Branquitude, racismo estrutural e o mito da democracia racial: academia entra no debate

Autor: Igor Ceccatto - Estagiário de Jornalismo

A área acadêmica de Relações Internacionais está conectada com diferentes campos de pesquisa, como o direito, o comércio exterior e a ciência política. Por sua abrangência, também é um campo importante de discussão de questões sociais, como os preconceitos em relação a raça e gênero.

A questão da representatividade da mulher negra foi discutida na live As potencialidades de mulheres negras na produção acadêmica de Relações Internacionais, transmitida na página de Relações Internacionais (RI) da Uninter, que contou com a presença de Natali Hoff, professora da Uninter, e da convidada especial Ananda Vilela, mestre em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e estudiosa do tema.

Em sua fala, Ananda explicou alguns conceitos que pautam essa discussão. O primeiro deles foi o de branquitude (classificação que inferioriza os não-brancos na hierarquia social), que atua como uma estrutura de poder e base para o sistema político brasileiro. Em seguida, o racismo estrutural, que é entendido como a exclusão de homens e mulheres negras e indígenas na academia, percebido em regiões ocidentais e muito marcante no Brasil.

A pesquisadora falou também sobre a colonialidade, termo que se refere à colonização de corpos e mentes, em que povos colonizados adotam valores culturais dos povos colonizadores. E, por fim, o sexismo, que nada mais é do que a segregação a partir do sexo, de forma que uma mulher é tratada como um ser com menor capacidade intelectual para produzir conhecimento.

Para complementar o bate-papo, Natali pediu que Ananda explicasse sobre o mito da democracia racial e como ele está vinculado à produção de conhecimento como um todo, inclusive nas discussões dentro da área de RI.

Ananda explicou que esse mito surge no Brasil na década de 1950. Nesta época, ocorria o Apartheid na África do Sul, movimento que promovia a segregação racial, limitando vários direitos civis da população negra. Nos Estados Unidos, a divisão entre negros e brancos era também juridicamente legal. “Nesse momento, o Brasil era tido como um modelo de democracia racial, e se dizia que no país não existia racismo e que todos eram iguais, o que na prática não acontecia”, explica Ananda.

Concluindo a apresentação, a pesquisadora afirma que outro ponto importante na internacionalização desse mito racial foi a postura da ditadura militar, que governou o país nas décadas de 1960 e 1970. O governo da época vendeu a ideia de que o Brasil era uma democracia racial como forma de mascarar a repressão.

Confira o conteúdo da live na íntegra clicando aqui.

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Autor: Igor Ceccatto - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro


1 thought on “Branquitude, racismo estrutural e o mito da democracia racial: academia entra no debate

  1. Acredito que temos que aprender ir além de tolerância ao diferente , mas acima de tudo respeitar o outro. Somos totalmente diferentes e individuais mas nossas diferenças não podem nos deixar calados ou omissos ante o racismo estrutural, preconceitos e discriminação seja qual for. Somos indivíduos mas vivemos o coletivo e totalmente conectados.

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