Periódicos Uninter avançam na qualificação da CAPES
Autor: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação Acadêmica
Oito revistas e três cadernos científicos da Uninter passaram pela avaliação quadrienal Qualis 2021-2024 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Mais da metade dos periódicos (54,5%) subiu nos estratos, 45,5% estão nas categorias A, considerados os mais qualificados, e nenhum teve queda de avaliação. Todos os periódicos estão ao menos no estrato B3.
O Qualis é a classificação da CAPES que mede a qualidade dos periódicos científicos. Publicar em periódicos melhor classificados aumenta o reconhecimento acadêmico de autores e programas de pós-graduação. Embora a CAPES tenha incorporado métricas complementares, como citações, impacto, internacionalização e indexação recentemente, a classificação segue relevante como referência de qualidade, credibilidade e impacto das publicações.
O destaque ficou com a Revista Humanidades em Perspectivas, que passou do estrato B4 para o A3, agora ao lado da Revista Intersaberes, que completa 20 anos de existência em 2026 e mantém a classificação. Outros dois periódicos subiram no estrato: a Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade e a Revista Uninter de Comunicação, ambas de B3 para B2. E três receberam a primeira avaliação: o Caderno da Escola Superior de Gestão Pública, Política, Jurídica e Segurança, com A4; e a Revista Brasileira de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e o Caderno Progressus, ambos com B3.
“Resultado que reflete o compromisso contínuo com a excelência acadêmica, científica e editorial”, salienta a coordenadora de Pesquisa e Publicações Acadêmicas, Desiré Dominschek. A pesquisadora acredita que a profissionalização reduz falhas operacionais e fortalece a credibilidade do periódico. Dessa forma, os avanços representam “para os autores, maior reconhecimento e valorização acadêmica de suas publicações, especialmente no contexto da pós-graduação” e “para os leitores, a garantia de acesso a produções científicas avaliadas com rigor, relevância e consistência teórico-metodológica”.
A Revista Ius Gentium (A4), o Caderno Humanidades em Perspectivas (A4), a Revista Saúde e Desenvolvimento (B3), e a Revista Organização Sistêmica (B3) mantiveram as classificações.
Editor-chefe da Ius Gentium, o professor Walter Guandalini Junior acredita que a classificação da revista no estrato A4 confirma a importância que o periódico tem no debate jurídico nacional, e é “motivo de muito orgulho” para o curso de Direito e para a Uninter.
“Nos últimos anos corrigimos problemas de periodicidade que afligiram edições anteriores, adotamos padrões de diagramação mais modernos e tornamos mais ágil e eficiente o processo de avaliação e publicação de artigos. Tudo isso contribuiu para que a Revista Ius Gentium se tornasse uma opção preferencial aos melhores pesquisadores do campo jurídico no país, atraindo textos relevantes das mais diversas regiões – inclusive internacionais. Segurança, confiabilidade e qualidade são os principais elementos que definem um bom periódico científico, e a Revista Ius Gentium tem se tornado cada vez mais referência para a área”, salienta.
Para Desiré, a elevação dos estratos dos periódicos está diretamente relacionada à adoção de padrões editoriais, científicos e éticos mais rigorosos, alinhados aos critérios estabelecidos pelas áreas de avaliação da CAPES. “Entre as principais mudanças, destaco a profissionalização da gestão editorial, a adoção de plataformas de gestão editorial, a padronização de fluxos de submissão, avaliação e publicação, bem como a transparência das políticas editoriais”.
Protagonismo feminino
Amanda Cirino Afonso é analista de operações acadêmicas na área de Pesquisa e Publicações acadêmicas e integra a produção editorial dos periódicos, com foco na diagramação das edições. É por meio desse trabalho que garante a unidade visual e a integridade normativa das revistas e cadernos da Uninter, a partir de modelos pré-estabelecidos, que incluem padronização rigorosa de tipografia, paginação e elementos gráficos, assegurando a conformidade com as normas da ABNT e as diretrizes específicas da instituição para garantir legibilidade e rigor acadêmico das publicações.
Como integrante da equipe técnica da Revista Humanidades em Perspectivas, o periódico que mais subiu no estrato do Qualis, Amanda acredita que um dos principais pontos na requalificação é justamente a padronização. Além disso, ressalta o cuidado com a curadoria temática como um avanço para a conquista. De acordo com a diagramadora, a escolha estratégica de temas para cada publicação garante que os artigos selecionados conversem entre si e com a proposta editorial.
Nesse contexto, Amanda percebe um aumento significativo na participação feminina dentro da revista, visto que nas últimas publicações, a maioria dos artigos foram escritos ou tiveram a participação de mulheres. “Esse movimento reflete o crescente protagonismo das mulheres nas pesquisas do campo social, que demonstram cada vez mais disposição em compartilhar seus resultados com a comunidade científica e com a sociedade em geral”, salienta.
Para a profissional, a política de acesso aberto e submissão gratuita dos periódicos da Uninter são fundamentais. Ela ainda cita a presença da professora Cleci Albiero, que atuou como editora-chefe da revista até 2025. E acrescenta que a representatividade de mulheres na liderança da política editorial fortalece a identidade do periódico e garante uma visão mais diversa e humana na construção da ciência.
Dessa forma, “a presença feminina soma para um olhar mais atento à diversidade de temas e à democratização do saber, humanizando o rigor científico. Devemos promover o reconhecimento de quem atua nos bastidores, como na diagramação e editoração técnica, a exemplo da própria veiculação desta matéria, que dá voz e visibilidade a quem também constrói o periódico no dia a dia”, conclui.
Apoio técnico e acompanhamento integral para fortalecimento da pesquisa
A coordenação ressalta que os avanços evidenciam “a maturidade e a qualidade dos periódicos, frutos de um trabalho sistemática, pautado no rigor científico e na observância dos protocolos mínimos indispensáveis à credibilidade editorial”.
Entre eles, são destacados: o respeito à periodicidade estabelecida; a manutenção do número adequado de artigos por edição; a adoção consistente da avaliação por pares (double blind review); definição e cumprimento de prazos claros de submissão e de publicação; disponibilização de orientações aos autores claras, objetivas e atualizadas; e implementação e revisão contínua de políticas editoriais e de gestão editorial alinhadas às boas práticas científicas.
Guandalini Junior destaca a atuação da área de Pesquisa e Publicações Acadêmicas como crucial para todo o processo de edição e publicação. “O trabalho dos revisores e editores contribui para assegurar a periodicidade das publicações, e a qualidade de todo o nosso processo editorial”.
Nos bastidores, a equipe técnica e de revisão ganha protagonismo para que sejam realizadas publicações de excelência e tem a missão de fazer a preparação e adequação dos materiais de acordo com cada periódico e com as diretrizes exigidas. O analista revisor de texto da área de Pesquisa e Publicações Acadêmicas Leonardo Telles Meimes pontua que os critérios avaliados pela CAPES são o rigor científico do periódico, regularidade e estrutura, indexação, fator de impacto e internacionalização.
O profissional explica que os próprios autores são responsáveis por solicitar a revisão ortográfica dos artigos, a tradução dos resumos e a normalização do trabalho, como na maioria dos periódicos. O diferencial é que a equipe trabalha nos arquivos para que a adequação chegue o mais próximo de 100%.
Leonardo garante que “se os autores não realizaram esse trabalho a contento, em geral, outros periódicos apenas rejeitam o artigo, ou os avaliadores solicitam que os autores façam as adequações. Com nosso apoio técnico, não apenas os editores podem ter uma garantia de que as diretrizes dos periódicos estão sendo cumpridas, como podemos, em contato com os autores pelo sistema, solucionar alguns problemas que poderiam levar à rejeição do artigo”.
Atuação que considera o fortalecimento da qualidade das publicações, sem prejuízo para a ética da pesquisa. “Assim, ajudamos os autores e os editores sem que a confidencialidade das avaliações às cegas seja quebrada. Isso incentiva a submissão daqueles autores que não estão 100% seguros com o cumprimento das diretrizes, ou com a qualidade de seu texto”, complementa o revisor.
Autor: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação Acadêmica
Edição: Larissa Drabeski


