E-commerce em 2026 e a virada da compra guiada por Inteligência Artificial

Autor: *Luciano Furtado C. Francisco

O avanço da inteligência artificial está mexendo com um hábito básico do consumo digital. A busca virou conversa, e isso muda o jeito como marcas e produtos aparecem para o consumidor.

Em vez de digitar “tênis branco” e abrir uma lista de resultados, muita gente já descreve a situação e pede orientação. “Quero um tênis confortável para caminhar todo dia, que não esquente” é o tipo de pedido que um assistente entende e devolve em recomendações. Não é mais curiosidade. A Adobe registrou que o tráfego para sites de varejo dos EUA vindo de fontes de IA generativa cresceu 4.700% em julho de 2025, na comparação anual. No mesmo estudo, com mais de 5.000 consumidores, 38% disseram já ter usado IA generativa para compras online, e 52% afirmaram que pretendiam usar naquele ano.

O ponto não é anunciar um “canal novo”. É reconhecer uma troca de lógica. Quando a descoberta passa por interfaces conversacionais, a IA reorganiza a vitrine. Compara alternativas, resume avaliações, cruza preço com prazo e encurta o caminho até a decisão. Para o e-commerce, isso reduz fricção, mas cobra organização. Catálogo confuso, imagens pobres e páginas que não respondem dúvidas básicas viram um convite para a recomendação pular a loja e levar o cliente para quem explica melhor.

A mídia de varejo entra na mesma engrenagem. Em tradução simples, são anúncios e destaques dentro de sites e apps de varejistas e marketplaces. A Emarketer projeta que os anunciantes vão gastar US$ 69,33 bilhões com mídia de varejo nos EUA em 2026, acima dos US$ 58,79 bilhões em 2025.

Isso empurra a discussão para além de segmentação. Sortimento que gira, margem, disponibilidade e capacidade de entregar bem voltam a fazer parte da estratégia de mídia, porque é isso que sustenta o investimento.

E as redes sociais, que muita gente rebaixou a “barulho”, estão virando vitrine de conversão. A Emarketer estima que o social commerce nos EUA chegue a US$ 87,02 bilhões em 2025, alta de 21,5% em relação ao ano anterior, e cresça mais 18% em 2026, passando de US$ 100 bilhões.

O conteúdo deixou de ser só vitrine e passou a ser ponto de venda. A pessoa rola a tela, vê alguém testando um produto, comparando com outro, mostrando defeitos e acertos, e ali mesmo decide comprar. O criador vira aquele amigo que indica e faz a triagem do que vale o dinheiro, antes de você chegar a uma página de produto.

Só que personalização em escala cobra pedágio. Com mais privacidade e menos dependência de dados de terceiros, ganha valor o que a marca constrói dentro de casa, com permissão clara. Dados próprios bem cuidados, pós-venda consistente, avaliações confiáveis e conteúdo útil não servem só para convencer o humano. Servem para alimentar os sinais de que essas interfaces leem como “qualidade”, “confiança” e “adequação”. No fim, quem vende não é só quem aparece. É quem faz sentido quando a IA tenta explicar uma recomendação.

Tudo isso aponta para 2026 como um ano em que o consumidor não vai só comparar preço. Ele vai terceirizar uma parte crescente da decisão para interfaces que parecem neutras, mas são treinadas por sinais. A pergunta para as empresas fica direta, e um pouco incômoda. O que o meu produto parece ser quando é a IA que está lendo a minha loja?

*Luciano Furtado C. Francisco é analista de sistemas, administrador e especialista em plataformas de e-commerce. É professor do Centro Universitário Internacional – Uninter, onde é tutor no curso de Gestão do E-Commerce e Sistemas Logísticos e no curso de Logística.

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Autor: *Luciano Furtado C. Francisco
Créditos do Fotógrafo: Rodrigo Leal/Banco Uninter e Negative Space/Pexels


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