [a Macapá] para fazer as provas. A gente sente muita alegria em poder estar atendendo essa comunidade”, finaliza.

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Autor: Poliana Almeida - Estagiária de Jornalismo  
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Arquivo PAP Afuá


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