Outubro Rosa Pet: você sabia que animais também podem ter câncer de mama?

Autor: Lenara Calazans*

 Quando pensamos no Outubro Rosa, vem em mente um marco mundial na conscientização e prevenção do câncer de mama em mulheres. Mas você sabia que os nossos animais de estimação também estão sujeitos a desenvolver essa doença? O câncer de mama atinge muitas cadelas e gatas, trazendo riscos sérios à saúde delas. Por isso nasceu o Outubro Rosa Pet, uma campanha para informar e conscientizar tutores, incentivar o diagnóstico precoce e ajudar a salvar a vida de muitos animais.

As evidências científicas não deixam dúvidas sobre a gravidade dessa doença. O estudo Canine, Feline, and Murine Mammary Tumors as a Model for Translational Research in Breast Cancer, publicado em 2025 na revista Veterinary Sciences, destaca a importância das neoplasias mamárias na Medicina Veterinária. Entre cadelas, esse tipo de tumor figura entre os mais frequentes, enquanto nas gatas, ocupa a terceira posição entre as neoplasias mais comuns.

A pesquisa também aponta que a ocorrência de tumores mamários espontâneos em cadelas é de duas a três vezes maior do que em mulheres. Embora sejam menos comuns, os cães machos também podem desenvolver essa condição. Vale ressaltar que essa doença é influenciada por hormônios sexuais e uma prática aparentemente inofensiva favorece o desenvolvimento do câncer de mama, e de infecções uterinas graves, que é o uso de anticoncepcionais, conhecidos como “injeções anti-cio”.

O estímulo hormonal contínuo é um risco grave à saúde da fêmea. Por isso, a melhor forma de evitar o cio e de reduzir o risco de tumores de mama com segurança é a cirurgia de castração, cujo momento ideal deve ser discutido de forma individualizada com o médico-veterinário, com base na idade, porte, raça e histórico da paciente. Por esse motivo, é importante que os tutores assumam um papel ativo e atento no cuidado diário dos pets, como realizar a palpação das mamas, que é uma forma simples e acessível para verificar a presença de caroços, inchaço, secreção, mau cheiro, feridas, dor ou incômodo ao toque.

Em casos de suspeita, a consulta veterinária não pode ser adiada, pois quanto mais tardia é a identificação do tumor, menores as chances de sobrevivência dos pets afetados. O diagnóstico definitivo do câncer de mama se dá por meio da avaliação geral do pet e de exames, como, por exemplo, biópsia, citologia e imagem. Caso haja confirmação do diagnóstico, o tratamento dependerá do tipo, tamanho, grau de malignidade e estágio, sendo a cirúrgica a principal abordagem terapêutica, podendo variar de acordo com as características, quantidade e localização do tumor.

Em certos casos, a quimioterapia também pode ser indicada para conter a progressão da doença. Em vista disso, a campanha Outubro Rosa Pet é muito importante para promover a conscientização e a prevenção do câncer de mama em animais de companhia, reforçando a importância das consultas periódicas ao médico-veterinário, da avaliação individual sobre o momento adequado para a castração e para alertar sobre o uso de anticoncepcionais. Essas medidas contribuem para a prevenção, o diagnóstico precoce, longevidade e do bem-estar dos nossos pets.

* Lenara Calazans, médica-veterinária, com pós-graduações em Vigilância Sanitária e Qualidade de Alimentos, Saúde Pública e Vigilância Sanitária e Geriatria e Neonatologia em Cães e Gatos. É professora do curso de Medicina Veterinária da Uninter.

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Autor: Lenara Calazans*
Créditos do Fotógrafo: Tima Miroshnichenko/Pexels


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