Apenas teste de antígeno não é suficiente na prevenção do câncer de próstata

Autor: Benisio Ferreira da Silva Filho (*)
“Não precisa tocar, basta eu fazer o PSA”. Começo o texto dizendo, “não, você está errado, não é bem assim”. Continue lendo e acredite em mim, estamos com um nível de tecnologia e sensibilidade nos exames laboratoriais mais avançados, porém, se necessário for, o médico precisará, sim, tocar na sua próstata através do canal anal para salvar sua vida. Tenho certeza de que sua família não vai amar você menos por fazer o famoso “exame do toque”. Eles precisam de você bem, saudável e produtivo. Faça a sua parte e cuide-se! Fui direto nessa introdução? Então deixe explicar um pouco mais.

A próstata é uma glândula que, anatomicamente, fica logo abaixo da bexiga e que, devido a sua posição muito próxima do reto, qualquer alteração em seu tamanho é percebida por meio do toque no reto, que irá apresentar uma diferença anatômica e o médico saberá que há uma alteração na glândula. Nem toda alteração, ou aumento de tamanho, é um câncer. Ocorre em muitos homens, após os 50 anos, em média, um aumento na próstata, porém, como saber se é ou não um câncer?

O médico irá fazer o pedido dos exames, uma biópsia e os resultados laboratoriais, só assim confirmarão o diagnóstico. Apenas o exame do “antígeno prostático específico” (PSA é a abreviação do inglês, prostate specifc antigen) não irá responder com precisão se é ou não câncer.

O PSA é produzido exclusivamente na próstata, é uma proteína cuja função é quebrar outras proteínas que formam um gel, o coágulo seminal. Esse aspecto gelatinoso é importante para o sêmen, pois ajuda a fixar esse líquido cheio de espermatozoides no colo do útero, ao invés de escorrer após o coito e ejaculação. Se o sêmen fica muito gelatinoso, é prejudicial até para mobilidade dos espermatozoides, se ele fica líquido demais, também é prejudicial. O PSA é então produzido e ajuda nesse equilíbrio. Mas por que o PSA não é específico?

O PSA é um marcador específico de alterações na próstata, mas não é específico para afirmar sobre o câncer. Quer exemplos? Atletas ciclistas que ficam muito tempo em posição e com atrito no selim de sua bicicleta, após longas provas, podem apresentar, devido a essa atividade mecânica, um aumento nos níveis de PSA. Quem anda muito a cavalo, após esses passeios, apresentará alterações nos níveis de PSA no sangue. Existem outras situações em que um homem não tem câncer de próstata e apresenta esse aumento de PSA no sangue. Uma dessas situações é o aumento da próstata, hiperplasia benigna prostática como já citado.

Quando então o PSA ganha importância? Ele informa ao médico que há uma alteração. E que fique claro que existem alterações e até casos de câncer de próstata que não apresentam alterações nos níveis de PSA. Portanto não use a existência desse marcador laboratorial como desculpa para não visitar o seu médico. Em caso de dores entre as pernas, dificuldade para urinar, diminuição do volume de urina, incômodo ao evacuar, procure o seu médico.

Os sinais clínicos e sua responsabilidade com você e sua família para ir ao exame médico salvarão sua vida. Se você tem menos de 50 anos e tem sinais clínicos, procure o médico. Se necessário, ele deverá investigar (de acordo com seu relato dos sinais clínicos) por meio dos exames laboratoriais e do toque como está a saúde e o estado de sua próstata. Assim como qualquer câncer, quanto mais cedo confirmado, melhor será o tratamento, com melhor prognóstico.

Portanto, no próximo churrasco, quando alguém comentar que você está na idade de realizar o exame e você pensar na resposta rápida de que basta fazer o PSA e tá tudo bem, lembre-se de que tudo bem é ter certeza de que realmente não tem nada. Essa certeza só virá com sua ida rápida ao médico, com relato honesto, caso tenha sintomas, o médico irá pedir o exame do PSA e esse conjunto de ações é o que importa.

Como biomédico, afirmo, esse marcador laboratorial isolado não é sinônimo de saúde. Não se esconda, perdemos muitos homens que, por machismo e ignorância, omitiram informações que poderiam rapidamente direcionar seus tratamentos e salvar suas vidas.

*Benisio Ferreira da Silva Filho é biomédico, mestre em Ciências da Saúde e doutor em Biotecnologia e em Biologia Celular e Molecular, coordenador do curso de Biomedicina do Centro Universitário Internacional Uninter.

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Autor: Benisio Ferreira da Silva Filho (*)
Créditos do Fotógrafo: Pexels/pixabay


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