Contaminantes emergentes: o que os olhos não veem e o corpo pode sentir

Autor: Augusto Lima da Silveira*

Vivemos um momento bastante desafiador para as questões ambientais. Atualmente extraímos matérias-primas, processamos, consumimos e descartamos em velocidade cada vez maior, de maneira que a poluição já faz parte do nosso dia a dia. A maior parte dessa poluição chega aos nossos rios e reservatórios, comprometendo a disponibilidade desses recursos essenciais à nossa sobrevivência.

Recursos hídricos repletos de lixo costumam fazer parte do cenário de grandes centros urbanos. Essa situação é tão comum que basta uma pesquisa rápida na internet pela expressão “rio poluído”, que imediatamente interpretamos um rio poluído como sinônimo de plásticos, utensílios domésticos, roupas e inúmeros outros itens que são descartados e ficam flutuando de acordo com a correnteza das águas. Entretanto, há uma poluição que não conseguimos enxergar, de modo que até mesmo ambientes aparentemente limpos podem esconder grandes perigos à nossa saúde.

É nesse contexto que as discussões sobre os contaminantes emergentes ganharam força nos últimos anos. Esses contaminantes são um grande grupo de compostos químicos sintéticos e que foram recentemente descritos, graças ao aperfeiçoamento em técnicas de análise. Ainda não há uma regulamentação para essas substâncias. Entretanto, diversos estudos apontam efeitos em organismos quando há uma exposição prolongada a elas, mesmo que estejam em concentrações reduzidas.

São enquadrados como contaminantes emergentes, em ambientes aquáticos, os fármacos, os agrotóxicos, as drogas ilícitas, produtos de higiene, os microplásticos, as cianotoxinas, dentre diversas outras substâncias que chegam ao ambiente aquático através do esgoto ou da poluição no entorno dos recursos hídricos. A característica comum entre esse grupo de compostos é que eles se encontram em baixíssimas concentrações no ambiente e não são completamente removidos pelos sistemas convencionais de tratamento.

Os efeitos em nosso organismo ainda são uma incógnita. No entanto, é crescente o número de estudos que relacionam a exposição a essas substâncias com problemas como alergias, intolerâncias alimentares, alterações no nosso sistema endócrino (responsável pela produção de diversos hormônios) e, até mesmo, o desenvolvimento de câncer.

Apesar de invisíveis a nossos olhos, os contaminantes emergentes estão presentes nos ambientes e na água que ingerimos diariamente. O desenvolvimento de métodos de tratamento da água mais efetivos é fundamental para minimizar os riscos associados a essas substâncias. Para que isso seja possível, é necessário aperfeiçoar e universalizar o acesso ao saneamento ambiental implementando sistemas de tratamento de esgoto mais efetivos.

Outra questão importante é a educação ambiental, pois grande parte dos contaminantes emergentes que chegam ao ambiente aquático são o resultado de descarte incorreto de medicamentos, uso abusivo de agrotóxicos e a falta de ligação das residências com a rede coletora de esgoto.

* Augusto Lima da Silveira é coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Saneamento Ambiental da Uninter.

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Autor: Augusto Lima da Silveira*
Créditos do Fotógrafo: Zardeto/Wikimedia Commons


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