Até no ar: microplásticos realmente causam infertilidade?
Autor: Assessoria
Shredded plastic garbage at waste recycling factory
Mesmo sem perceber, você provavelmente já entrou em contato com microplásticos hoje. Seja tomando um café em copo descartável, comendo alimentos esquentados em pote de plástico ou até respirando normalmente, eles já estão no seu organismo. Estes fragmentos plásticos têm menos de 5 mm e, além do meio ambiente, eles prejudicam a saúde dos humanos.
Em The Plastic Detox, documentário da Netflix, seis casais com infertilidade reduzem o uso de plásticos por três meses, na tentativa de ter filhos. Acompanhados pela epidemiologista Shanna Swan, três casais conseguem engravidar, depois do experimento.
Apesar do resultado positivo, a especialista aponta que o estudo ainda tem algumas lacunas. Será que os microplásticos realmente causam infertilidade? Especialistas de diferentes áreas explicam o que já se sabe sobre os impactos dessas partículas na saúde humana. Antes, é preciso entender como o plástico chega ao nosso corpo, e tudo começa no meio ambiente.
O Brasil despeja cerca de 1,3 milhão de toneladas de plástico no mar anualmente, segundo estudo da Oceana. Anderson Benedetti, biólogo e professor da Uninter, explica que “no mar, as correntes marítimas e os giros oceânicos redistribuem essas partículas globalmente, atingindo até as fossas abissais”, contaminando a água e a cadeia alimentar.
Além disso, devido à baixa densidade, microfibras sintéticas de roupas e pneus são suspensas pelo vento, ficam dispersas no ar das grandes cidades e são facilmente inaladas na respiração dos humanos. Dessa forma, existem partículas plásticas em quase tudo o que comemos, usamos, bebemos e inalamos.
Uma vez dentro do nosso corpo, as partículas se alojam em diferentes órgãos, como: pulmões, sangue e cérebro. Uma pesquisa da Universidade de Nanjing, na China, encontrou microplásticos em amostras de sêmen humano e notou que a presença deles estava associada à menor motilidade e qualidade dos espermatozoides.
Para Cássia Bertocco, nutricionista e professora da Uninter, ainda não é possível afirmar de forma definitiva que os microplásticos sejam uma causa direta de infertilidade. “Por outro lado, uma alimentação rica em ultraprocessados tende a aumentar a exposição a embalagens e substâncias químicas, além de geralmente apresentar menor densidade nutricional”, afirma. Por isso, evitar exposições e manter hábitos saudáveis são estratégias prudentes e protetoras para a saúde como um todo.
O químico e professor da Uninter Marco Aurélio resume bem: “A lógica prática é reduzir três situações: plástico em contato com calor, sofrendo atrito e descartáveis de uso único”. Na cozinha, o melhor é evitar aquecer comida em plástico e trocar estes utensílios por vidro, inox ou cerâmica.
Filtros domésticos de carvão ativado de alta densidade e purificadores por osmose reversa são as opções mais seguras para o consumo de água potável. Quanto às roupas, vale trocar tecidos de nylon e poliéster por algodão, linho, lã ou viscose de boa qualidade, especialmente em peças que são lavadas com frequência.
Portanto, reduzir o uso de plásticos se tornou uma precaução. A nutricionista Cássia reforça: “Não é necessário se desesperar ou buscar uma rotina “zero plástico”, algo muitas vezes inviável na vida moderna, mas sim fazer escolhas mais conscientes e reduzir exposições evitáveis no cotidiano”.
Créditos do Fotógrafo: Freepik
