Mudanças climáticas são tema de debate do Global Meeting Uninter

Autor: Barbara Carvalho - Jornalista

As mudanças climáticas que vêm acontecendo nas últimas décadas ameaçam todo o ecossistema e a vida no planeta. Devido a isso, a comunidade científica vem há anos debatendo o tema, alertando e chamando a atenção para medidas que possam ser tomadas a fim de frear o avanço do aquecimento global.

Fatores como o aumento da temperatura e o efeito estufa são naturais do meio ambiente, porém esse processo que geralmente acontece a longo prazo vem sendo alterado pela ação desenfreada do homem. “Quando nós falamos de mudança climática, nós falamos de um processo natural que já acontece, mas que, em virtude da ação humana sobre o planeta, por meio de suas ações de transformação, tem comprometido cada vez mais o clima do nosso planeta”, destaca a doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento Isabel Jurema Grimm.

O conteúdo para estudo relativo às mudanças climáticas é retirado de relatórios de avaliação do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas em tradução), órgão internacional que avalia a literatura publicada sobre o tema. De acordo com o IPCC, as concentrações de CO² aumentaram mais de 20% desde 1958, ano em que se começou a realizar essas medições, e cerca de 40% desde o ano de 1750.

Ainda de acordo com relatório divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), quatro indicadores-chave de mudanças climáticas bateram recorde histórico em 2021. São eles concentração dos gases do efeito estufa (GEE), aumento do nível do mar, calor oceânico e acidificação oceânica.

Tais mudanças mostram que os prejuízos não ficam destinados somente ao clima. No Brasil, nos primeiros meses de 2022, já foram contabilizadas perdas de 72 bilhões de reais por causa de eventos como enchentes e estiagens, resultados da mudança climática. Os dados já ultrapassam o total de 2021, que em todo o ano obteve desfalque de 60,3 bilhões de reais. Esses números afetam diretamente as economias mais vulneráveis, pois a injustiça ambiental recai de forma desigual em cima de uma parcela da população que luta contra a desigualdade social.

O que esperar daqui para frente

Dentro disso, quais são as perspectivas futuras? Segundo o geólogo e mestre em Geografia Juarês José Aumond, nos próximos anos, o planeta passará por episódios mais severos de crise hídrica e energética, além de insegurança alimentar, perdas dos recursos naturais e desastres. Algumas regiões demonstram claramente os problemas das mudanças climáticas, entre eles Alasca, Canadá e Patagônia.

O degelo polar é um fato que exibe os danos causados ao meio ambiente devido à excessiva emissão de gases que causam o efeito estufa, provocando a fusão das massas de gelo. Dados mostram que se o planeta aumentar 3°C até o final do século, o nível dos mares poderá aumentar 1,9 metro até o ano de 2100. Ainda, desastres na orla marinha mundial, relacionados à elevação do nível dos mares, podem acarretar até 100 milhões de refugiados ambientais.

A fim de demonstrar como existem formas de reverter gradativamente os efeitos e impedir que mais gases sejam lançados na atmosfera, Aumond exemplifica como os países constituem suas matrizes energéticas. De acordo com o geólogo, o Brasil possui 45% da sua energia sendo renovável, acima dos 14% a nível mundial. O aumento do consumo dessas energias renováveis é uma forma de diminuir o aumento da temperatura.

“É possível aprender com a crise climática através da criatividade e inovação, por meio de uma educação voltada para uma cultura de sustentabilidade e valorização do meio ambiente”, finaliza Aumond.

A discussão foi realizada no primeiro dia do Global Meeting Uninter – Construindo um futuro sustentável, com o tema “Ação contra a mudança global do clima”. Foram três dias de debates (31 de maio e 1º e 2 de junho), em ligação com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13, ação que luta contra a mudança global do clima. A mesa redonda “Mudanças climáticas e perspectivas futuras” promoveu o debate com a presença dos especialistas e mediação da coordenadora do curso de Gestão Pública da Uninter, Manon Garcia. O evento também realizou outras duas palestras que podem ser acompanhadas no canal no YouTube do Grupo Uninter.

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Autor: Barbara Carvalho - Jornalista
Edição: Arthur Salles - Assistente de Comunicação Acadêmica
Créditos do Fotógrafo: Markus Kammermann/Pixabay e reprodução YouTube


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