Uma visão panorâmica da educação superior em condições emergenciais

Autor: Antonio S. Munhoz*

As autoridades em todos os campos da ciência estão tomando medidas urgentes para atender a uma condição emergencial como a que está posta pela Covid-19. A vida em uma situação de pandemia traz à tona a fragilidade humana e ao mesmo tempo ressalta a presença da solidariedade entre outras qualidades humanas. É reconfortante ver a imagem de pessoas às quais você não enxerga mais de forma presencial, engrandecidas pelo trabalho inovador que muitas delas estão desenvolvendo.

Escolas estão fazendo pelos professores o que nunca fizeram antes. Professores estão fazendo pelos alunos o que nunca fizeram antes. Elogios pipocam de alunos em diversas fases de nosso país de dimensões continentais, elogios por um relacionamento que nunca anteviram com a instituição de ensino na qual desenvolvem as suas atividades.

Normalmente, a situação do ser humano revela insegurança e incerteza. Esta condição é aumentada quando da ocorrência de alguma condição especial. A tecnologia tira folga como alvo de críticas e passa a ser tida como uma companheira inseparável. Está certo que sem ela, muito do que está acontecendo não seria possível, mas sempre, no final da história o que se sobressai é a ação e prática do docente e do aluno, agora colocado como corresponsável por sua formação e devidamente empoderado com a liberdade de escolher o que estudar, como estudar e quando desenvolver seus estudos. Certamente é algo para o qual ele não estava preparado.

A educação em condições emergenciais não perde seu lugar ao sol como a única saída para que os jovens sejam colocados no mercado de trabalho, com maior ou menor capacidade de enfrentamento de uma situação de competitividade que coloca as pessoas em busca do primeiro emprego em uma condição insatisfatória. Toda esta movimentação coloca todos nós frente a um conjunto abundante de ferramentas e recursos. O efeito cascata leva a uma situação na qual a utilização de uma ferramenta acaba por disparar a necessidade do uso de outra ferramenta e assim sucessivamente.

Com as instituições de ensino em todos os níveis fechadas, os efeitos de uma quarentena prolongada começam a afetar todas as pessoas. Fomos colocados como expectadores de uma luta do gênio humano contra a curva epidêmica, com todos esperando que ela seja vencida, e ao mesmo tempo, como construtores de um tempo incerto. O fantasma do desemprego em massa assusta a todos. As pessoas navegam em busca de um porto seguro navegando os mares de uma virtualidade que abriga todos os tipos de sentimentos e todos os tipos de pessoas.

Independentemente da motivação, a educação interrompida nunca entrou na cogitação tanto de governantes como de governados. Ela parece ter sido sumariamente eliminada como uma opção válida. Não foram poucos os professores que se viram sem saída. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Este ditado popular identifica claramente a situação para todos. Era inovar ou inovar. Cada qual parecia estar desenvolvendo um papel previamente desenhado, tal a desenvoltura que está sendo possível observar em professores que nunca utilizaram a tecnologia educacional como uma ferramenta intensiva e extensiva.

Se tal fato ocorresse em um mundo preparado não seria tamanha a estranheza. A maior parte dos sistemas educacionais de todo o mundo não estavam preparados para o vasto mundo de oportunidades digitais que se inicia com a produção de pequenos arquivos de áudio até a transformação dos professores em roteiristas de histórias contadas com propriedade e conhecimento de causa.

Estudos são divulgados como confirmação das colocações que os observadores relatam. O sentimento de torcida favorável é geral. Muitos não têm condições de ajudar com seu conhecimento, mas todos gostariam de estar participando de toda uma série de iniciativas. As correntes de apoio surgem de todos os pontos. Congratulações nunca esperadas chegam para todos.

A reinvenção parece ser a palavra de ordem adotada por todos. Reinvenção de formas de tratamento entre os agentes educacionais envolvidos, das práticas educacionais; da utilização diferenciada e inovadora da tecnologia educacional. O que parecia estar perdido para todos, parece renascer tal e qual uma Fênix alçando voo. A aprendizagem on-line aparece a todos com a nova aura de uma educação de qualidade obtida em alto nível.

As soluções que parecem provisórias frente à crise trazem um grande nível de qualidade que as irá transformar em soluções definitivas. Parece que estamos vivendo uma situação inteiramente nova que tornou mais fácil identificar: o que as pessoas aprendem; como as pessoas aprendem; onde as pessoas aprendem e quando estas pessoas aprendem. O que antes eram componentes recomendados de alguma teoria de aprendizagem perdida no tempo e no espaço transmutam e acabam como práticas diárias.

O sistema educacional parece respirar ares novos, afastados da poluição existente nos sistemas tradicionais de ensino e aprendizagem. O comportamento de hoje nos permite enxergar a figura da nova escola do amanhã como um porto seguro que está ao alcance da tecla de um computador ou dispositivo móvel, mas que continua com as portas abertas para aqueles que querem ter uma maior proximidade com a escola, como segunda casa de todos nós.

Estamos confirmando na prática, a visão que muitos educadores têm quando enxergam a escola como o mundo da educação. Um local que pode estar cheio de inovações inspiradoras, como resultado de ações individuais ou coletivas, mas sempre com a participação ativa dos seus alunos.

* Antonio S. Munhoz é docente da área de Tecnologias da Escola Superior de Educação da Uninter.

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Autor: Antonio S. Munhoz*
Créditos do Fotógrafo: Julia M Cameron/Pexels


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