“Nosso princípio fundamental é a sustentabilidade”
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicação
A união entre vivência acadêmica e o espaço para a prática é fundamental para o conhecimento. É com esse objetivo que a Uninter se une ao Meliponário Doce Paraíso para proporcionar aos seus estudantes uma experiência que integra ensino, preservação ambiental e desenvolvimento profissional por meio de estágios obrigatórios.
Localizado em Colombo, na região metropolitana de Curitiba (PR), o espaço é dedicado à criação de abelhas nativas sem ferrão. O local é referência no estado no segmento e abriga 16 das 35 espécies registadas no Paraná, além de desenvolver atividades voltadas à educação ambiental, pesquisa científica, à produção de mel e derivados, e à polinização de cultivos agrícolas – atividade essencial para a produção de vegetais e para biodiversidade.
A idealizadora do meliponário, Clotilde Zai, explica que o trabalho vai muito além da criação de abelhas. Atualmente, é comandado por Clotilde, ao lado de seu esposo e sócio Claudinei da Silveira e mais quatro colaboradores fixos. No local, existe um banco genético de espécies de abelhas, destinado a preservar espécies ameaçadas de extinção, a exemplo da Guaraipo e da Uruçu-amarela e está “vinculando a projetos de pesquisa na Universidade Federal do Paraná (UFPR), servindo de laboratório para coleta de material para pesquisas de TCC, mestrado e doutorado”, complementa.
A atividade desempenha um papel importante para o meio ambiente, uma vez que as abelhas são fundamentais para a preservação ambiental e biodiversidade. O inseto é responsável por cerca de 75% da polinização agrícola direcionada à alimentação humana, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. O Brasil é o país com a maior diversidade de abelhas nativas no mundo, chegando a uma variação de duas mil espécies catalogadas. “Nosso princípio fundamental é a sustentabilidade”, diz Clotilde.
A Geociências aparece em cada etapa do processo realizado dentro do local. “Todo trabalho do meliponário abrange as áreas da geociências desde manejo das abelhas até o trabalho de educação ambiental com abelhas nativas sem ferrão para todas as idades”.
Os resultados atravessam a propriedade na qual o meliponário está localizada, resultando em impactos positivos para toda a sociedade. Atualmente, são mais de 150 meliponários instalados em escolas, totalizando mais de 30 mil famílias impactadas. Além disso, 21 unidades de Conservação que levam 900 mil visitantes por ano. Também é possível capacitação, através de livro gratuito, palestrantes e conteúdos educativos nas redes sociais, como afirma a idealizadora.
A conscientização da importância das abelhas está na programação. “Temos uma fonte onde o visitante pode encher sua garrafa enquanto explicamos a importância das abelhas para a manutenção da água e porque não oferecemos copos descartáveis. As práticas desenvolvidas nos levaram em 2024 a receber o selo da ODS em 17 categorias”, relembra.
As possibilidades são diversas. “Oferecemos cursos de manejo das abelhas, formação de professores e visitas técnicas guiadas. No ateliê, produção de 15 meliprodutos com insumos da colmeia como cremes hidratantes, sabonetes, bálsamos labiais, extrato de geoprópolis, spray bucal, cera para cutículas, velas, etc”, diz Clotilde.
Colocando a teoria em prática
O caminho de Clotilde se cruzou com o da Uninter em algumas oportunidades. Durante o doutorado, foi colega de classe da professora Renata Garbossa, que hoje atua como coordenadora da Área de Geociências da Escola Superior de Educação na instituição.
A idealizadora foi orientadora de trabalho de conclusão de curso e também de estágio obrigatório. Além disso, Claudinei também já ministrou palestras na instituição. Desde que foram contatados pela Uninter, Clotilde já sabia que a união seria de sucesso. “Quando fomos procurados pelos alunos para fornecer estágio obrigatório, já tínhamos esse primeiro contato e aceitamos os alunos. Tanto para nós foi muito bom receber os alunos no meliponário pois foram ótimos estagiários quanto pra eles que puderam aprender com nossos ensinamentos e rotina prática de meliponicultura”.
Posteriormente, estudantes foram incorporados à equipe. “Os estudantes passaram por todos os setores dentro do meliponário, inclusive indo a campo instalar e inaugurar meliponários em escolas, parques e praças. Atuaram em visitas guiadas a professores, cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e escolas. Participaram da produção dos meliprodutos e entenderam toda cadeia produtiva dos produtos feitos com insumos das colmeias”.
A experiência vivida durante o período no meliponário coloca em prática diversos conhecimentos, reforçando a importância das parcerias para a formação do profissional, como ressalta a professora na área de Geociências da Uninter, Carolina Schulze. “Mais do que aplicar conteúdos, os alunos desenvolvem habilidades de observação, análise crítica, trabalho em equipe e responsabilidade socioambiental, que são essenciais para a formação de profissionais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos”.
A professora, inclusive, vê nessa experiência um significado especial para a Geociências. “Ao acompanhar e participar das atividades desenvolvidas no espaço, os alunos compreendem na prática a importância das abelhas sem ferrão para os ecossistemas, a conservação ambiental e a manutenção dos serviços ecossistêmicos. Além disso, o meliponário se torna um ambiente de educação ambiental, pesquisa e extensão, fortalecendo uma formação interdisciplinar e conectada às demandas da sociedade”, reforça Carolina.
E Clotilde concorda. “Certamente, os alunos que passam pelo meliponário saem preparados para atuação no mercado”, conclui.
Autor: Renata Cristina - Assistente de comunicaçãoEdição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Arquivo Pessoal




