Os impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho
Autor: Ana Cláudia Garcia Hess - Estagiária de Jornalismo
Cada vez mais presente no dia a dia, a inteligência artificial tem transformado diferentes aspectos da sociedade, incluindo o funcionamento das empresas. O tema é discutido no artigo científico O impacto da Inteligência Artificial nos contratos de trabalho, de Carla Juliana Ribeiro Dolenga, aluna de Direito da Uninter e Tatiana Lazzaretti Zempulski, professora do curso.
As autoras discutem sobre até que ponto essa tecnologia influencia de forma positiva ou negativa esses contratos, tanto para o empregado quanto para o empregador, quando aplicada com critérios éticos e legais, sem comprometer os direitos fundamentais dos trabalhadores.
Segundo as pesquisadoras, o avanço contínuo da IA tem provocado modificações profundas no mundo do trabalho contemporâneo, impondo ao Direito do Trabalho o desafio de reinterpretar fundamentos consolidados diante das novas dinâmicas produtivas. A ferramenta tem sido utilizada com o objetivo de agilizar rotinas processuais, classificar documentos, identificar padrões em julgamentos e facilitar a tramitação de ações, o que tem contribuído para a redução de tempo e aumento da produtividade no Judiciário.
As autoras citam o estudo de Chinellato (2023) que destaca uma preocupação crescente em relação à proteção de dados pessoais sensíveis, como origem racial ou étnica, crença religiosa e opinião política. Em razão da ampla utilização da internet, essas informações podem ser coletadas e utilizadas por empresas em processos de recrutamento e seleção, influenciando decisões em relação à contratação de trabalhadores.
Diante desse cenário, é fundamental garantir a segurança e a privacidade dos dados dos indivíduos, evitando o uso indevido de informações pessoais. Nos contratos de trabalho, as pesquisadoras citam vantagens como a criação de novas oportunidades em áreas técnicas, como IA, análise de dados e cibersegurança, e a liberação dos trabalhadores de tarefas repetitivas para atividades mais estratégicas e criativas, entre outras.
Entretanto, algumas desvantagens tornam-se evidentes no ambiente de trabalho, como a automação de tarefas repetitivas, aumentando os riscos de desemprego em massa, a intensificação da vigilância por meio do monitoramento constante dos empregados e o controle rigoroso do tempo e da disciplina laboral.
Considerando os aspectos abordados, o artigo conclui que a IA deve ser vista como uma ferramenta de apoio, e não como substituta da decisão humana, com controle contínuo, regulamentação, fiscalização e adaptação às necessidades do sistema judiciário. As autoras completam que a IA gera tanto impactos positivos quantos negativos nos contratos de trabalho, dependendo das condições de implementação, mediação jurídica e respeito aos direitos fundamentais.
O estudo completo pode ser encontrado clicando neste link do Caderno da Escola Superior de Gestão Pública, Política, Jurídica e Segurança (ESGPPJS).
Autor: Ana Cláudia Garcia Hess - Estagiária de JornalismoEdição: Mauri König
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