Especialista explica o nosso fascínio pelas redes sociais

Autor: Fillipe Borba - Estagiário de Jornalismo

As mídias sociais já fazem parte de uma realidade que não pode mais ser ignorada. As pessoas e empresas que querem uma posição de destaque precisam alimentar essas redes com conteúdo para engajar e conquistar audiência. No dia 30.jun.2020 é celebrado internacionalmente o Dia das Mídias Sociais.

A professora de Marketing Digital Maria Carolina Avis estuda esse tema há bastante tempo. Ela tem um livro publicado pela Editora Intersaberes, SEO de verdade se não está no Google, não existe, que ensina como funciona o rankeamento de respostas no maior buscador do mundo. A professora conversou com a Central de Notícias Uninter (CNU) sobre esse cenário, que movimenta a vida de mais de 3,8 bilhões de usuários em todo o mundo.

CNU – O que são as mídias sociais?

Maria Carolina Avis – São plataformas, sites e ferramentas que tem como objetivo unir pessoas. No Marketing Digital, se unem as pessoas as marcas. Elas servem para você se comunicar com os seus familiares e amigos. Sempre falo que a mídia social é mais sobre o social do que sobre mídia. Muitos negócios querem vender pelas mídias sociais, mas o principal intuito dela é gerar relacionamento.

CNU – Por que gostamos tanto de passar nosso tempo nas redes sociais?

Maria Carolina Avis – As redes sociais priorizam uma boa experiência. Experiência é a palavra da vez. As pessoas gostam de passar bastante tempo nas mídias sociais porque quando a gente acessa, todos aqueles posts que estão lá são fruto de um estudo feito pela própria rede social e eles são os mais relevantes para você. As redes sociais trabalham com base em algoritmos de relevância, caso isso não acontecesse, os posts viriam de forma desordenada, o que provavelmente diminuiria o tempo de consumo. Inclusive o Brasil é um dos líderes do ranking mundial em tempo na internet. Só que esse consumo não se dá mais em uma só sessão. Ele está dividido em vários acessos menores que totalizam um tempo considerável. Por isso, para os negócios, é indispensável estar presente nas redes, pois é ali que os clientes estão.

CNU – Analisando o crescimento das redes sociais, quando elas começaram a ser relevantes para os negócios?

Maria Carolina Avis – No começo, as redes sociais eram uma coisa mais estática e de uma via só. Você comunicava e o interlocutor não podia comentar ou interagir. Com a Web 2.0, que foi essa transição do estático para o colaborativo, as redes sociais começaram a fazer mais sentido. Os negócios começaram a acessar essas plataformas a partir do Orkut, utilizando estratégias de Marketing Digital para começar a ter uma abordagem um pouco mais ativa. As marcas criavam comunidades, pensavam em abordagens específicas para o Orkut. A visão das empresas mudou. Hoje tem pessoas que preferem seguir marcas que pessoas. O usuário deixou de consumir apenas conteúdo pessoal e começou a procurar conteúdo mais institucional. Principalmente para saber os bastidores. Por isso que a gente gosta de seguir pessoas famosas, artistas, blogueiros, youtubers, cantores. Você vê o artista na TV, mas quer saber o que ele faz em um domingo à tarde. O imediatismo das redes propicia esse conteúdo.

CNU – Qual a melhor rede social para se estar hoje?

Maria Carolina Avis – São inúmeras redes sociais ativas nesse momento. Pensando rapidamente tem o Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp, WhatsApp Business, que é voltado para negócios, Youtube, Pinterest, TikTok, Snapchat, Telegram, Linkedin, entre outras. Você precisa estar onde o seu público está. O que a gente precisa pensar é que a característica de cada uma dessas redes sociais é diferente. Por exemplo: O Instagram com o IGTV e o Youtube. No primeiro, o usuário normalmente não faz uma busca, ele se depara com o seu conteúdo depois de assistir outro vídeo. No segundo, a forma de acesso ao vídeo remete uma busca ativa. Não existe uma melhor rede social, existe a rede mais adequada à sua estratégia e ao momento específico.

CNU – Por que o marketing e as mídias sociais se deram tão bem?

Maria Carolina Avis – O Marketing é um estudo de mercado, e engloba muitas coisas, inclusive ferramentas de comunicação. As mídias sociais couberam muito bem no universo de marketing porque são funcionais, elas têm uma usabilidade muito intuitiva, é simples utilizar uma mídia social. O marketing como um todo visa que a empresa tenha um bom posicionamento, seja lembrada e várias outras coisas. As mídias sociais são um bom recurso para que as empresas consigam alcançar seus objetivos de marketing.

CNU – O profissional que atua nas mídias sociais deve procurar uma formação?

Maria Carolina Avis – O profissional de mídias sociais foi considerado uma das profissões do futuro pelo Linkedin este ano. Ele precisa necessariamente buscar uma formação. Tem duas opções: uma graduação em Marketing Digital ou Marketing, aplicando os conceitos do Marketing Digital. Um dos principais problemas desse setor no Brasil e no mundo é o amadorismo, que são pessoas que por serem criativas e terem algum tipo de intimidade com a rede, acham que sabem gerar negócios através de mídias sociais. Quando se estuda um pouco mais a fundo, percebe-se que não é tão simples quanto parece. É um trabalho cercado de detalhes. Você precisa entender mais de marketing que de ferramenta. Não é só tirar uma foto e publicar. Essa ação é a ponta do iceberg que não representa nem 1% do planejamento. Você precisa conhecer todo esse universo antes da publicação. As empresas cobiçam esse profissional, pois elas querem estabelecer sua presença no meio digital. Para ser qualificado, esse profissional não pode ter uma estratégia engessada. É preciso conhecer de mercado, concorrência, pesquisa, de tudo um pouco.

CNU – Os dados estão cada vez mais complexos, observando de perto nossos hábitos e possibilitando uma segmentação cada vez maior de público e conteúdo. Como os dados podem auxiliar na produção de conteúdo nas mídias sociais?

Maria Carolina Avis – Uma produção de conteúdo inteligente e estratégica não é só criativa. Ser criativo é metade do caminho. Existem muitas técnicas de análise de dados para gerar o conteúdo certo para o público certo no momento certo. A análise de dados é cada vez mais importante, as coletas dos nossos dados são cada vez maiores. Isso ocorre única e exclusivamente para que as marcas consigam fazer um direcionamento de publicidade com qualidade para essas pessoas específicas. A coleta de dados sempre será grande, seremos sempre “vigiados”. A produção de conteúdo quando feita com base em dados tende a ser muito mais assertiva, pois vai de encontro ao que o público está pesquisando, comentando. As necessidades daquelas pessoas.

CNU – As mídias sociais estão tendo que lidar mais de perto com discursos de ódio e fake news. Há cobranças da sociedade sobre elas. Que medidas você acredita que as grandes empresas devem tomar para evitar essas situações?

Maria Carolina Avis – As grandes empresas, principalmente Google e Facebook, que são as donas da maior parte das ferramentas que utilizamos no acesso à internet, já desenvolvem ações que poderiam minar as fake news. Porém, depende agora das pessoas. Uma notícia falsa só se espalha na rede pela ação dos usuários. Se cada um tomasse a consciência de que é preciso pesquisar se é verdade antes de compartilhar, essa seria uma forma de combater ou pelo menos diminuir as fake news. Com relação a discursos de ódio, vai muito além. Envolvem questões éticas. Como mídias sociais são um campo aberto, em que qualquer um pode gerar e consumir conteúdo fica muito difícil controlar a disseminação desses discursos. Por isso enfatizo a responsabilidade que o usuário deve ter antes de publicar um conteúdo.

CNU – O mundo digital já é uma realidade. O que você tem a dizer para as pessoas que não se aproximam ou até menosprezam a relevância das mídias sociais.

Maria Carolina Avis – Diante da revolução digital que a gente vive há algum tempo, costumo dizer que a presença nas redes sociais não é mais uma questão de estar alinhado às tendências, é sim uma questão de sobrevivência para os negócios. Se você ainda não se aproximou delas, não acredita na relevância das mídias sociais recomendo que estude a grandiosidade disso. Perceba que tudo pode mudar. A pandemia nos mostra isso, antes muitos negócios não estavam no delivery e hoje, alguns negócios só podem operar por entrega. Como você lidaria se de repente toda a sua estratégia fosse jogada no lixo? Na internet é mais difícil disso acontecer, pois é pouco provável que todas as mídias sociais acabem ao mesmo tempo. O Marketing Digital tem muitos pontos positivos, o principal deles é o relacionamento que a marca pode ter com o consumidor.

CNU – Quais suas perspectivas para o futuro das mídias sociais?

Maria Carolina Avis – Uma tendência que enxergo é a humanização das marcas. Não falo sobre automatização, utilização de inteligência artificial para atendimento. Falo sobre a marca ter um posicionamento forte, mostrando que por mais que ela seja uma empresa, existem pessoas que trabalham nesse local. É importante saber que mídia social é um canal de relacionamento. As pessoas não querem mais comprar de um robô, a experiência do usuário se relacionando com pessoas, comprando de pessoas, é algo nobre nas mídias sociais. E acredito que cada vez mais essa humanização se fará presente.

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Autor: Fillipe Borba - Estagiário de Jornalismo
Créditos do Fotógrafo: Gerd Altmann/Pixabay


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