Acidentes em academias de musculação crescem no país que mais treina
Autor: *Paloma Herginzer
O Brasil se destaca mundialmente pelo interesse em atividades físicas, especialmente nas academias de musculação, o país ocupa o 2º lugar no ranking global de frequência em academias, com mais de 21% da população praticando exercícios regularmente — ficando atrás apenas da Índia, que registra 24%, segundo dados do IBGE. Diante desse número expressivo, torna-se indispensável discutir um aspecto que cresce na mesma proporção: os acidentes ocorridos dentro desses estabelecimentos.
Embora as academias sejam ambientes voltados para o bem-estar e a saúde, diversos incidentes continuam sendo registrados. Entre os mais frequentes estão quedas de pesos, uso inadequado de máquinas, lesões articulares e musculares, além de acidentes decorrentes da falta de supervisão profissional. Um problema ainda maior é que muitos desses episódios são totalmente evitáveis, desde que haja orientação adequada, manutenção periódica dos equipamentos e respeito aos limites individuais dos praticantes.
Alguns exercícios são reconhecidamente mais perigosos quando executados sem técnica correta ou sem acompanhamento. Entre eles, destaca-se o agachamento livre com carga elevada, que pode provocar lesões lombares e nos joelhos. O levantamento terra, apesar de eficaz, é um dos movimentos com maior taxa de lesões entre iniciantes pela exigência de postura rígida. O supino reto, um dos mais populares, também apresenta risco considerável, sobretudo quando realizado sem apoio, podendo ocasionar quedas da barra sobre o praticante. Máquinas como o leg press, variação em que o usuário fica deitado/inclinado e empurra a carga para cima, trabalhando intensamente as pernas, também podem gerar acidentes graves quando há sobrecarga ou movimento inadequado, especialmente pela pressão exercida na coluna.
Mesmo com tecnologia avançada e aparelhos modernos, é comum que a segurança não receba a prioridade necessária. Muitas academias mantêm equipamentos sem manutenção, permitem turmas superlotadas e contam com poucos profissionais para orientar muitos alunos. Paralelamente, cresce o comportamento de praticantes que buscam resultados imediatos, elevando cargas de forma imprudente ou reproduzindo treinos vistos em redes sociais sem qualquer avaliação prévia.
A prevenção de acidentes deve ser compreendida como uma responsabilidade compartilhada. Gestores precisam garantir estruturas seguras e manutenção constante; profissionais de educação física devem atuar ativamente, orientando, corrigindo e monitorando a execução dos exercícios; e alunos devem respeitar seus limites, compreender que evolução é um processo gradual e que técnica sempre deve vir antes da carga.
Refletir sobre esse tema é fundamental, especialmente em um país que figura entre os maiores frequentadores de academias no mundo. Se pretendemos promover saúde e qualidade de vida, é necessário reconhecer que segurança e prevenção precisam fazer parte da cultura fitness. Academias devem ser locais de desenvolvimento, e não de risco. Somente com conscientização coletiva será possível reduzir acidentes e transformar esses espaços em ambientes verdadeiramente seguros para todos.
*Paloma Herginzer é Formada Em Licenciatura Em Educação Física, Especialista Em Educação Especial E Inclusiva E Formação Docente EAD. Professora Tutora Dos Cursos Da Área Desportiva de Pós Graduação Do Centro Universitário Uninter
Autor: *Paloma HerginzerCréditos do Fotógrafo: Rodrigo Leal/Banco Uninter e Ketut Subiyanto/Pexels


