Expansão de data centers traz desafios econômicos, ambientais e sociais
Autor: Rayssa da Cruz Freixo - Estagiária de Jornalismo
O Brasil possui mais de 200 data centers distribuídos por diversas regiões do país. Entre os maiores, está o empreendimento localizado no Complexo do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza, projetado para alcançar uma capacidade de até 300 MW.
O data center foi desenvolvido pela ByteDance, empresa proprietária da plataforma TikTok, em parceria com a Omnia e a Casa dos Ventos, geradora de energia renovável. O projeto foi planejado para operar com energia 100% renovável, proveniente principalmente de fontes eólicas e solares, além de adotar estratégias voltadas à eficiência no uso dos recursos hídricos.
O maior data center em estrutura física do Brasil está localizado em Vinhedo, no estado de São Paulo. Com uma área total de 46 mil m² e capacidade instalada de 61 MW, a instalação integra o complexo da Ascenty, considerado um dos maiores polos de data centers da América Latina. Sua infraestrutura foi projetada para atender à crescente demanda por serviços digitais, oferecendo alta disponibilidade, segurança e escalabilidade para empresas nacionais e internacionais.
O tema dos data centers, com enfoque em seus impactos econômicos, ambientais e sociais, foi aboradado no programa Fato e Impacto, da TV Uninter, exibido em 3 de agosto. A edição, apresentado por Kauã de Freitas e Madson Lopes, contou com a participação do professor Guilherme Augusto Pianezzer, especialista no assunto. Uma das maiores qualidades de um data center é a capacidade de processamento e velocidade de transmissão, isso é considerável já que o Brasil está localizado estrategicamente na América Latina.
“Ele está localizado próximo aos maiores mercados consumidores da região. Então, colocar os data centers no Brasil é um diferencial em relação aos países da América Latina”, pontua Pianezzer. Outros fatores são a expansão econômica do país, com mão de obra barata e disponibilidade de matrizes energéticas, combustível fóssil e energia renovável.
Porém, só instalar os data centers no país não significa desenvolvimento. Existem questionamentos sobre os benefícios que esses espaços podem ou não trazer do ponto de vista tecnológico. O Brasil só se beneficia dos data centers se investir em pesquisa, pois o impacto econômico não é só a estrutura, e sim a sua função. “O que ele faz em termos de app, de tecnologia, de sites, de servidores”, sintetiza o professor. Para ele, é necessário que o investimento Brasil seja duradouro e traga benefícios econômicos.
Outra discussão trazida pelo especialista são as consequências dos data centers, como por exemplo o consumo de água. Segundo o professor, uma conversa de 30 minutos com uma inteligência artificial consome por volta de 1 litro de água para resfriamento dos computadores em data centers. Essa água não é reutilizável e acaba sendo descartada ou evaporada depois do uso. E isso é uma complicação, tendo em conta que um dos principais data centers estão localizados em Fortaleza, e a região Nordeste ainda passa pelo problema da escassez de água. Outra consequência é a poluição sonora.
O apresentador Madson Lopes lembrou do impacto socioambiental nas comunidades que vivem no entorno dos data centers, que recebem uma estrutura desse tamanho sem um planejamento desses impactos. Esse conjunto de problemas afeta as regiões, com o tráfego e a instalação dessas megainstalações ocasionando a expulsão da população dessa região, fenômeno conhecido como gentrificação. Assista a entrevista completa no YouTube.
Autor: Rayssa da Cruz Freixo - Estagiária de JornalismoEdição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Pixabay
