Sabrina, a professora de português com sujeito, verbo e predicado

Autor: Evandro Tosin - Assistente multimídia

Ela sempre quis aprender através dos livros e ensinar por meio deles. Sabrina Duarte Machado conseguiu a maior média da turma do curso de licenciatura em Letras da Uninter na modalidade de educação a distância entre 34 formandos do polo de Santa Cruz do Sul (RS), concluído em 2017. A partir disso, ganhou uma bolsa de pós-graduação em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira na instituição, que também já finalizou em 2018.

Durante a cerimônia de formatura da graduação, o irmão de Sabrina levou um cartaz que dizia: “Você não fez mais que sua obrigação”. Algo que ficou marcado em sua memória pela dedicação e esforço. Sabrina é residente de Pantano Grande (RS), na região do Vale do Rio Pardo, cidade localizada a 134 km de Porto Alegre (RS). Atualmente, estudante de bacharelado em Letras, fez a matrícula em junho passado e quer continuar estudando. Antes de ser professora, também atuou como auxiliar administrativo e auxiliar de escritório.

Com o conhecimento adquirido, o caminho como docente vai se consolidando. Em 2016, ainda ela não era formada em Letras, mas mesmo assim decidiu prestar concurso público para atuar como professora. Foi aprovada e leciona em uma escola do interior de Encruzilhada do Sul, município gaúcho que fica a 55 minutos de Pantano Grande. “Eu fiquei rezando para que não me chamassem antes da formatura, mas ano passado fui chamada”, relata.

Há 1 ano e 5 meses, Sabrina é professora de língua portuguesa do ensino fundamental de uma escola municipal de Encruzilhada do Sul e tem sob sua responsabilidade as turmas de 6º ao 9º ano. Encruzilhada do Sul tem 25 mil habitantes e conta com o índice de escolaridade de 96,1% entre estudantes entre 6 a 14 anos, de acordo com o IBGE, além de uma taxa de 3,9 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) – Anos finais do ensino fundamental da rede pública, indicador que mede a qualidade do ensino nas escolas públicas.

Embora em sala de aula não tenha muitos recursos tecnológicos, como por exemplo, a disponibilidade de serviços de internet, diferente de escolas em municípios maiores, a paixão e a motivação está acima disso. Ela relata a importância da Língua Portuguesa e o sentimento de ser professor. “A gente se comunica por meio dela, escreve, e eu sempre quis ensinar isso. Eu comecei a ser feliz quando realmente fui para dentro de uma sala de aula, porque lá eu me sinto acolhida pelo carinho dos alunos e o contato diário”, explica Sabrina. Durante a semana em que ocorrem as aulas presenciais, Sabrina fica em Encruzilhada do Sul (RS). Aos finais de semana, volta para sua cidade natal.

A escolha de Sabrina por Letras foi pelo encanto pela leitura, revisão textual e pela vontade de lecionar aulas. “Na Uninter, consegui aprender como eu posso fazer da minha realidade a melhor para o aluno”, conta a estudante. Dentro da língua portuguesa, ela destaca o interesse do estudo da construção das frases, conhecida por sintaxe: sujeito, verbo e predicado. Além do apego pela literatura, e proximidade com texto científico.

Se ela é exigente consigo mesma nos estudos, com os seus alunos também é dessa maneira. “Às vezes, até sou considerada uma chata, porque quero que eles estudem, deem o melhor de si, porque sei até onde eles podem ir. Por isso, exijo que eles leiam, escrevam. Porque foi isso que minha professora lá do ensino médio fez comigo. Tem coisas que eu ensino para os alunos que lembro dela na hora, coisas que ficaram marcadas”, explica.

A coordenadora pedagógica do polo de Santa Cruz do Sul (RS), Mônica Eliza Malacarne comenta sobre perfil da estudante com a educação a distância. “Ela tem uma boa percepção de organização, consegue aproveitar ao máximo os materiais disponíveis”. Mônica lembra que no início de 2020, convidou Sabrina para dar dicas de estudos em uma aula inaugural de calouros.

A educação a distância para Sabrina

Sabrina diz que a educação a distância foi uma das suas maiores experiências e destaca o acolhimento da unidade de apoio presencial de Santa Cruz do Sul (RS) na resolução de dúvidas. Como estudante, ela sempre é participante das semanas acadêmicas, das aulas presenciais uma vez por semana e nas visitas de campo. Inclusive, teve participação da comissão organizadora de semana acadêmica. Durante a graduação de Letras, já fazia revisões de textos, formatação e dava aulas particulares.

“Eu sempre gosto de seguir um cronograma. Tenho post-it colado com as atividades e calendário. Gosto de ler o capítulo do livro, os slides, faço impressão para fazer anotações, é uma rotina. Eu sempre me cobrei muito. Eu não sei ser a aluna que quer tirar sete e ficar feliz. Eu quero nove, dez”, afirma a estudante.

Para Sabrina, a organização é fundamental, assistir às aulas e muita leitura. “Agora, entendo que a educação a distância é o futuro. Estamos em meio a uma pandemia, os alunos estão tendo aulas a distância. Você tem de ensiná-los também a aprender sozinhos e estudar dessa maneira”, comenta Sabrina.

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Autor: Evandro Tosin - Assistente multimídia
Edição: Mauri König
Créditos do Fotógrafo: Arquivo pessoal


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