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Glossário inédito inclui surdos na linguagem jurídica

Já imaginou se você fosse acusado de um crime e não pudesse sequer apresentar sua defesa? Isso ocorre diversas vezes com a comunidade surda brasileira, pois não existe na linguagem de Libras sinais convencionados para termos jurídicos, como “dano moral”, por exemplo. Muitos surdos acabam não entendendo o conceito do termo e são injustiçados por não conseguirem se expressar em defesa própria.

Pensando nisso, um grupo de pessoas atuantes na área jurídica, que são da comunidade surda, e o acadêmico de Direito da Uninter Tiago Alves Carneiro Júnior criaram o Glossário Jurídico em Libras. No dia 7 de dezembro ocorreu uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), 9° Região, com o propósito de discutir o documento.

Este trabalho é uma parceria do setor de inclusão da Uninter (SIANEE) com o TRT. Esta parceria busca dar condições para que a comunidade surda consiga entender os termos que fazem parte da jurisdição brasileira e assim possam estar devidamente representados em processos jurídicos: “Busca-se dar todo o apoio e a estrutura necessários para que um grupo de surdos da área acadêmica criem sinais jurídicos em Libras”, esclarece Leomar Marchesini, coordenadora do Sianee.

A ação ganhou o prêmio municipal “Viva a Inclusão”. Como o presidente do TRT, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, não pôde comparecer à cerimônia de premiação, no dia da reunião no TRT Leomar lhe entregou o prêmio em mãos, dando o reconhecimento merecido aos esforços feitos para que a ação se tornasse realidade.

Durante a audiência pública, a tribuna foi formada por: Leomar Marchesini, coordenadora do Sianee; Tiago Alves, acadêmico de Direito da Uninter; Ricardo Tadeu, presidente do Tribunal Regional; e Luciano Canesso Dyniewicz, Diretor Regional do Feneis Paraná. Essas pessoas foram indispensáveis para legitimar o projeto de criação dos sinais jurídicos em Libras. “O processo da criação ainda será longo, pois sem esses sinais em Libras, a comunidade surda brasileira fica extremamente prejudicada”, afirma Leomar em relação à continuidade do trabalho.

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Autor: Igor Ceccatto – Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König / Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Arquivo UN

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