Transição de carreira aos 40 (+): é possível recomeçar?
Autor: *Danielle Fracaro da Cruz e **Rogério Pereira da Cunha
O mundo do trabalho se transformou profundamente nas últimas décadas. Na época de nossos pais e avós, o ideal era entrar jovem em uma boa empresa, progredir gradualmente até alcançar cargos de gerência aos 50 ou 55 anos, e terminar a vida profissional com orgulho de ter um único registro na carteira. A empresa era vista como extensão da família. Esse modelo, analisado por Richard Sennett em A corrosão do caráter (1999), sustentava-se no capitalismo industrial, na qual estabilidade e linearidade eram centrais na construção identitária. “Permanecer” significava sucesso, honra e comprometimento. Os colegas de trabalho tornavam-se amigos, criando vínculos profundos como compadrio e até casamentos.
A transição para a economia informacional alterou radicalmente esse cenário. A intensificação tecnológica, a globalização e a demanda por mobilidade redefiniram as expectativas sobre o trabalhador. A “flexibilização” passou a valorizar aprendizagem contínua, multifuncionalidade e capacidade de reinvenção. Carreiras não lineares tornaram-se comuns e, para muitos, inevitáveis. Migrar de emprego em emprego, antes desqualificador, transformou-se em ativo que amplia vivências e competências. Esse fenômeno combina-se com o advento das “carreiras múltiplas”: profissionais precisarão mudar efetivamente de profissão mais de uma vez na vida. Trata-se menos de escolha individual e mais de resposta estrutural à obsolescência acelerada de habilidades e ocupações. A história mostra que profissões desaparecem com o avanço tecnológico, tendência que não se atenuará.
Mais do que nunca, torna-se fundamental desenvolver a habilidade do aprender a aprender, uma competência que se articula diretamente com os princípios da andragogia (aprendizagem de adultos). Em um contexto de rápidas transformações, compreender-se como um aprendiz permanente — e não como alguém “já formado” — torna-se atitude indispensável para sustentar transições bem-sucedidas ao longo da vida. Em síntese, recomeçar após os 40 não apenas é possível, tornou-se parte estruturante das novas trajetórias profissionais. A chave está em combinar autoconhecimento, análise estratégica do mercado, disposição para aprender continuamente e maturidade para transformar rupturas em oportunidades.
*Danielle Fracaro da Cruz é mestre em Teoria Literária, professora da área de Línguas e Sociedade, Letras e História da Uninter.
**Rogério Pereira da Cunha é doutor em História pela Universidade Federal do Paraná, professor da área de Línguas e Sociedade, Letras e História da Uninter.
Autor: *Danielle Fracaro da Cruz e **Rogério Pereira da CunhaCréditos do Fotógrafo: Rodrigo Leal/Banco Uninter e fauxels/Pexels



