PÓS-DOUTORADO

O português que une e diferencia Brasil e Portugal

Segundo publicação da Ethnologue: Languages of the World, a língua portuguesa aparece na 6ª posição na lista das mais faladas ao redor do mundo, com 235 milhões de falantes, em países como Brasil, Portugal e Angola, entre outros.

Apesar do número expressivo de falantes, a língua portuguesa não é muito difundida fora das suas fronteiras. Além disso, as variações faladas no Brasil e em Portugal, por exemplo, apresentam diferenças de pronúncia, vocabulário e gramática bastante significativas.

Desde fevereiro deste ano, a professora Maristela Gripp, do curso de Letras da Uninter está realizando sua pesquisa de pós-doutorado na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Seu tema de investigação são aspectos linguísticos e culturais que marcam as diferenças do português falado no Brasil e em Portugal.

“Em nenhuma cultura é fácil dizer ‘não’, recusar um convite, uma sugestão, um presente, e dependendo do nosso interlocutor pode ser ainda mais difícil! O que me interessa é saber quais são os recursos linguísticos que as pessoas utilizam para fazer isso de maneira ‘suave’, sem ofender o outro e sem agredir. A pragmática intercultural oferece algumas ferramentas pra gente descobrir isso”, comenta Maristela a respeito do seu objeto de estudo.

A professora, que iniciou a pesquisa em 2010 no doutorado na UFPR (Universidade Federal do Paraná), comenta que sua motivação veio do ensino da língua portuguesa para estrangeiros, o que despertou seu interesse pelos estudos que envolvem a cultura e o idioma.

“O objetivo da pesquisa é comparar os usos e as estratégias linguísticas de polidez usadas no português brasileiro e no português europeu nos casos de recusa a convites, mais especificamente na cidade de Lisboa.  Ou seja, me interessa saber se há alguma diferença entre a maneira como brasileiros e portugueses recusam um convite e quais seriam essas diferenças”, explica a professora.

Maristela acrescenta que embora o Brasil tenha herdado o idioma, os costumes e hábitos culturais são elementos que interferem nas práticas linguísticas, levando dois povos que falam a mesma língua a se expressarem de formas diferentes nas mesmas situações. “Herdamos alguns costumes e principalmente a língua. Por isso, é evidente que existem semelhanças e diferenças, mas são duas culturas bem distintas que compartilham uma mesma língua. Existem diferenças de vocabulário, algumas já conhecidas dos brasileiros: trem, elétrico/bonde, telemóvel/celular etc”, comenta.

Segundo a professora, além da parte cultural, outros fatores são determinantes para que o idioma tenha suas próprias particularidades, como por exemplo: o contexto, a idade das pessoas e a situação em que as frases são aplicadas no cotidiano nos dois países. Maristela continua sua pesquisa em Lisboa pelos próximos três meses, para depois finalizá-la em solo brasileiro.

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Autor: Diego Augusto - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König / Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Arquivo pessoal

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