O combate à obesidade exige mais do que academias públicas

Autor: *Tatiane Calve

A obesidade é uma das doenças que mais cresce no Brasil, atingindo mais de 34% da população, sendo que 4,63% são de obesos mórbidos (IMC grau III), segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCM) e o Ministério da Saúde (MS). Estes números alertam para a tendência de inúmeras comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, problemas cardiovasculares, sobrecarga articular, entre outros.

O controle da obesidade envolve mudanças de estilo de vida, com acompanhamento multiprofissional, como médico, nutricionista, profissional de educação física e psicólogo.

O Sistema Único de Saúde (SUS) vem investindo no atendimento a essa população para reduzir o número de obesos e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Uma das estratégias é o incentivo à utilização das academias públicas, que foram implementadas a parques e praças, durante o Programa Academia da Saúde (PAS), pelo MS em 2011 o qual está sendo retomado em 2026, com o investimento do Governo Federal, de mais de R$ 340 milhões, no Viva Mais Brasil, programa que visa incentivar a prática regular de atividade física e alimentação saudável, para prevenção de doenças e promoção da saúde da população brasileira.

O investimento em academias públicas tem impactado de maneira positiva na prática regular de atividade física, na redução do uso de alguns medicamentos e diminuição da mortalidade por Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), principalmente de adultos e idosos.

No entanto, é preciso reconhecer que a prática de atividade física nas academias públicas, sozinha, dificilmente irá alterar o cenário da obesidade no país; isso, pois o problema é multifatorial e envolve padrões alimentares, ambiente urbano, educação em saúde e condições socioeconômicas. Além disso, é necessário atentar-se ao fato de que essas academias, em sua grande maioria, não possuem profissionais de educação física para prescrição dos exercícios e orientação do uso dos equipamentos.

Para minimizar o problema da obesidade no país, se faz necessária a intervenção do estado, com políticas públicas que atuem também no ambiente alimentar, discutindo medidas como tributação de alimentos ricos em açúcar, gorduras e ultraprocessados; além de subsídios para frutas, verduras e outros alimentos in natura, tornando as escolhas saudáveis mais acessíveis para a população.

Além disso, é fundamental investir em educação em saúde e na promoção de hábitos saudáveis desde a infância. Combater a obesidade exige uma abordagem integrada, que envolva atividade física, alimentação adequada, informação e ambientes que favoreçam escolhas mais saudáveis no cotidiano da população.

*Tatiane Calve é mestre em Ciências da Motricidade e doutora em Ciências da Saúde, além de professora da área de Educação Física da Uninter.             

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Autor: *Tatiane Calve


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