Comportamento e finanças andam mais próximos do que você imagina

Autor: Fillipe Fernandes - Estagiário de Jornalismo

Até algumas décadas atrás, o entendimento acerca do comportamento das pessoas estava restrito a áreas como a psicologia e a antropologia. A economia não fazia parte dessa conversa. Nos últimos anos, a transformação digital, tema da Semana de Gestão 2020, propiciou não só mudanças estruturais na vida das pessoas, como também o estudo de comportamento aliado às finanças.

Finanças comportamentais foi o tema da segunda noite da Semana de Gestão 2020, organizada pela Escola Superior de Gestão, Comunicação e Negócios. O encontro foi transmitido no dia 15.set.2020, pelo canal do Youtube da Uninter e foi mediado pelos professores Daniel Cavagnari, do curso de Blockchain, Criptomoedas e Finanças na Era Digital, e professora Neide Mayer, do curso de Ciências Contábeis. Você pode conferir a íntegra do evento aqui.

Três convidados fizeram parte da noite. O professor Júlio Lobão, que leciona economia na Universidade do Porto, em Portugal, autor de vários livros relacionados a finanças comportamentais. O professor Ricardo Razuk, especialista em economia, consultor empresarial com atuação na FGV Management e Diretor Financeiro da ANGRAD. E Paolla Hauser, auditora independente registrada pelo CNAI e professora da Uninter.

A economia e a psicologia como aliadas permitem um entendimento mais amplo das pessoas. “Os comportamentos e as emoções fazem diferença na hora de tomar uma decisão, em todos os níveis”, explica Neide. “Quem aprendeu o que são finanças comportamentais vai perceber que elas fazem parte do seu dia-a-dia, dos negócios e veio pra ficar. Assim como a internet, o blockchain, e uma série de outras tecnologias de processos gerenciais e financeiros”, complementa Daniel.

O professor Júlio Lobão abriu a noite explicando que é preciso separar as finanças tradicionais das finanças comportamentais. “A área das finanças comportamentais em geral se desenvolveu bastante tarde. Nos anos 1960, surgiu de forma simplificada, tomando como modelo a física. Estudiosos acreditavam que os investidores se comportavam da mesma forma e que o mercado financeiro era impossível de prever”.

Atualmente, já se sabe que os investidores se comportam de formas múltiplas. “A percepção da realidade é que muda, não a realidade em si. Isso reflete na tomada de decisão das pessoas. Excesso de confiança é o que mais explica o comportamento dos investidores nas transações comerciais. Os otimistas querem comprar, os pessimistas, vender. Aí começa o efeito manada”.

O professor Ricardo Razuk ponderou em sua fala os fatores que interferem na tomada de decisão das pessoas, no âmbito das finanças e em outros também. Ele entende que temos um modo intuitivo de responder ao que nos é proposto, quase como um instinto animal. “Quando a gente começa a ter esse modo intuitivo de responder em finanças ou qualquer outra área, a gente corre riscos. Nem sempre esse modo intuitivo é o melhor para todas as decisões. Existem momentos em que é preciso se racionalizar as situações. Vivemos em uma época cada vez mais acelerada. E acreditamos que esse pensamento rápido vai resolver sempre, e nem sempre ele ajuda”.

Ricardo explica que o homem é composto de razão, emoção e instinto. “O que vai prevalecer na decisão varia conforme seu momento de vida. Existe um viés de disponibilidade na hora de tomar as decisões. Observar seus pontos fracos e fortes, autoconhecimento é um bom caminho para equilibrar razão, emoção e instinto”.

A professora Paolla Hauser fechou a noite mostrando que a política fiscal também interfere em nosso comportamento. “É preciso observar dois pontos importantes. O primeiro é do fisco como condutor do comportamento, e o segundo é o nosso comportamento como contribuintes. O governo utiliza a tributação para modular o comportamento do contribuinte. Aumenta-se ou diminui a carga tributária conforme a necessidade de regular a balança econômica”.

A carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo. Paolla explicou que os impostos têm uma razão de ser. O cigarro e o álcool são altamente taxados levando em consideração o mal que eles podem causar na vida de quem consome e o retorno oneroso ao Estado, quando a pessoa utilizar o sistema de saúde para tratar um câncer, por exemplo. Já combustível e energia elétrica são altamente taxados pela urgência e necessidade das pessoas, visando regular o consumo desenfreado desse bem que todos necessitam em algum grau”, comenta.

“O contribuinte tem medo do fisco. A gente tem medo pois vivemos a cultura de que o tributo é algo punitivo, compulsório, obrigatório. Para mudar isso é preciso educação tributária. As pessoas acreditam que sonegar é mais barato que planejar porque nosso sistema é complexo e não é transparente”, explica a professora Paolla.

Após a fala dos professores convidados, perguntas dos presentes no evento foram respondidas, mostrando como a interdisciplinaridade entre as áreas do conhecimento é um caminho interessante para a solução de problemas antigos.

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Autor: Fillipe Fernandes - Estagiário de Jornalismo
Edição: Mauri König
Revisão Textual: Jeferson Ferro
Créditos do Fotógrafo: Alexas_Fotos/Pixabay


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