Crianças conectadas e brincadeiras esquecidas

Autor: Fabiana Kadota Pereira*

As brincadeiras infantis passaram por grandes transformações neste século, principalmente devido ao avanço da tecnologia e das mudanças no modo de viver das famílias. Atualmente, os jogos eletrônicos conquistam rapidamente a atenção das crianças por meio de cores, sons, desafios e emoções imediatas. Embora os games possam trazer benefícios quando utilizados com equilíbrio, o excesso de tempo diante das telas pode limitar experiências motoras, cognitivas e sociais importantes para o desenvolvimento infantil.

Quando a criança deixa de brincar ao ar livre, andar de bicicleta, pular corda, correr ou jogar bola, ela perde oportunidades valiosas de explorar o próprio corpo, desenvolver habilidades motoras e aprender a conviver com outras pessoas. O brincar continua existindo, mas muitas vezes acontece de forma controlada, com horários definidos, espaços limitados e constante supervisão de adultos. As antigas brincadeiras de rua, antes tão comuns, tornaram-se raras devido à insegurança, à falta de espaços adequados e às mudanças na rotina familiar.

Percebe-se também que o brincar espontâneo, criativo e livre vem sendo substituído por atividades organizadas e monitoradas. Muitas crianças já não criam brinquedos com materiais simples, como caixas de papelão, bolas de meia ou garrafas PET, recursos que estimulavam a imaginação e a criatividade. Hoje, os brinquedos industrializados e os jogos digitais oferecem praticidade e entretenimento rápido, mas nem sempre favorecem a interação humana e as experiências afetivas.

A tecnologia não deve ser vista como a grande vilã da infância. O verdadeiro desafio está na falta de tempo dos adultos, na ausência de espaços seguros, no excesso de conteúdos escolares e na diminuição das relações entre irmãos, primos e vizinhos. Por isso, é necessário resgatar o valor do brincar em sua essência, devolvendo à criança o protagonismo da imaginação, da descoberta e das experiências lúdicas que marcam a infância de forma significativa.

* Fabiana Kadota Pereira, pedagoga e professora de Educação Física com especialização em Educação Física Escolar, Recreação e Lazer. Criatividade e Empreededorismo na Educação. Professora da Uninter.

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Autor: Fabiana Kadota Pereira*
Créditos do Fotógrafo: Mirko Sajkov/Pixabay


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