Da sala de aula ao Ministério do Planejamento, Marcos apostou na educação para trilhar seu caminho
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicação
Quando o assunto é mudar a rota, Marcos Bruce nunca teve problema. O egresso de Tecnologia em Gestão Pública da Uninter foi um menino apaixonado pela Marinha do Brasil e sonhava em estar entre os que protegem o território nacional quando criança. Mas viu seu rumo mudar na vida adulta, passando por diferentes ramos, estados e profissões até chegar ao Ministério do Planejamento, no início de 2026.
No momento em que recebeu a convocação para assumir um cargo federal, em Brasília, Marcos Bruce quase perdeu a oportunidade da vida. O e-mail havia caído na caixa de spam. “Achei que era golpe”, conta.
“Olhei ali e pensei ‘para com essa conversa fiada’, e excluí. Quando foi dia 3 ou 4 de dezembro me mandaram a nomeação. Fui lá no diário oficial e estava lá mesmo. Só pensava ‘cara, não acredito que eu quase perdi o negócio”, conta, agora rindo da situação.
A mensagem era real: aos 55 anos, após tentativas, interrupções e recomeços, havia sido aprovado no Concurso Nacional Unificado e convocado para trabalhar no Ministério do Planejamento. Todavia, a aprovação começou antes, quando Marcos decidiu voltar à Universidade.
A história de Marcos não segue uma linha reta. Nascido no Rio de Janeiro, sonhava em ser oficial da marinha ainda na juventude. Chegou a estudar no Colégio Naval, em Angra dos Reis. “Fiz o concurso lá na época, passei a estudar no Colégio Naval [em Angra dos Reis]. Ou seja, eu era um servidor federal lá atrás”, recorda da época com carinho.
Aos 18 anos, entrou no mercado da tecnologia da informação, área que construiria boa parte de sua vida profissional. Esse também foi o período em que as primeiras tentativas de graduação começaram. Economia foi o primeiro curso escolhido, porém trancou a faculdade no último ano por conta de uma transferência de trabalho que o levou a São Paulo. Ao tentar retornar, descobriu que a grade curricular havia mudado “No final das contas eu teria que fazer mais três anos. Aí acabou ficando para trás”.
Mais tarde, viu na graduação em Marketing uma oportunidade de retornar à vida acadêmica, alinhando com sua carreira profissional, na área comercial de tecnologia da informação. Mas, outra vez a graduação ficou pelo caminho. Ao todo, foram seis tentativas não finalizadas, mas o sonho permanecia.
Enquanto isso, trabalhou com gestão empresarial, com implementação de sistemas corporativos, gerenciamento de processos de negócios, e cadeia de suprimentos, pensando em soluções para empresas de TI focado em indústrias.
Recomeços
Mais tarde, decidiu empreender. Abriu negócios, investiu em diferentes áreas e viu tudo desmoronar. Mas nada que parasse um homem que via oportunidade em tudo.
Foi no Paraná onde recomeçou novamente, teve clínica veterinária, loja agropecuária e até uma franquia de colchões. “Por um tempo foi bom, depois eu dei com os burros na água. Então, perdi tudo, foi um banzé na minha vida”, recorda.
Cansado da instabilidade, decidiu mudar de direção. Prestou concurso para a Prefeitura de Apucarana e passou em primeiro lugar. O plano era passar um ano em seu cargo como assistente administrativo.
Foi ali no serviço público municipal que Marcos descobriu algo que considera decisivo até hoje, que é o valor da estabilidade. Porém, depois de quase oito anos atuando na prefeitura, percebeu que ali havia um limite. O crescimento profissional parecia travado na prefeitura e a renda já não acompanhava os planos para o futuro. Decidiu ali que precisava dar outro passo, sair da esfera municipal para a federal. “Não vou mais sair do serviço público, apesar de ter propostas para voltar para a área de TI.”
A educação como chave de transformação
Aos 52 anos, encontrou a graduação em Gestão Pública da Uninter e decidiu voltar aos estudos mais uma vez. A estratégia agora estava formada: ao invés do bacharelado, escolheu um tecnólogo, que o habilitasse rapidamente para concursos de nível superior.
Para isso, Marcos criou um método inegociável de disciplina. Assistia às aulas sem deixar o conteúdo. “Se eu não tivesse estudado as aulas, as rotas, os materiais complementares – e eu estudava todos eles – os livros, as Apols […] Quando chegava no dia da prova, eu gastava mais ou menos umas quatro horas antes de fazer as provas. […] Fazia uma leitura criteriosa de todas elas, emendava as com todas as tentativas das Apols, aí abria para fazer a prova”, relembra a rotina.
Os conteúdos estudados foram fundamentais para a aprovação. Além do curso de Tecnologia em Gestão Pública, Marcos também fez Pós-Graduação em Políticas Públicas e Gestão Governamental. E isso resultou em uma preparação consistente para a prova. “Uns 40% da prova que eu fiz, são conteúdos da Uninter. Conteúdos que eu estudei. Estudei, na Gestão Pública e na Pós-Graduação. As apols foram reforços, porém os conteúdos via aula, via rota, os livros e os exercícios foram o que construiu. Os conteúdos foram fundamentais”.
A gratidão à Uninter aparece de forma natural. “Eu não estaria aqui se eu não tivesse tido e me dado a oportunidade de estudar esses anos com a Uninter. Eu tenho certeza absoluta. Então eu tenho gratidão”.
Mesmo assumindo um cargo federal, o egresso não pensa em desacelerar quando a questão é educação. Recentemente, concluiu seu curso de Formação Pedagógica em História, também na Uninter. O servidor havia iniciado a graduação com planos de dar aulas. “Devidamente diplomado”.
E para quem pensa sobre o próprio caminho, Marcos aconselha a traçar um objetivo e seguir com foco. “Não tem nada que não seja possível. Por mais que a gente não acredite. O cara tem 60 anos e fala ‘eu quero ser médico’, então vá ser médico. Mesmo que você não passe no vestibular, mas vai, porque o caminho dessa história que faz a gente crescer. O resultado é consequência. Às vezes dá certo e às vezes não, aí a gente vê depois que deu certo por um outro lado. Nunca é tempo perdido”, aconselha.
A vida em Brasília
A mudança transformou sua rotina, apesar da distância de sua esposa, que ficou no Paraná devido ao trabalho, o egresso vem se adaptando. Passou a circular diariamente por espaços que antes pareciam algo distante. “Ah, vamos almoçar ali na Presidência da República’, como se fosse uma coisa trivial. ‘Ah, amanhã vamos na Câmara dos deputados”, conta. “Tudo é muito novo, mas a gente vai acostumando”, afirma.
“Aqui no Ministério fui agraciado com uma Gratificação por Função na Coordenação de Governança e Gestão Estratégica e estou cursando MBA em Gestão de Processos Organizacionais. Dessa vez não fiz na Uninter, pois foi uma indicação da organização”.
Ao olhar para traz, repensa os erros, mas afirma que desde que investiu na educação, não mudaria nada de seu percurso. “De 2021 para cá, eu não teria feito nada de diferente”, afirma.
Agora, aos 56 anos, o egresso visa continuar. Marcos quer ir em busca do mestrado e deixa o recado: “Eu não vou parar”.
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicaçãoEdição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Arquivo Pessoal





