CONHECIMENTO

Mestrado e doutorado abordam os saberes do xadrez

Um dos grandes diferenciais do jogo de xadrez é que não há espaço para o fator sorte. O resultado depende única e exclusivamente da capacidade de cada jogador e de seu raciocínio lógico.

Desta forma, a prática do jogo de tabuleiro possibilita o desenvolvimento de diversas habilidades, inclusive para o ambiente acadêmico. Buscando explorar estes benefícios – suas peculiaridades e estatísticas –  e aprimorar o estudo do xadrez, há pesquisas de mestrado e doutorado no Brasil que abordam o jogo sob enfoques diversos.

Uma das grandes referências do xadrez no Brasil é Wilson da Silva, professor de Pedagogia da Uninter. Praticante do xadrez desde a escola primária, hoje pós-doutor em Informática Educacional, Wilson começou a estudar sobre a prática e o ensino do xadrez na graduação. Com dois livros publicados sobre o tema, seu nome é sempre lembrado como referência na área.

No mês de março, o professor fez parte de duas bancas de exame de qualificação, nas quais os temas abordados estavam relacionados com o xadrez.

A primeira foi uma banca de doutoramento no Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), em São Bernardo do Campo (SP). O aluno Laércio Ribeiro da Silva Júnior apresentou um trabalho intitulado “Avaliação de Proficiência em Xadrez por Meio de Técnicas de Estatística Multivariada”.

Neste estudo, ele utilizou um aparelho com tecnologia capaz de medir com precisão o ponto para onde o jogador de xadrez está olhando durante a partida, e investigou se seria possível avaliar por meio do movimento ocular a expertise do jogador, ou seja, se a capacidade do jogador estaria ligada à maneira como ele observa o tabuleiro.

Wilson, que já tem uma proximidade com o grupo de pesquisa no qual foi desenvolvido o trabalho, participou da banca por videoconferência. Ele conta que inicialmente ficou inseguro quanto à tecnologia utilizada para este procedimento, temia que a participação por vídeo pudesse atrapalhar na interatividade com os outros membros da banca ou até mesmo com o próprio doutorando.

Mas, após a experiência, pôde perceber que tudo funcionou corretamente e ele participou do evento com tranquilidade. “Esta é uma tecnologia muito interessante para os procedimentos de educação a distância”, diz.

Outra participação do professor aconteceu numa qualificação de mestrado no Instituto Federal do Paraná (IFPR) – campus Litoral. O mestrando Augusto Tirado buscou entender a relação entre tecnologia e desenvolvimento da expertise no xadrez. Sua pesquisa mostra que à medida que novas tecnologias são introduzidas, o jogador vai se aprimorando e consegue atingir objetivos mais rapidamente. Neste evento, a participação do professor se deu pessoalmente e ele ainda aproveitou a oportunidade para conhecer o grupo de pesquisa que está sendo estruturado por lá.

Wilson vê com grande importância a presença do estudo do xadrez dentro do universo acadêmico: “A academia acaba vendo o jogo não só como passatempo ou esporte, mas como possibilidade de entender o funcionamento da mente e a cognição”, conclui o enxadrista.

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Autor: Barbara Possiede – Estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König / Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Arquivo pessoal

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