Mulheres e crianças no futebol: respostas à violência e ao preço de ingresso

Autor: Emerson Micaliski

Após episódios de brigas entre as torcidas de Athletico e Coritiba, em jogo válido pelo Campeonato Paranaense de 2022, os clubes foram punidos pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Paraná (TJD-PR) com um mando de campo sem presença de público para o Estadual de 2023. Pelo mesmo motivo de violência entre torcedores, desta vez em jogo contra a equipe do Maringá, o Athletico recebeu ainda a perda de mais uma partida sem a participação de torcedores.  

Contudo, os dois times recorreram junto ao TJD-PR e a decisão foi reverter a punição de forma parcial. Ao invés de realizarem os jogos com portões fechados, foi liberada a presença somente de mulheres e crianças com até 12 anos, com ingresso sendo trocado por 1kg de alimento. O primeiro jogo aconteceu no estádio do Couto Pereira, Coritiba x Aruko, em que aproximadamente 9 mil torcedores compareceram. Por sua vez, a Arena da Baixada teve maior adesão, com todos os ingressos esgotados em poucas horas. Os duelos do Athletico versus Maringá, assim como contra o Foz do Iguaçu, tiveram mais de 32 mil e 37 mil pessoas, respectivamente, presentes em cada jogo. 

Essa adesão de torcedores mirins e femininos – mães com filhos, mulheres grávidas, avós, e das mais diferentes classes sociais – enchendo as arquibancadas dos estádios da capital paranaense para acompanhar jogos do campeonato local, levanta algumas reflexões: quais as estratégias que os clubes e órgãos responsáveis pela segurança pública realizam para que mulheres e crianças se sintam seguras para assistirem aos jogos de futebol no estádio? Quais são os planos de ações que os clubes apresentam às famílias e pessoas de diferentes idades para frequentarem os estádios?  

Essas questões nos remetem a dois pontos: violência e valores na comercialização de ingressos. Em relação à violência nos eventos de futebol, apesar de não ser um problema recente e tampouco exclusivo do nosso país, a sociedade não pode ficar refém desse imbróglio, gerado por integrantes de torcidas organizadas. Nos dias atuais, é possível sim, identificá-los e aplicar severas punições corretivas.  

Paralelo à violência, soma-se o preço dos ingressos. Não de hoje, percebe-se uma tentativa de elitização do futebol tornando-o um produto caro e para poucos. Essa elitização que cobra ingresso com valores fora da realizada da maioria da população brasileira, ainda, obriga-os a um vínculo de tornar-se sócio torcedor com exclusividade.  

Portanto, é preciso que o TJD e demais órgãos de segurança pública apliquem punições aos verdadeiros responsáveis pelos atos de vandalismo e violência. Por sua vez, a grande presença de crianças e mulheres nos jogos é uma resposta aos clubes para desenvolverem planos e ações aos diferentes tipos de público, principalmente, revendo seus valores de ingressos em determinados setores do estádio ou jogos.  

 Emerson Micaliski é coordenador de cursos de Pós-Graduação da Área de Educação Física e Esportes do Centro Universitário Internacional Uninter. 

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Autor: Emerson Micaliski
Créditos do Fotógrafo: José Tramontin/athletico.com.br


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