A organização das finanças é simples: conheça 5 passos para começar neste início de ano

Autor: *Olívia Resende

Em meio a juros elevados e ao aumento do endividamento das famílias brasileiras, organizar as finanças voltou ao centro das conversas.  Cerca de oito em cada dez famílias conviviam com algum tipo de dívida, conforme dados do terceiro trimestre de 2025 da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC).

Grande parte do descontrole financeiro não nasce da falta de renda, mas da sensação constante de confusão. O dinheiro entra, sai, e quando percebemos já não sabemos para onde foi. Pesquisas de Daniel Kahneman, prêmio Nobel de Economia, mostram que, sob estresse e sobrecarga mental, tomamos decisões piores, inclusive financeiras.

Organizar suas finanças trata-se de um processo simples, feito de pequenos passos consistentes.

  1. Se conhecer. Antes de conhecer as planilhas ou começar os cortes, é necessário entender o próprio comportamento. Cada um de nós tem gatilhos mentais que influenciam nosso processo decisório, e que nos levam a gastar mais: estresse, recompensas emocionais, promoções ou a facilidade do crédito, são exemplos. Na medida em que, esses padrões comportamentais ficam mais claros, o gasto deixa de ser um problema e passa a ser uma escolha mais consciente.
  2. Exercício de observação, não de correção. Durante alguns dias, cerca de 7 dias, registre seus gastos sem a intenção de mudar nada. O objetivo aqui é identificar padrões e nomeá-los, não economizar. Quando você gastou mais? Em que situações? No fim do dia, sob cansaço? Ou influenciado pelo ambiente, como em uma roda de amigos? Por afeto?
    O mapeamento vai lhe mostrar os seus gatilhos de consumo e ajudar nos próximos passos.
  3. Receitas e despesas. Identificar as fontes de renda e classificar as despesas entre fixas e variáveis, distinguindo aquilo que é estrutural daquilo que pode ser ajustado, no curto prazo. Ao tornar visível essa dinâmica, fica mais fácil avaliar onde existem excessos, quais gastos são prioritários e quais podem ser reduzidos ou reorganizados sem comprometer o bem-estar. Nesse estágio, o conhecimento sobre os próprios gatilhos de consumo — já identificados — passa a ter aplicação prática. Ele ajuda a compreender por que determinados gastos se repetem e como pequenas mudanças de alocação das receitas podem gerar maior equilíbrio financeiro.
  4. Objetivos pequenos e concretos. Em vez de prometer organizar toda a vida financeira, é mais eficiente decidir pagar uma dívida específica, usar menos o cartão, criar uma pequena sobra no mês ou guardar um valor simples, mesmo que pequeno. Essas metas são mais fáceis de visualizar e de cumprir. Quando o objetivo é claro e próximo, a sensação de progresso aparece mais rápido. Isso motiva a continuar.
  5. Acompanhamento e ajuste. Organização financeira não acontece em um único momento, nem se resolve com uma decisão isolada. Ela é um processo contínuo, que se constrói ao longo do tempo e se ajusta conforme a vida muda. Revisar as metas mensalmente permite avaliar se elas ainda fazem sentido, ajustar valores e reconhecer avanços, o que fortalece a motivação. Essas revisões não servem para cobrar perfeição, mas para corrigir rotas com antecedência.

No fim, organizar as finanças não é sobre planilhas perfeitas ou força de vontade infinita. É sobre criar sistemas simples que funcionem mesmo em meses difíceis.

*Olívia Resende é especialista em Educação Financeira, Economista, mestre e doutora em Administração, além de professora na Uninter.

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Autor: *Olívia Resende
Créditos do Fotógrafo: Rodrigo Leal/Banco Uninter e cottonbro studio/Pexels


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