Maior acidente radiológico do Brasil ainda faz escola
Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de Jornalismo
Há quase 40 anos, uma cidade inteira se viu diante de uma das maiores catástrofes radiológicas já registradas. Causado por uma pequena quantidade do isótopo radioativo Césio-137, o acidente deixou mais de 100 mil pessoas expostas à radiação e ocasionou marcas visíveis nos sobreviventes. O acidente em Goiânia se tornou exemplo internacional para que as medidas de radioproteção se tornassem mais eficazes. O assunto com o ganhou notoriedade novamente graças a série Emergência Radioativa da plataforma de streaming Netlix.
O tema foi debatido durante o 2° Congresso de Radiologia, realizado pela Escola Superior de Saúde Única da Uninter, no dia 20 de junho de 2026 no Campus Divina Providência.
Com o tema “Além de Goiânia: Lições do Césio-137 para a Radiologia moderna”, o evento contou figuras importantes na área como o físico Walter Mendes Ferreira, responsável pelas primeiras ações de emergências em Goiânia, além do diretor de Gestão Institucional da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Pedro Maffia, e do representante do Conselho Regional de técnicos em radiologia do Paraná, Charles Divina. O congresso também contou com as palestras da professora e profissional de radioterapia Josiane Derenevick, do físico-médico Ivan Pagotto e da professora Paola Da Costa Rosa.
O evento proporcionou aos participantes um panorama completo de como eram os procedimentos e a proteção radiológica no passado, e como ela é hoje. A exposição do tema na mídia também contribui para que isso seja debatido em diferentes esferas.
“O lançamento da minissérie trouxe à tona assuntos associados à acidentes radiológicos, em especial na radioterapia. Assim como radiofobia presente na população e a percepção de que radiação o principal fenômeno físico utilizado na radiologia é um perigo inerente, sendo que não é”, comenta a professora Paola.
O evento contou com cerca de 1.125 participantes que acompanharam a transmissão ao vivo no canal da ESSU, além de estudantes de outros estados, como a aluna de radiologia Vitória Cristina de Porto Alegre. “É muito importante, porque todo conhecimento que se pode adquirir por meio de congressos e palestras, é fundamental”, avalia a estudante.
Mais do que trazer atualizações sobre as modernas do curso de Radiologia e os impactos que o acidente com o Césio-137 gerou na profissão, o congresso também visou trazer aos alunos técnicas e entendimento para que eles se tornem excelentes profissionais.
“O profissional de radiologia precisa estar capacitado para entender o que aconteceu no acidente de Goiânia e no modo como as pessoas enxergam esse tópico para poder atender os pacientes e desmistificar essa questão”, destacou Paola.
O físico Walter Mendes compartilhou a sua experiencia nas ações emergências em Goiânia e destacou a importância do congresso para os futuros profissionais da área.
“É oportunidade única, de mostrarmos que a radiação é como outra tecnologia nuclear e como outras áreas que mais interessa é segurança. E como qualquer outra tecnologia, a radiologia tem muito mais benefício do que risco”, concluiu o físico.
Autor: Ketlyn Laurindo da Silva - Estagiária de JornalismoEdição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Ketlyn Laurindo da Silva









