Aluno nota 10, jovem autista dá lição de inclusão e se forma em jornalismo

Autor: Renan Vasconcelos - Estagiário de Jornalismo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que atinge cerca de 2 milhões de brasileiros. Pessoas que se encontram no espectro apresentam dificuldades na comunicação, no comportamento e na socialização, o que limita o seu convívio social. Elas são divididas em três níveis: baixa, média e a alta funcionalidade. Cada um destes níveis apresenta um conjunto específico de sintomas, sendo que a alta funcionalidade é o grau mais brando, enquanto que a baixa funcionalidade é o mais grave e exige acompanhamento integral por toda a vida.

Mesmo com tantas pessoas inseridas nesta condição, e com a crescente conscientização da sociedade quanto ao tema, de acordo com o Censo da Educação Superior do INEP, de 2018, há menos de mil pessoas diagnosticadas com TEA estudando em faculdades públicas e privadas, o que corresponde a apenas 0,025% de toda a população com autismo no Brasil.

O aluno da Uninter Raul Cruz Ferreira, mais conhecido como Tuba (abreviação de tubarão, peixe pelo qual ele é apaixonado), é um desses poucos estudantes do ensino superior que estão no espectro. Graças ao auxílio do Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais (Sianee) da instituição, ele conseguiu concluir seu curso de Jornalismo, no qual foi aluno destaque.

Tuba recebeu o seu diploma no dia 28.set.2019, em evento realizado na Ópera do Arame, em Curitiba (PR). Sobre o sentimento quanto a colação de grau, ele diz: “Tive uma sensação de dever cumprido. Minha obrigação.”

Tuba possui autismo de alta funcionalidade, e seu amor pelo jornalismo, especialmente pelo esportivo, fez com que superasse as barreiras que sua condição impõe.  Nesta caminhada, contou com o apoio dos colegas de turma e dos professores. Para retribuir o carinho recebido, Tuba costuma abraçar as pessoas de quem gosta. “Tive várias professoras que se tornaram minhas amigas para toda a vida. Nossa relação foi e vai muito além da sala de aulas”, comenta o novo jornalista.

Dono de ótima oratória e excelente domínio de linguagem, ele é páreo duro quando decide debater sobre algum tema que estudou a fundo. A professora Leomar Marchesini, coordenadora do Sianee, comenta que debater com ele é um duelo extremamente difícil. “Implacável em sua argumentação, acaba vencendo. É um rapaz educado, culto e bem informado, características não comuns nos jovens de nossos tempos”.

“A sua conclusão de curso evidencia a possibilidade de pessoas com autismo realizarem cursos no nível superior de educação, desde que haja um apoio na instituição, para orientação de professores e colegas sobre as diversidades comportamentais do aluno, que devem ser respeitadas”, Leomar destaca sobre o sucesso de Tuba.

O coordenador do curso de Jornalismo, Guilherme Carvalho, complementa: “Ele contribuiu muito para o aprendizado de todos. Foram lições de inclusão, de respeito ao próximo, de compreensão das condições de cada ser humano, de solidariedade, entre outros aspectos que todos carregaremos para a vida toda. Sobretudo, ele nos fez ter a certeza de que a instituição tem condições de formar jornalistas para o mercado de trabalho, sejam quais forem as condições de cada um”.

 

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Autor: Renan Vasconcelos - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Reprodução Facebook Tuba do Sul


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