Eventos climáticos extremos escancaram urgência da justiça climática

Autor: Madson Lopes - assistente de comunicação

“Nem toda injustiça ambiental é climática, mas toda injustiça climática é ambiental”. A frase é do pesquisador de energia e sustentabilidade Rodolfo Gomes e foi utilizada por Suely Barboza para explicar o racismo ambiental, termo empregado por alguns acadêmicos para compreender como injustiças socioambientais afetam de maneira desproporcional determinados grupos sociais. 

Assessora jurídica no Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR) e membro do coletivo Todas da Lei, Suely escreveu, ao lado de outras duas pesquisadoras, um artigo sobre gênero, direito e racismo ambiental, presente no livro Todas da Lei: vozes femininas sobre o feminino. O livro integra feminismo a diversas questões sociais. A versão digital está disponível gratuitamente no site do coletivo. 

O racismo ambiental faz um recorte dentro do conceito mais amplo de racismo estrutural e analisa a formação das desigualdades sociais e segregação espacial dos territórios brasileiros. Os anos de escravidão, seguidos pelo processo de abolição que não integrou ex-escravizados à sociedade, ao contrário, largou-os à própria sorte, obrigaram essa população a viver em locais sem planejamento urbano sustentável. 

“Num país onde [mais de] 50% da população é negra, em regra, a maioria dessa população está em territórios marginalizados, nas favelas, nos morros”, afirmou Suely. Mas o racismo ambiental atinge não apenas a população negra e periférica dos espaços urbanos. Quilombolas, ribeirinhos e povos indígenas são alvos direto dos danos ambientais causados pela exploração humana. 

“Quem acaba sendo mais atingido pelas mazelas e pelas consequências da falta de políticas públicas, do excesso de chuvas, das enchentes, do meio ambiente contaminado, dos rios poluídos, é sempre aquela população que está em maior situação de vulnerabilidade”, disse. 

Em novembro de 2025, Suely participou do programa da TV Uninter Momento Carreira. A edição também recebeu a residente jurídica do MPPR, Rafaela Tenório, uma das coautoras do artigo. Durante o programa, as convidadas destacaram que a compreensão sobre esse tema ajuda a levar justiça climáticas a quem mais precisa. 

“Racismo ambiental não é para chocar ninguém, mas é para convidar todos e todas a refletir, tirar as lentes que estão cômodas e colocar as lentes que nos incomodam, que nos provocam a pensar no que podemos fazer”, disse a assessora. 

Rafaela destacou os avanços nesse sentido. Um deles foi a própria 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, realizada em Belém, no Pará, em novembro do ano passado. Para ela, a escolha da sede deu visibilidade à Amazônia e aos povos da região. 

“Os povos indígenas e a população mais periférica precisam cada vez mais de alcance mundial para que esses planos de ação sejam voltados cada vez mais para quem precisa”, disse. Como exemplo de iniciativas fortalecidas a partir da COP30, ela citou o Plano de Ação de Gênero de Belém (GAP). 

O GAP coloca mulheres e meninas de Belém no centro da política climática, reconhecendo suas contribuições e vulnerabilidades específicas. “Esse plano de ação já existia anteriormente, só que agora ele orienta as decisões climáticas mais próximas para visibilizar a justiça de gênero também”, comentou Rafaela. 

Esta matéria faz um recorte temático do programa. A edição completa também discute o acesso das mulheres no mundo jurídico e destaca o trabalho do coletivo Todas da Lei, grupo de mulheres estudiosas do feminismo que produzem e divulgam conhecimento científico voltado à igualdade de gênero. Assista no canal da TV Uninter no YouTube. 

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Autor: Madson Lopes - assistente de comunicação
Edição: Larissa Drabeski
Créditos do Fotógrafo: Tomaz Silva/Agência Brasil e Reprodução Youube


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