O aluno que fez o reitor chorar, hoje segue emocionando com trajetória acadêmica de excelência
Autor: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação
O auditório do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi cenário do início de um novo capítulo da história de Arlindo Figueiredo do Rosário Júnior, no dia 5 de março de 2026. Na defesa da dissertação “Tambor de mina no ciberespaço: o cotidiano de Pai Denilson de Oxaguiã como forma de resistência”, diante da banca ele reafirmou um caminho que começou a trilhar ainda na infância, entre sonhos, fé e persistência.
A trajetória de Arlindo já é conhecida por muitos: o então estudante que, com força e a dignidade, encontrou nos estudos uma possibilidade de transformação da própria realidade. O que nem todos sabem é que, com a conquista do diploma do ensino superior, a caminhada não se tornou mais fácil, mas ganhou novos sentidos. E é por meio também da educação que o agora mestre busca redirecionar os rumos de outros jovens.
Se antes os dias iniciavam ainda na madrugada, entre o trabalho com materiais recicláveis e a busca por tempo para estudar, hoje a rotina é outra. Arlindo se divide entre a sala de aula, como professor da rede municipal de ensino, e a pesquisa acadêmica, da qual se aproximou ainda na graduação, quando descobriu interesse pela investigação científica. Vínculo que se deu quando ele percebeu que o sonho não se encerraria com a formação na Uninter, mas, sim, começava a se ampliar.
A bolsa de estudos concedida pelo reitor do centro universitário, Benhur Gaio, marcou uma virada de chave em sua trajetória. O anúncio aconteceu durante o programa Conversa com o Reitor, transmitido ao vivo pelo canal da TV Uninter, no dia 9 de abril de 2021. Em uma conversa com estudantes que participaram da campanha Histórias que fazem a nossa história, o reitor se emocionou com a dedicação e o esforço de Arlindo para fazer o estudo acontecer. Mas a conquista não se deu apenas ao vencer a iniciativa que resgatava trajetórias que compunham a história da Uninter até aquele momento.
“É um aluno exemplar, só nota 10”, destacou enquanto verificava o histórico escolar do graduando no sistema da instituição. “Fica aí uma referência de vida para todos nós. Não só para os nossos alunos da Uninter, para todas as pessoas que estão hoje em situações complicadas e continuam lutando”, acrescentou Benhur, pouco depois de declarar que o aluno não devia mais nada à Uninter.
De acordo com Arlindo, é um dos momentos mais decisivos de sua vida. Estava prestes a interromper o curso pela terceira vez por causa da condição financeira, quando recebeu a oportunidade de continuar e se reinventar. Um reconhecimento da instituição bem aproveitado e que segue rendendo bons frutos.
“Talvez, se eu não tivesse ganhado a bolsa do reitor, eu teria desistido da graduação, e meu caminho seria outro. Nos agradecimentos da minha dissertação não ficou de fora a Uninter e o reitor”, salienta Arlindo. “A minha graduação me ajudou a levar o conhecimento para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, esse é o meu primeiro olhar para a conquista da graduação, pois, não podemos lecionar sem ser habilitado. A pós-graduação está me dando a possibilidade de contribuir com um campo de pesquisa que ainda é muito carente”, acrescenta.
Esse percurso também foi atravessado por perdas difíceis. Poucos meses após a conclusão da graduação, enfrentou o falecimento do pai. Um momento que marcou sua trajetória e que “dói até hoje”, mas que não o fez desistir do percurso e o manteve resistente em busca dos sonhos.
Hoje, ao olhar para trás, Arlindo entende a educação como algo que ultrapassa o individual. Para ele, a atuação como professor é um ato coletivo, capaz de alcançar diferentes pessoas e realidades, que podem ser transformadas. E a pesquisa, no campo das relações entre religião e ciberespaço, surge como uma forma de contribuir para uma sociedade que ainda enfrenta desigualdades e preconceitos.
“A educação salva vidas. Assim como a Uninter salvou minha vida, eu me dedico a contribuir, na medida do possível, para que a sociedade possa se curar de seus males através da educação. Espero que todo egresso da Uninter, em todo e qualquer lugar no qual for atuar, possa ter a missão de contribuir para a construção de um mundo melhor, pois a Uninter já faz isso com excelência”, afirma.
O bom desempenho durante a graduação, ressaltado pelo reitor no programa em que concedeu a bolsa de estudos à Arlindo, seguiu sendo seu padrão de qualidade. A dissertação de mestrado foi aprovada “com louvor” pelos avaliadores. Por isso, não é apenas um ponto de chegada, mas o começo de um novo ciclo, na busca por uma qualificação profissional cada vez maior. Para o futuro, o mestre deseja seguir para o doutorado e aprofundar os estudos que escolheu como missão.
“Eu não penso só em mim, penso no coletivo”, afirma. E é esse olhar que o guia no trabalho. Em sala de aula, na produção acadêmica e nas trocas do dia a dia. O objetivo segue o mesmo: contribuir para o enfrentamento do preconceito e para a construção de um mundo mais justo, especialmente quando se trata do racismo.
“Se hoje eu conseguir perceber que meu aluno compreendeu que devemos extinguir todo tipo de preconceito que aparecer em nossa vida, a minha semente foi lançada. Como pesquisador, cada resultado alcançado, espero que possa contribuir para a resolução de problemas e conflitos na sociedade”, ressalta.
A trajetória acadêmica de Arlindo é mais uma evidência de que, ao longo de seus 30 anos, a Uninter tem alcançado a missão de “desenvolver e transformar pessoas por meio da educação”, através dos valores de respeito às pessoas, integridade, responsabilidade e excelência, que mantêm a visão de “ser reconhecida como uma organização para estudar, trabalhar e investir”.
Há exatos cinco anos da primeira publicação sobre a história de Arlindo, naquele momento ainda estudante de Ciências da Religião, o tempo reafirma a importância de uma educação de excelência, que chega a todos os cantos do Brasil e no exterior, capaz de transformar vidas. Arlindo segue na missão, em parceria com a Uninter, que também tem os mesmos objetivos, ele garante: “construir um mundo de respeito, igualdade e ética”, finaliza o pesquisador.
Autor: Nayara Rosolen - Analista de Comunicação






