Avanços e desafios no mercado de trabalho para além da queda do desemprego

Autor: Andressa Bueno Serigato Meneghelli*

Comércio

 O Brasil registrou uma taxa de desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é significativo e sinaliza um momento favorável para o mercado de trabalho brasileiro. Mas, para além dos números, é importante compreender quais setores estão liderando a geração de empregos e o que esse cenário representa para as empresas e os profissionais.

O Brasil criou aproximadamente 1,13 milhão de postos de trabalho com carteira assinada entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O setor de serviços foi o principal responsável por esse crescimento, com cerca de 698 mil empregos formais adicionais, seguido pela construção civil, com 200 mil, e pela indústria, com 170 mil.

Dentro do setor de serviços, destacam-se as atividades administrativas e de apoio às empresas, bem como os segmentos de saúde, educação, transporte e logística, que têm contribuído significativamente para a criação de novas oportunidades de trabalho.

Entretanto, para acompanhar essas oportunidades e as mudanças no mercado de trabalho, a qualificação profissional torna-se cada vez mais importante. Isso porque a incorporação de tecnologias digitais, da automação e de soluções baseadas em inteligência artificial vem alterando processos produtivos, criando demandas por qualificação e redefinindo competências valorizadas pelas organizações.

Nesse contexto, os conhecimentos técnicos continuam fundamentais, mas competências como capacidade de adaptação, resolução de problemas, comunicação e aprendizagem contínua estão ganhando relevância, exigindo dos profissionais uma atualização constante. Para as empresas, o cenário de desemprego reduzido também traz desafios. A menor disponibilidade de trabalhadores em busca de uma colocação pode tornar mais difícil o preenchimento de determinadas vagas, especialmente quando são exigidas qualificações específicas.

Isso reforça a importância de estratégias de atração e retenção de profissionais, além de investimentos no desenvolvimento das equipes. A gestão de pessoas assume, portanto, um papel estratégico. Organizações que oferecem oportunidades de aprendizagem, perspectivas de crescimento profissional e ambientes de trabalho saudáveis podem fortalecer sua capacidade de atrair e manter trabalhadores. Mais do que preencher vagas, será necessário construir relações de trabalho que contribuam para o desenvolvimento das pessoas e a sustentabilidade dos negócios.

Apesar do cenário positivo, os indicadores também exigem cautela. O desemprego em patamares historicamente baixos não significa que todos os trabalhadores estejam inseridos em ocupações de qualidade. A informalidade, as desigualdades de remuneração e as diferenças de oportunidades entre regiões e grupos profissionais continuam sendo desafios importantes. Além disso, embora o desemprego tenha diminuído, a geração de empregos formais apresenta desaceleração em relação ao ano anterior.

Entre janeiro e agosto de 2025, o saldo foi de aproximadamente 1,52 milhão de vagas, superior ao registrado no mesmo período de 2026. Essa diferença demonstra que um mercado de trabalho com baixo desemprego não está necessariamente livre de sinais de perda de dinamismo. Os resultados recentes representam uma conquista importante para a economia brasileira, mas também convidam a uma reflexão sobre o futuro do trabalho.

Para as organizações, o desafio será conciliar produtividade, inovação e valorização das pessoas. Para os profissionais, a atualização de competências e a capacidade de aprender continuamente serão fundamentais para acompanhar as transformações do mercado. A redução do desemprego merece ser reconhecida. O próximo desafio é transformar esses resultados em oportunidades de trabalho de qualidade, desenvolvimento profissional e crescimento econômico sustentável.

* Andressa B. Serigato Meneghelli é administradora e mestra em Administração. É professora no curso superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Uninter.

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Autor: Andressa Bueno Serigato Meneghelli*
Créditos do Fotógrafo: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


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