VEM SABER UNINTER

Já deu, né? Basta de violência! Está na hora de ouvir e respeitar as mulheres

Somente na cidade de Curitiba, capital do Paraná, foram registrados 130 casos de violência doméstica nos seis primeiros dias de maio, segundo levantamento da Polícia Civil. Conforme pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1 em cada 4 mulheres sofreram algum tipo de violência em 2018.

No mesmo relatório, foi identificado que 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento, enquanto 22 milhões de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos coloca o Brasil em 5º lugar no ranking em número de feminicídios no mundo.

Os dados são assustadores, por isso o direito da mulher e a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) foram os temas da 1ª edição do Vem Saber Uninter. O evento recebeu, no estúdio das Araucárias, em Curitiba, no dia 15 de abril, a delegada titular da Delegacia da Mulher de Curitiba, Eliete Aparecida Kovalhuk, a psicóloga da mesma delegacia, Rosangela Hass Ramos, e a advogada Juliana Bertholdi. A mediação ficou por conta da coordenadora da extensão da Escola Superior de Educação e do Programa Educação e Cidadania da Uninter, Christiane Kaminski.

As convidadas ressaltaram que o maior problema que existe na sociedade é entender que a mulher nunca é culpada da violência que ela sofre. “O primeiro passo de um familiar e de um amigo é dar credibilidade para o que a mulher está contando, dar suporte emocional, o suporte necessário para que ela consiga tomar a decisão com mais tranquilidade acerca da denúncia”, diz Juliana Bertholdi.

A advogada salienta que não duvidar é fundamental para encorajar as vítimas. “É uma tendência muito nossa perguntar ‘que roupa que ela estava usando’, ‘o que ela disse pra provocar’, ‘mas o que aconteceu naquela noite que ele ficou irritado’?”, acrescenta a advogada.

Em 7 de agosto de 2006 foi sancionada a Lei Maria da Penha, que torna mais rigorosa a punição para agressões contra mulheres em âmbito doméstico e familiar. Com o passar dos anos, a lei foi se tornando mais abrangente, mas ainda assim são poucas as políticas públicas que atendem aos direitos da mulher, o que pode ser um reflexo da baixa representatividade feminina no Congresso.

“Veja, se a gente não tem um Poder Público que consegue entender que as mulheres em presídios precisam de absorventes, não é distribuído absorvente, que tipo de questão feminina a gente vai conseguir pautar com seriedade para políticas públicas de avanço que não sejam de mera sobrevivência, como seria um absorvente dentro de uma penitenciária?”, fala Juliana.

“A Delegacia da Mulher em Curitiba fica na Casa da Mulher Brasileira, onde existe uma rede de proteção que está sendo dia a dia fortalecida justamente para a gente tentar atender a mulher em todas as suas necessidades, e a delegacia é um desses órgãos. Então quando ela chega na casa da mulher, ela vai ser direcionada primeiro para atendimento psicossocial, e é justamente esse atendimento que vai dar uma escuta especializada para verificar qual é o problema”, explica a delegada Eliete Aparecida Kovalhuk.

“Se é um caso de registro de boletim de ocorrência, ela vai ser encaminhada para delegacia. Lá o investigador vai fazer o atendimento e colher todas as provas que ela trouxer, já de imediato. Quando há solicitação de medida protetiva, ela é emitida pelo Ministério Público em até 24 horas”, diz a delegada.

A Casa da Mulher Brasileira contempla alojamento de passagem para a família, Juizado, Ministério Público e Defensoria Pública, Polícia Militar, que faz operações de busca dos pertences das vítimas, e ainda o apoio da Guarda Municipal com a Patrulha Maria da Penha, que cuida para que as medidas protetivas não sejam descumpridas, com visitas regulares nas residências de quem teve esse direito solicitado.

A professora Christiane Kaminski conta que até outubro ocorrerão mais cinco edições do Vem Saber Uninter, apenas com temáticas transversais como saúde, direitos e políticas públicas. “A importância de debater isso dentro do ensino superior é porque isso é formação que não fica apenas no âmbito institucional, mas educação que se estende na sociedade em geral”, explica a professora. O evento é sempre transmitido ao vivo para todos os estudantes da Uninter do Brasil inteiro, diretamente dos estúdios Araucárias, e os participantes podem interagir com os convidados fazendo perguntas.

Fique ligado para a próxima edição do Vem Saber Uninter. O aviso e as inscrições são realizadas através do portal AVA. Não perca!

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Autor: Juliane Lima - estagiária de Jornalismo
Edição: Mauri König / Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Maicon Sutil - Estagiário de Jornalismo

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